Os filisteus reuniram os seus exércitos para a guerra contra Israel. Acamparam de um lado, e os israelitas acamparam do outro, com um vale entre os dois. Todos os dias os dois exércitos se posicionavam para a batalha, mas ninguém atacava, porque os filisteus tinham um guerreiro que enchia Israel de medo. O nome dele era Golias.
Golias era de Gate. Sua altura era de seis côvados e um palmo — mais de dois metros e noventa centímetros. Ele usava um capacete de bronze na cabeça e vestia uma couraça de escamas de bronze que pesava cinco mil siclos, cerca de cinquenta e sete quilos de armadura. Tinha grevas de bronze nas pernas e um dardo de bronze entre os ombros.
A haste da sua lança era grossa como o eixo de um tear, e só a ponta de ferro pesava seiscentos siclos, quase sete quilos. Um escudeiro caminhava à sua frente. Golias parecia uma fortaleza que andava — enorme, coberto de bronze, assustador de se ver.

Todos os dias, durante quarenta dias, Golias saía e desafiava Israel. Ele gritava:
Era um costume antigo: em vez de os dois exércitos lutarem, um campeão de cada lado lutaria, e o vencedor decidiria a batalha. Mas quando Saul, o rei de Israel, e todo o povo ouviram as palavras do filisteu, ficaram espantados e com muito medo. Ninguém tinha coragem de enfrentar aquele gigante.

Naquela época vivia em Belém um homem chamado Jessé, que tinha oito filhos. Os três mais velhos haviam ido à guerra com Saul. O mais novo, Davi, ficara em casa cuidando das ovelhas do pai. Davi era um jovem pastor, e ia e vinha entre o campo e o acampamento, levando comida para os irmãos e voltando para o rebanho.
Um dia, Jessé disse a Davi:
— Leve para os seus irmãos este grão tostado e estes dez pães, e vá depressa ao acampamento. Leve também estes dez queijos ao comandante. E veja como os seus irmãos estão passando.
Davi se levantou de madrugada, deixou as ovelhas com um guarda, tomou a carga e partiu, como o pai havia ordenado.

Davi chegou ao acampamento na hora em que o exército saía para a linha de batalha, soltando o grito de guerra. Israel e os filisteus se puseram em ordem, exército diante de exército. Davi deixou a carga com o guarda da bagagem e correu para ver os irmãos. Enquanto conversava com eles, o campeão, Golias de Gate, saiu das fileiras dos filisteus e repetiu as palavras de sempre. Todos os homens de Israel, ao vê-lo, fugiram cheios de medo.
Mas Davi perguntou aos homens que estavam por perto:
— O que farão ao homem que vencer esse filisteu e tirar essa vergonha de Israel? Quem é esse filisteu para desafiar os exércitos do Deus vivo?

As palavras de Davi chegaram aos ouvidos de Saul, que o mandou chamar. Davi disse ao rei:
— Que ninguém perca o ânimo por causa desse homem. O seu servo irá lutar contra esse filisteu.
Saul olhou para o jovem pastor e respondeu:
— Você não pode lutar contra ele. Você ainda é um rapaz, e ele é homem de guerra desde a juventude.
Mas Davi contou o que já havia vivido:
— O seu servo cuidava das ovelhas do pai. Quando vinha um leão ou um urso e levava uma ovelha do rebanho, eu saía atrás dele, o feria e livrava a ovelha da sua boca. Se ele se voltava contra mim, eu o segurava e o vencia. O seu servo venceu o leão e o urso, e esse filisteu terminará como um deles, porque desafiou os exércitos do Deus vivo. O Senhor, que me livrou das garras do leão e do urso, me livrará também das mãos desse filisteu.
Então Saul disse:
— Vá, e que o Senhor esteja com você.

Saul vestiu Davi com a sua própria armadura, pôs um capacete de bronze na sua cabeça e uma couraça sobre o peito. Davi prendeu a espada por cima da armadura e tentou andar, mas não estava acostumado com nada daquilo.
— Não consigo andar com isto — disse ele a Saul. — Não estou acostumado.
E tirou tudo. Em vez da armadura, Davi tomou o cajado na mão, escolheu cinco pedras lisas no ribeiro e as guardou no alforje de pastor. Depois, com a funda na mão, foi ao encontro do filisteu. Cinco pedras lisas, uma funda simples, nenhuma espada — apenas um jovem pastor que confiava em Deus.

O filisteu veio se aproximando de Davi, com o escudeiro à frente. Quando olhou e viu que era apenas um rapaz, ruivo e de boa aparência, Golias o desprezou e disse:
— Por acaso sou algum cachorro, para você vir a mim com um pedaço de pau?
E amaldiçoou Davi pelos seus deuses. Depois gritou:
— Venha até aqui, e eu darei a sua carne às aves do céu e aos animais do campo!
Mas Davi respondeu ao filisteu:

Quando o filisteu se levantou e veio ao seu encontro, Davi correu depressa em direção à linha de batalha. Meteu a mão no alforje, tirou uma pedra e a atirou com a funda. A pedra acertou o filisteu na testa e ali se cravou, e ele caiu com o rosto em terra.
Assim Davi venceu o filisteu com uma funda e uma pedra, sem ter espada na mão. Depois correu, pôs-se sobre o gigante, tomou a espada dele, tirou-a da bainha e cortou a sua cabeça.
Quando os filisteus viram que o seu campeão estava morto, fugiram. Os homens de Israel e de Judá se levantaram com um grande grito e os perseguiram, e Israel teve uma grande vitória naquele dia. O jovem pastor havia feito o que nenhum soldado experiente ousara fazer: confiou em Deus, e Deus lhe deu a vitória.
Davi não lutou pela própria glória. Lutou para honrar o nome de Deus, e aprendeu, cuidando das ovelhas, que o Senhor prepara devagar o coração de quem confia nele. A vitória não veio da espada nem da lança, mas da fé de um menino que conhecia o seu Deus.
Reflexão



