Já haviam se passado anos desde que os cavaleiros da Távola Redonda partiram em busca do Santo Graal. Muitos morreram. Outros desistiram e voltaram para casa, envergonhados. Percival continuava sua busca, mas o Graal permanecia escondido.
Em Camelot, o Rei Arthur estava triste. A Távola Redonda estava quase vazia: dos cento e cinquenta cavaleiros que partiram, poucos restavam. E o lugar mais misterioso de todos continuava desocupado — o Assento Perigoso.
Era um lugar especial na Távola Redonda, sempre coberto com um pano dourado onde apareciam letras mágicas: "Aqui se sentará aquele que encontrará o Santo Graal." Mas havia um aviso terrível: quem se sentasse ali sem ser o escolhido morreria no mesmo instante. Por isso, o Assento Perigoso ficava sempre vazio. Esperando.
Um dia, chegou a Camelot um jovem cavaleiro desconhecido. Era alto e belo, com cabelos dourados que brilhavam ao sol e olhos azuis e limpos como o céu. Vestia armadura vermelha e branca — as cores da pureza e do sacrifício.
— Quem é você, jovem cavaleiro? — perguntou o Rei Arthur.
— Meu nome é Galahad — respondeu o jovem, com voz firme mas humilde. — Sou filho de Sir Lancelot du Lac, mas fui criado longe de Camelot, num convento de freiras. Venho buscar meu lugar entre os Cavaleiros da Távola Redonda.
Todos ficaram surpresos. Lancelot tinha um filho, e ninguém sabia. Lancelot se aproximou, com lágrimas nos olhos.
— Meu filho, é verdade. Quando você era bebê, eu o levei para ser criado pelas freiras santas, longe das tentações do mundo. Eu sabia que você tinha um destino especial.
Arthur examinou o jovem. Havia nele algo diferente — uma luz, uma pureza que o rei nunca havia visto em nenhum outro cavaleiro, nem mesmo em Percival.
— Venha, Galahad — disse Arthur. — Você se juntará a nós na Távola Redonda.
Arthur o levou ao grande salão, e então algo incrível aconteceu. Quando Galahad entrou, o pano dourado do Assento Perigoso começou a brilhar, e as letras mágicas mudaram. Agora diziam: "Este é o assento de Sir Galahad."
Todos ficaram sem fôlego. Seria possível?
— Sente-se, meu filho — disse Arthur, com a voz trêmula.
Galahad, sem medo, aproximou-se do Assento Perigoso. Todos prenderam a respiração, pois, se ele não fosse o escolhido, morreria ali mesmo. Galahad se sentou. E nada aconteceu: ele estava vivo, e o Assento Perigoso o havia aceitado.
Um brilho dourado envolveu Galahad, e uma música celestial encheu o salão, embora não houvesse músico algum. Todos souberam, então, que aquele era o cavaleiro que encontraria o Santo Graal.
Mas as maravilhas daquele dia não terminaram ali. Enquanto celebravam, um servo entrou correndo.
— Majestade! Uma grande pedra está flutuando no rio, e há uma espada cravada nela!
Todos correram para ver. Era verdade: uma grande pedra de mármore vermelho boiava na água, desafiando as leis da natureza, e nela estava cravada uma espada magnífica, de cabo de ouro e rubis. Na pedra havia uma inscrição: "Somente o melhor cavaleiro do mundo poderá puxar esta espada — e esse é o cavaleiro que completará a busca do Santo Graal."
Todos os cavaleiros presentes tentaram puxar a espada, e nenhum conseguiu. Nem mesmo Lancelot, o maior de todos. Então Galahad se aproximou, pousou a mão no cabo e puxou. A espada saiu com facilidade, como se estivesse esperando por ele.
— A Espada do Graal — murmurou Merlin, que havia aparecido misteriosamente. — Agora todos os sinais estão completos. Galahad, sua jornada começa.
Na manhã seguinte, Galahad partiu em busca do Santo Graal. Ele não foi sozinho: Percival e outro cavaleiro de coração limpo, chamado Sir Bors, o acompanharam. Eram os três cavaleiros mais puros de toda a Távola Redonda.
Viajaram juntos por muitas terras. Enfrentaram dragões e demônios, e resistiram a tentações terríveis, quando espíritos malignos disfarçados de anjos tentaram desviá-los do caminho. Mas os três permaneceram firmes.
Um dia, chegaram a uma floresta escura e assustadora. No centro dela erguia-se um castelo em ruínas: o Castelo Carbonek, onde vivia o Rei Pescador.
