Um dia, um doutor da lei veio testar Jesus e perguntou:
— Mestre, o que devo fazer para herdar a vida eterna?
Jesus respondeu com outra pergunta:
— O que está escrito na Lei? Como você lê?
O doutor da lei respondeu:
— Você respondeu bem — disse Jesus. — Faça isso, e viverá.
Mas o homem, querendo se justificar, perguntou:
— E quem é o meu próximo?
Foi então que Jesus contou esta história.

O pobre homem havia sido assaltado, espancado e largado na estrada, quase morto. A estrada de Jerusalém para Jericó era conhecida por ser perigosa: um caminho deserto, cheio de curvas, que descia pelas montanhas, onde os ladrões costumavam se esconder para atacar os viajantes.
E agora aquele homem estava ali, sozinho, ferido, sem conseguir se mover. Será que alguém o ajudaria?
Um sacerdote, alguém que servia a Deus no Templo — certamente ele ajudaria, não é? Mas não. O sacerdote viu o homem ferido e passou pelo outro lado da estrada, seguindo o seu caminho como se não tivesse visto nada.
Por que ele não parou? Talvez tivesse medo de ser atacado também. Talvez estivesse com pressa, ou pensasse que tocar num ferido o deixaria impuro segundo a lei. Ou talvez simplesmente não quisesse se envolver. De qualquer forma, ele viu alguém que precisava muito de ajuda e não fez nada.

Depois veio um levita, outro homem religioso que trabalhava no Templo. Ele também viu o ferido — talvez até tenha chegado um pouco mais perto para olhar —, mas depois seguiu adiante, sem ajudar.
Duas pessoas religiosas, que conheciam bem o mandamento de amar o próximo, e nenhuma delas parou. O pobre homem continuava ali, sofrendo, esperando que alguém tivesse compaixão dele.

E aqui vem a grande surpresa da história. Um samaritano — e os judeus e os samaritanos eram inimigos, não se falavam, e um judeu jamais esperaria ajuda de um samaritano. Mas aquele samaritano, quando viu o homem ferido, sentiu o coração se encher de compaixão. Ele não perguntou se o homem era judeu ou inimigo. Viu apenas um ser humano sofrendo, que precisava de ajuda. E agiu.

O samaritano não cuidou apenas das feridas. Colocou o homem na sua própria montaria, enquanto ele mesmo seguia a pé, levou-o a uma hospedaria e continuou cuidando dele. E, no dia seguinte:
Dois denários valiam dois dias de salário de um trabalhador. O samaritano deu o seu próprio dinheiro e prometeu pagar ainda mais, se fosse preciso. Ele não disse "já fiz a minha parte": fez questão de garantir que o homem continuaria bem cuidado.

Depois de contar esta história, Jesus perguntou ao doutor da lei:
O doutor da lei respondeu:
— Aquele que usou de misericórdia para com ele.
E Jesus disse:

Repare como Jesus virou a pergunta ao contrário. O doutor da lei queria saber "quem é o meu próximo", como se algumas pessoas merecessem ajuda e outras não. Jesus mostrou outra coisa: a pergunta certa é de quem nós escolhemos ser próximos. Nosso próximo é qualquer pessoa que precisa de nós, seja quem for.
O samaritano não ficou só na compaixão: parou a viagem, cuidou das feridas, cedeu a montaria, gastou o próprio dinheiro. O amor verdadeiro se mostra em gestos, e às vezes custa tempo, conforto e esforço. Foi um estrangeiro, tido como inimigo, quem ensinou a todos o que é amar. Por isso Jesus terminou com um convite que vale até hoje, para cada um de nós: ir e fazer o mesmo.
Reflexão



