A Parábola do Filho Pródigo
Bíblia

A Parábola do Filho Pródigo

por Bíblia Sagrada

Idades 7-9
9 min de leitura

Jesus contou esta história para nos ensinar sobre o amor e o perdão de Deus:

Um homem tinha dois filhos. O mais moço disse ao pai: "Pai, dá-me a parte da herança que me cabe." E o pai repartiu entre eles os bens.

— Lucas 15:11-12

Imagine só: o filho mais novo estava pedindo sua herança enquanto o pai ainda estava vivo. Era quase como dizer que preferia que o pai já tivesse morrido, contanto que recebesse o dinheiro logo. Era um pedido egoísta e desrespeitoso. Mas o pai, mesmo magoado, deu ao filho o que ele pediu.

Poucos dias depois, o filho mais novo juntou tudo o que tinha e partiu para uma terra distante. Foi embora de casa, para longe do pai e da família. Ele queria ser "livre", viver do jeito dele, sem ninguém para lhe dizer o que fazer.

E ali, naquela terra distante, ele desperdiçou toda a sua fortuna, gastando sem pensar.

E ali dissipou sua fortuna, vivendo dissolutamente.

— Lucas 15:13

Ele gastou tudo em festas, diversão e prazeres, tudo o que o dinheiro podia comprar. Enquanto tinha dinheiro, tinha "amigos" ao seu redor, pois todos queriam estar perto do rapaz rico. Mas o dinheiro não durou para sempre. Logo acabou tudo.

Quando o dinheiro acabou, veio também uma grande fome naquela terra, e o rapaz começou a passar necessidade. Os "amigos" desapareceram todos. Sem dinheiro, ninguém o queria por perto. Ele estava sozinho e com fome.

Foi procurar trabalho e conseguiu apenas um: cuidar de porcos para um dos moradores daquela terra.

E desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.

— Lucas 15:16

Ele estava com tanta fome que desejava comer a comida dos porcos. E, para um judeu, cuidar de porcos era a coisa mais humilhante que existia, porque os porcos eram considerados animais impuros. O filho que havia desperdiçado uma fortuna agora passava fome num chiqueiro, olhando para a comida dos animais.

Foi então que o filho caiu em si. Ele pensou:

Quantos empregados de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui morro de fome! Vou me levantar, irei a meu pai e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um de teus empregados.

— Lucas 15:17-19

Ele se arrependeu. Percebeu como havia sido tolo e reconheceu que havia pecado contra o céu, isto é, contra Deus, e contra seu pai. Ele nem esperava ser recebido como filho, pois achava que não merecia. Planejava apenas pedir para ser tratado como um dos empregados; assim, pelo menos, teria comida.

Então levantou-se e tomou o caminho de casa.

Enquanto o filho ainda estava longe, o pai o viu. É que o pai estava esperando. Dia após dia, ele olhava para a estrada, desejando que seu filho voltasse. E quando enfim o avistou:

Seu pai o viu, encheu-se de compaixão, correu, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.

— Lucas 15:20

O pai correu. Imagine um homem velho e respeitável levantando a túnica e correndo pela estrada. Não era coisa digna para um homem da posição dele, mas ele não se importou. Correu para o filho, abraçou-o e beijou-o, antes mesmo que o rapaz pudesse dizer qualquer palavra.

O filho começou a dizer o que havia preparado:

— Pai, eu pequei contra o céu e contra você. Já não mereço ser chamado seu filho...

Mas o pai nem o deixou terminar. Não quis ouvir falar de tratá-lo como empregado. Chamou os servos e ordenou:

Trazei depressa a melhor veste e vesti-lha, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o novilho cevado e matai-o; comamos e façamos festa, porque este meu filho estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi achado!

— Lucas 15:22-24

A melhor veste, um anel, sandálias: eram marcas de honra, não de servo. O pai estava devolvendo ao filho o seu lugar na família. O anel mostrava confiança. As sandálias mostravam que ele era um filho livre, não um escravo. E ainda mandou preparar uma festa, matando o novilho cevado, o melhor animal, guardado para as grandes ocasiões.

Mas a história não termina aqui. Lembra que havia outro filho?

O filho mais velho estava no campo. Quando voltou e se aproximou da casa, ouviu música e danças. Chamou um dos servos e perguntou o que estava acontecendo.

— Seu irmão voltou — respondeu o servo —, e seu pai matou o novilho cevado, porque o recuperou com saúde.

O filho mais velho ficou furioso e não quis entrar. O pai saiu e insistiu com ele, mas o mais velho respondeu:

Há tantos anos que te sirvo, e jamais transgredi um só de teus mandamentos, e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos! Mas quando voltou este teu filho, que devorou teus bens, para ele mataste o novilho cevado!

— Lucas 15:29-30

O filho mais velho estava cheio de raiva e ressentimento. Repare que ele não disse "meu irmão"; disse "este teu filho", como se não quisesse nem reconhecer o irmão. Ele achava que merecia mais, porque sempre havia obedecido, e sentiu ciúmes da bondade do pai.

O pai respondeu com amor:

Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi achado!

— Lucas 15:31-32

O pai chamou o mais velho de "filho" e lembrou que o outro era "teu irmão", mostrando que os dois eram igualmente amados. Não era uma questão de merecer ou não. Era alegria, porque alguém que estava perdido foi encontrado; alguém que parecia morto voltou a viver.

Deus é como aquele pai: está sempre à espera, olhando a estrada, pronto para correr ao nosso encontro quando voltamos arrependidos. Seu perdão não vem pela metade, nem cheio de condições; vem inteiro, generoso, com festa. E a parábola também nos convida a não sermos como o filho mais velho, com ciúmes da misericórdia que Deus tem pelos outros, pois todos nós precisamos dela.

O nome "filho pródigo" quer dizer filho que desperdiçou. Mas, no fundo, esta parábola poderia se chamar "O Pai Amoroso", porque ela fala, acima de tudo, do amor extraordinário do pai.

❤️ ✝️ ❤️

Reflexão

Não importa o quanto nos afastemos de Deus: quando nos arrependemos, Ele sempre nos recebe de volta com amor. Seu perdão é completo, generoso e cheio de alegria.

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