— É aqui — disse Percival, com lágrimas nos olhos. — Foi aqui que vi o Graal pela primeira vez e deixei de fazer a pergunta certa.
— Você não falhou, Percival — disse Galahad com doçura. — Sua jornada foi necessária, e ela o preparou para este momento. Agora, juntos, completaremos a busca.
Os três cavaleiros entraram no castelo.
O Rei Pescador estava deitado em sua cama, ainda sofrendo com a ferida que nunca sarava. Quando viu Galahad, seus olhos brilharam.
— Finalmente — sussurrou o velho rei. — Finalmente o cavaleiro escolhido chegou.
Naquela noite, houve uma grande ceia no castelo. E então a procissão começou, exatamente como Percival havia visto anos antes. Primeiro veio um jovem carregando a lança que sangrava. Depois, uma donzela com a bandeja de prata. E, por fim, o Santo Graal.
Desta vez, porém, o Graal não estava coberto. Ele brilhava com uma luz celestial, mais clara que mil sóis, mas que não machucava os olhos. O cálice era de ouro puro, cravejado de pedras que não pareciam deste mundo.
A luz do Graal encheu o salão, e todos os que a viram sentiram uma paz perfeita, um amor perfeito, uma alegria perfeita. A ferida do Rei Pescador sarou naquele instante. O velho rei se levantou, curado, e chorou de alegria.
Galahad se aproximou do Graal e caiu de joelhos, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Santo Graal — disse ele, com a voz trêmula —, toda a minha vida foi uma preparação para este momento. Permita que eu beba de você.
Uma voz veio do Graal, suave como música e poderosa como trovão:
— Galahad, cavaleiro fiel, você pode beber. Mas saiba: quem bebe do Graal vê a glória de Deus, e, depois de vê-la, nada neste mundo poderá satisfazê-lo. Ainda assim deseja beber?
— Sim! — disse Galahad, sem hesitar. — Prefiro ver a face de Deus uma vez a viver mil anos sem vê-la.
Galahad bebeu do Santo Graal. E o que ele viu, nenhum mortal pode descrever. Viu anjos, viu o céu, viu mistérios que não podem ser ditos, e seu rosto brilhou com uma luz que não era deste mundo. Percival e Bors também beberam, mas apenas um pequeno gole. Viram maravilhas — não tantas quanto Galahad.
Depois de beber, Galahad se voltou para os companheiros. Seu rosto estava diferente — glorioso, luminoso, quase não parecia mais humano.
— Meus irmãos — disse ele, com voz serena —, a busca está completa. Vi o que vim ver. Agora... agora devo partir.
— Partir? Para onde? — perguntou Percival.
— Para casa — sorriu Galahad, olhando para o alto. — Minha verdadeira casa.
Ele se deitou no chão, diante do Graal, com os braços abertos em cruz. E então algo milagroso aconteceu. Anjos desceram do céu, e uma luz branca e gloriosa envolveu Galahad. Quando a luz se desfez, Galahad havia partido. Seu corpo permanecia ali, com uma expressão de paz perfeita, mas sua alma tinha voado para o céu.
E o Santo Graal também subiu. Entre cânticos de anjos, o cálice se elevou, cada vez mais alto, até desaparecer no céu. O Graal deixou este mundo e voltou para junto de Deus, aguardando o dia em que outro coração perfeito surgisse.
Percival e Bors enterraram o corpo de Galahad com todas as honras. Ficaram no Castelo Carbonek por algum tempo, servindo o Rei Pescador, agora curado e feliz. Percival decidiu permanecer ali para sempre, tornando-se um ermitão que rezava todos os dias. Bors, porém, retornou a Camelot para contar a história.
Quando Bors chegou e contou tudo, houve alegria e tristeza ao mesmo tempo. Alegria, porque a busca havia sido completada. Tristeza, porque Galahad havia partido e o Graal também.
— O maior cavaleiro que já viveu — disse Arthur, com lágrimas —, e nós o tivemos conosco por apenas um dia. Mas que dia glorioso foi aquele.
A Távola Redonda nunca mais foi a mesma. Dos cento e cinquenta cavaleiros que partiram em busca do Graal, apenas vinte e dois retornaram. A grande aventura estava terminada. Mas a história de Galahad e do Santo Graal nunca seria esquecida: era contada e recontada, de geração em geração, convidando cada um a buscar pureza, bondade e fé.
E quanto ao Santo Graal? Dizem que ele ainda existe, em algum lugar entre o céu e a terra. Aguardando, quieto, o próximo coração puro que ouse buscá-lo.
Lições do Santo Graal



