O Ganso Dourado
Contos de Fadas

O Ganso Dourado

por Irmãos Grimm

Idades 7-9
8 min de leitura

Era uma vez um homem que tinha três filhos. O mais novo se chamava Dummling, e era desprezado e alvo de zombaria em toda ocasião.

Aconteceu que o mais velho quis ir à floresta cortar lenha e, antes de sair, a mãe lhe deu um belo bolo doce e uma garrafa de vinho, para que não passasse fome nem sede.

Quando ele entrou na floresta, encontrou um velhinho de cabelos grisalhos, que lhe deu bom dia e disse:

— Me dê um pedaço do bolo que você leva no bolso e me deixe tomar um gole do seu vinho. Estou com tanta fome e tanta sede.

Mas o jovem, muito esperto, respondeu:

— Se eu lhe der meu bolo e meu vinho, não sobra nada para mim. Vá embora.

E deixou o velhinho ali parado e seguiu em frente. Mas, quando começou a cortar uma árvore, não demorou a errar um golpe, e o machado lhe feriu o braço, de modo que precisou voltar para casa e fazer um curativo. E isso foi obra do velhinho grisalho.

Depois disso, o segundo filho foi à floresta, e a mãe lhe deu, como ao mais velho, um bolo e uma garrafa de vinho. O velhinho grisalho o encontrou do mesmo jeito e lhe pediu um pedaço de bolo e um gole de vinho. Mas o segundo filho também respondeu, muito seguro de si:

— O que eu der a você vai faltar para mim. Vá embora.

E deixou o velhinho ali parado e seguiu em frente. O castigo não tardou: mal deu alguns golpes na árvore, feriu a própria perna, e tiveram de carregá-lo para casa.

Então Dummling disse:

— Pai, deixe eu ir cortar lenha.

O pai respondeu:

— Seus irmãos se machucaram nisso. Deixe esse assunto de lado, você não entende nada de machado.

Mas Dummling implorou tanto que, por fim, ele disse:

— Então vá. Machucando-se é que você aprende.

A mãe lhe deu um bolo amassado com água e assado nas cinzas, e junto uma garrafa de cerveja azeda.

Quando ele chegou à floresta, o velhinho grisalho o encontrou do mesmo jeito e o cumprimentou, dizendo:

— Me dê um pedaço do seu bolo e um gole da sua garrafa. Estou com tanta fome e tanta sede.

Dummling respondeu:

— Eu só tenho bolo de cinzas e cerveja azeda. Se lhe servir, vamos nos sentar e comer juntos.

Sentaram-se os dois e, quando Dummling tirou o bolo de cinzas, ele tinha virado um fino bolo doce, e a cerveja azeda tinha virado um bom vinho. Comeram e beberam e, depois, o velhinho disse:

— Já que você tem bom coração e reparte de boa vontade o que é seu, vou lhe dar sorte. Está vendo aquela árvore velha? Corte-a, e você vai encontrar uma coisa entre as raízes.

E, dito isso, o velhinho se despediu.

Dummling foi e cortou a árvore. Quando ela caiu, lá estava, entre as raízes, um ganso de penas de ouro puro. Ele o ergueu, levou-o consigo e foi a uma estalagem, onde pensava passar a noite. Ora, o estalajadeiro tinha três filhas que, ao verem o ganso, ficaram curiosas para saber que ave maravilhosa seria aquela, e cada uma queria para si uma das penas douradas.

A mais velha pensou: "Logo aparece uma chance de arrancar uma pena." E, assim que Dummling saiu, agarrou o ganso pela asa — mas seus dedos e sua mão ficaram grudados nele.

A segunda veio logo depois, pensando somente em como conseguir uma pena para si; mas, mal encostou na irmã, ficou grudada também.

Por fim veio a terceira, com a mesma ideia, e as outras gritaram:

— Fique longe, pelo amor de Deus, fique longe!

Mas ela não entendia por que deveria ficar longe. "Se as outras estão aí", pensou, "eu também posso estar." E correu até elas; mas, assim que tocou na irmã, ficou grudada também. E assim tiveram de passar a noite junto do ganso.

Na manhã seguinte, Dummling tomou o ganso debaixo do braço e partiu, sem se importar com as três moças penduradas nele. Elas eram obrigadas a correr atrás, ora para a esquerda, ora para a direita, conforme lhe dava vontade de ir.

No meio dos campos, o pároco os encontrou e, vendo aquela procissão, disse:

— Que vergonha, meninas desavergonhadas. Por que vão correndo pelo campo atrás desse rapaz? Isso lá são modos?

E, no mesmo instante, agarrou a mais nova pela mão para puxá-la; mas, mal a tocou, ficou grudado também, e teve de sair correndo atrás.

Pouco depois, passou o sacristão e viu seu mestre, o pároco, correndo atrás de três moças. Espantado, gritou:

— Ei, reverendo, aonde vai com tanta pressa? Não se esqueça de que hoje temos um batizado!

E, correndo atrás dele, pegou-o pela manga — e ficou grudado nela também.

Enquanto os cinco trotavam assim, um atrás do outro, dois lavradores vinham do campo com suas enxadas. O pároco os chamou e pediu que os soltassem, a ele e ao sacristão. Mas, mal encostaram no sacristão, os dois ficaram grudados, e agora eram sete correndo atrás de Dummling e do seu ganso.

Logo adiante, ele chegou a uma cidade governada por um rei que tinha uma filha tão séria, tão séria, que ninguém conseguia fazê-la rir. Por isso o rei havia decretado que quem a fizesse rir se casaria com ela. Quando Dummling soube disso, foi com o ganso e todo o seu cortejo até a filha do rei; e ela, ao ver aquelas sete pessoas correndo grudadas umas nas outras, caiu numa gargalhada tão grande que parecia que nunca mais ia parar. Então Dummling a pediu em casamento, e as bodas foram celebradas. Depois da morte do rei, Dummling herdou o reino e viveu por muitos anos contente com a sua esposa.

❤️ ✝️ ❤️

Moral da História

Dummling tinha pouco, mas repartiu de coração aberto, e foi por isso que a sorte veio ao seu encontro. Quem divide o que tem, mesmo sendo simples, acaba encontrando alegrias que ninguém esperava.

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