A Parábola do Bom Samaritano
Bíblia

A Parábola do Bom Samaritano

por Bíblia Sagrada

Idades 7-9
7 min de leitura

Um dia, um doutor da lei veio testar Jesus e perguntou:

— Mestre, o que devo fazer para herdar a vida eterna?

Jesus respondeu com outra pergunta:

— O que está escrito na Lei? Como você lê?

O doutor da lei respondeu:

Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e a teu próximo como a ti mesmo.

— Lucas 10:27

— Você respondeu bem — disse Jesus. — Faça isso, e viverá.

Mas o homem, querendo se justificar, perguntou:

— E quem é o meu próximo?

Foi então que Jesus contou esta história.

O doutor da lei perguntando a Jesus
Um doutor da lei perguntou a Jesus: 'Quem é o meu próximo?'

Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de ladrões. Estes o despojaram, cobriram-no de feridas e foram-se, deixando-o meio morto.

— Lucas 10:30

O pobre homem havia sido assaltado, espancado e largado na estrada, quase morto. A estrada de Jerusalém para Jericó era conhecida por ser perigosa: um caminho deserto, cheio de curvas, que descia pelas montanhas, onde os ladrões costumavam se esconder para atacar os viajantes.

E agora aquele homem estava ali, sozinho, ferido, sem conseguir se mover. Será que alguém o ajudaria?

Por coincidência, descia por aquele caminho um sacerdote. Viu o homem e passou adiante.

— Lucas 10:31

Um sacerdote, alguém que servia a Deus no Templo — certamente ele ajudaria, não é? Mas não. O sacerdote viu o homem ferido e passou pelo outro lado da estrada, seguindo o seu caminho como se não tivesse visto nada.

Por que ele não parou? Talvez tivesse medo de ser atacado também. Talvez estivesse com pressa, ou pensasse que tocar num ferido o deixaria impuro segundo a lei. Ou talvez simplesmente não quisesse se envolver. De qualquer forma, ele viu alguém que precisava muito de ajuda e não fez nada.

O sacerdote passando longe
Um sacerdote viu o homem ferido, mas passou longe.

Do mesmo modo, um levita, chegando àquele lugar, viu o homem e passou adiante.

— Lucas 10:32

Depois veio um levita, outro homem religioso que trabalhava no Templo. Ele também viu o ferido — talvez até tenha chegado um pouco mais perto para olhar —, mas depois seguiu adiante, sem ajudar.

Duas pessoas religiosas, que conheciam bem o mandamento de amar o próximo, e nenhuma delas parou. O pobre homem continuava ali, sofrendo, esperando que alguém tivesse compaixão dele.

O levita passando longe
Um levita também viu o homem, mas passou longe.

Mas um samaritano que ia de viagem chegou perto dele e, vendo-o, moveu-se de compaixão.

— Lucas 10:33

E aqui vem a grande surpresa da história. Um samaritano — e os judeus e os samaritanos eram inimigos, não se falavam, e um judeu jamais esperaria ajuda de um samaritano. Mas aquele samaritano, quando viu o homem ferido, sentiu o coração se encher de compaixão. Ele não perguntou se o homem era judeu ou inimigo. Viu apenas um ser humano sofrendo, que precisava de ajuda. E agiu.

Aproximou-se dele, cuidou de suas feridas, deitando nelas azeite e vinho, e, colocando-o sobre a sua própria montaria, levou-o a uma hospedaria e dispensou-lhe cuidados.

— Lucas 10:34

O samaritano cuidando do homem ferido
O samaritano parou, cuidou das feridas e levou o homem numa hospedaria.

O samaritano não cuidou apenas das feridas. Colocou o homem na sua própria montaria, enquanto ele mesmo seguia a pé, levou-o a uma hospedaria e continuou cuidando dele. E, no dia seguinte:

No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo: "Cuida dele, e tudo o que gastares a mais, eu to pagarei quando voltar."

— Lucas 10:35

Dois denários valiam dois dias de salário de um trabalhador. O samaritano deu o seu próprio dinheiro e prometeu pagar ainda mais, se fosse preciso. Ele não disse "já fiz a minha parte": fez questão de garantir que o homem continuaria bem cuidado.

O samaritano pagando ao hospedeiro
O samaritano pagou para que o homem continuasse sendo cuidado.

Depois de contar esta história, Jesus perguntou ao doutor da lei:

Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?

— Lucas 10:36

O doutor da lei respondeu:

— Aquele que usou de misericórdia para com ele.

E Jesus disse:

Vai, e faze tu também o mesmo.

— Lucas 10:37

Jesus ensinando a lição
Jesus ensinou que devemos amar e ajudar a todos.

Repare como Jesus virou a pergunta ao contrário. O doutor da lei queria saber "quem é o meu próximo", como se algumas pessoas merecessem ajuda e outras não. Jesus mostrou outra coisa: a pergunta certa é de quem nós escolhemos ser próximos. Nosso próximo é qualquer pessoa que precisa de nós, seja quem for.

O samaritano não ficou só na compaixão: parou a viagem, cuidou das feridas, cedeu a montaria, gastou o próprio dinheiro. O amor verdadeiro se mostra em gestos, e às vezes custa tempo, conforto e esforço. Foi um estrangeiro, tido como inimigo, quem ensinou a todos o que é amar. Por isso Jesus terminou com um convite que vale até hoje, para cada um de nós: ir e fazer o mesmo.

❤️ ✝️ ❤️

Reflexão

Ser próximo não é escolher quem merece a nossa ajuda, mas ajudar quem precisa dela. O amor verdadeiro age com compaixão, não importa quem seja a pessoa.

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