Jesus contou esta história para nos ensinar sobre o amor e o perdão de Deus:
Imagine só: o filho mais novo estava pedindo sua herança enquanto o pai ainda estava vivo. Era quase como dizer que preferia que o pai já tivesse morrido, contanto que recebesse o dinheiro logo. Era um pedido egoísta e desrespeitoso. Mas o pai, mesmo magoado, deu ao filho o que ele pediu.
Poucos dias depois, o filho mais novo juntou tudo o que tinha e partiu para uma terra distante. Foi embora de casa, para longe do pai e da família. Ele queria ser "livre", viver do jeito dele, sem ninguém para lhe dizer o que fazer.
E ali, naquela terra distante, ele desperdiçou toda a sua fortuna, gastando sem pensar.
Ele gastou tudo em festas, diversão e prazeres, tudo o que o dinheiro podia comprar. Enquanto tinha dinheiro, tinha "amigos" ao seu redor, pois todos queriam estar perto do rapaz rico. Mas o dinheiro não durou para sempre. Logo acabou tudo.
Quando o dinheiro acabou, veio também uma grande fome naquela terra, e o rapaz começou a passar necessidade. Os "amigos" desapareceram todos. Sem dinheiro, ninguém o queria por perto. Ele estava sozinho e com fome.
Foi procurar trabalho e conseguiu apenas um: cuidar de porcos para um dos moradores daquela terra.
Ele estava com tanta fome que desejava comer a comida dos porcos. E, para um judeu, cuidar de porcos era a coisa mais humilhante que existia, porque os porcos eram considerados animais impuros. O filho que havia desperdiçado uma fortuna agora passava fome num chiqueiro, olhando para a comida dos animais.
Foi então que o filho caiu em si. Ele pensou:
Ele se arrependeu. Percebeu como havia sido tolo e reconheceu que havia pecado contra o céu, isto é, contra Deus, e contra seu pai. Ele nem esperava ser recebido como filho, pois achava que não merecia. Planejava apenas pedir para ser tratado como um dos empregados; assim, pelo menos, teria comida.
Então levantou-se e tomou o caminho de casa.
Enquanto o filho ainda estava longe, o pai o viu. É que o pai estava esperando. Dia após dia, ele olhava para a estrada, desejando que seu filho voltasse. E quando enfim o avistou:
O pai correu. Imagine um homem velho e respeitável levantando a túnica e correndo pela estrada. Não era coisa digna para um homem da posição dele, mas ele não se importou. Correu para o filho, abraçou-o e beijou-o, antes mesmo que o rapaz pudesse dizer qualquer palavra.
O filho começou a dizer o que havia preparado:
— Pai, eu pequei contra o céu e contra você. Já não mereço ser chamado seu filho...
Mas o pai nem o deixou terminar. Não quis ouvir falar de tratá-lo como empregado. Chamou os servos e ordenou:
A melhor veste, um anel, sandálias: eram marcas de honra, não de servo. O pai estava devolvendo ao filho o seu lugar na família. O anel mostrava confiança. As sandálias mostravam que ele era um filho livre, não um escravo. E ainda mandou preparar uma festa, matando o novilho cevado, o melhor animal, guardado para as grandes ocasiões.
Mas a história não termina aqui. Lembra que havia outro filho?
O filho mais velho estava no campo. Quando voltou e se aproximou da casa, ouviu música e danças. Chamou um dos servos e perguntou o que estava acontecendo.
— Seu irmão voltou — respondeu o servo —, e seu pai matou o novilho cevado, porque o recuperou com saúde.
O filho mais velho ficou furioso e não quis entrar. O pai saiu e insistiu com ele, mas o mais velho respondeu:
O filho mais velho estava cheio de raiva e ressentimento. Repare que ele não disse "meu irmão"; disse "este teu filho", como se não quisesse nem reconhecer o irmão. Ele achava que merecia mais, porque sempre havia obedecido, e sentiu ciúmes da bondade do pai.
O pai respondeu com amor:
O pai chamou o mais velho de "filho" e lembrou que o outro era "teu irmão", mostrando que os dois eram igualmente amados. Não era uma questão de merecer ou não. Era alegria, porque alguém que estava perdido foi encontrado; alguém que parecia morto voltou a viver.
Deus é como aquele pai: está sempre à espera, olhando a estrada, pronto para correr ao nosso encontro quando voltamos arrependidos. Seu perdão não vem pela metade, nem cheio de condições; vem inteiro, generoso, com festa. E a parábola também nos convida a não sermos como o filho mais velho, com ciúmes da misericórdia que Deus tem pelos outros, pois todos nós precisamos dela.
O nome "filho pródigo" quer dizer filho que desperdiçou. Mas, no fundo, esta parábola poderia se chamar "O Pai Amoroso", porque ela fala, acima de tudo, do amor extraordinário do pai.
Reflexão



