Daniel gostava de rezar. Ele abria a janela do quarto. A janela olhava para Jerusalém. Três vezes por dia, todo dia, Daniel se ajoelhava ali e agradecia a Deus.
Um dia, levaram Daniel para a cova dos leões. Lá dentro estava escurinho e quente. Os leões eram grandes, de juba macia.
Daniel fechou os olhos e rezou. Deus mandou o seu anjo. O anjo fechou a boca dos leões.
E os leões deitaram quietos.
Um leão bocejou bem devagar. Aaah. Outro se enroscou como um gato enorme. Daniel encostou na juba morna de um deles.
E os leões deitaram quietos.
A noite passou inteirinha assim. Nada de rugido. Nada de susto. Só a respiração dos leões. Tum-tum. Tum-tum.
E os leões deitaram quietos.
De manhã cedinho, o rei veio correndo até a cova. Chamou por Daniel. E Daniel respondeu:
— Estou bem. Deus cuidou de mim.
Daniel não tinha nem um arranhão.
O sol entrou devagarinho pela pedra. Os leões ainda dormiam na areia. Xiu. Durma você também. Boa noite.



