De todos os cavaleiros que já se sentaram à Távola Redonda, nenhum foi mais famoso, mais corajoso ou mais habilidoso do que Sir Lancelot du Lac, Lancelot do Lago. Mas a história dele começa de um jeito extraordinário, muito antes de ele chegar a Camelot.
Quando Lancelot era apenas um bebê, seu pai, o Rei Ban, foi atacado por inimigos. O castelo foi destruído, e o rei morreu de coração partido. A mãe de Lancelot fugiu com o bebê nos braços, e quando parou junto a um lago para descansar, aconteceu algo incrível. A Dama do Lago, aquela mesma que havia dado Excalibur a Arthur, surgiu das águas. Ela viu o bebê e soube que ele tinha um destino especial.
— Deixe-me criá-lo — disse a Dama. — Eu o ensinarei a ser o maior cavaleiro que o mundo já viu.
E assim a Dama do Lago levou o pequeno Lancelot para seu reino mágico sob as águas. Por isso ele seria conhecido como Lancelot du Lac, Lancelot do Lago.
No reino da Dama do Lago, Lancelot cresceu como nenhuma criança comum. Foi treinado pelos melhores mestres em todas as artes da cavalaria: aprendeu a lutar com espada, lança, machado e escudo, a montar com perfeição, e também cortesia, honra e respeito. Aprendeu a ler, a escrever e a conhecer as estrelas. E, acima de tudo, aprendeu que um verdadeiro cavaleiro usa a sua força para proteger os fracos e defender a justiça.
Lancelot era diferente dos outros meninos. Crescia forte, rápido e habilidoso, e seu coração era puro e nobre. A Dama do Lago sorria, sabendo que seus ensinamentos haviam formado um cavaleiro perfeito.
Quando Lancelot completou dezoito anos, a Dama do Lago lhe disse:
— Meu filho, chegou a sua hora. Você deve ir para Camelot e servir o Rei Arthur. Lá encontrará o seu verdadeiro destino.
Ela lhe deu uma armadura branca como prata, um escudo branco e um cavalo branco. Lancelot parecia um cavaleiro saído dos sonhos.
Lancelot chegou a Camelot numa manhã de primavera. Cavalgou até as portas do castelo e pediu para ver o Rei Arthur, que recebeu o jovem desconhecido.
— Quem é você, cavaleiro de armadura branca?
— Meu nome é Lancelot, filho do Rei Ban. Fui criado pela Dama do Lago. Venho pedir para me juntar aos Cavaleiros da Távola Redonda.
Arthur estudou o jovem. Havia algo especial nele, uma nobreza, uma pureza que brilhava em seus olhos.
— Para ser um cavaleiro da Távola Redonda, você deve provar o seu valor — disse Arthur. — Está disposto a ser testado?
— Estou, meu rei — respondeu Lancelot, sem hesitar.
O teste foi marcado: Lancelot teria de enfrentar três dos melhores cavaleiros de Camelot, um de cada vez.
Primeiro veio Sir Kay, irmão adotivo de Arthur e guerreiro experiente. A luta foi dura, com choque de lanças e tilintar de espadas, mas Lancelot era extraordinariamente habilidoso e, com um movimento rápido, derrubou Kay do cavalo. Depois veio Sir Gawain, sobrinho de Arthur e um dos cavaleiros mais fortes. Todos pensaram que Gawain venceria com certeza o jovem desconhecido, mas Lancelot lutou com tanta graça e força que, depois de longa batalha, Gawain também foi derrubado. Por último veio Sir Bedivere, o amigo mais antigo de Arthur, experiente e sábio. Nem mesmo ele conseguiu derrotar o jovem Lancelot.
Arthur ficou de pé, maravilhado.
— Nunca vi ninguém lutar assim. Você não é apenas habilidoso, é extraordinário. Sir Lancelot, eu o convido a se juntar à Távola Redonda.
E assim Lancelot du Lac tornou-se cavaleiro da Távola Redonda, com o lugar de honra à direita do rei.
Nos anos seguintes, Lancelot se tornou uma lenda viva, e suas aventuras eram contadas em toda a Inglaterra. Uma vez, salvou a Lady Elaine de um castelo cercado por chamas mágicas que nenhum cavaleiro conseguia atravessar; Lancelot, corajoso e determinado, cavalgou direto através do fogo e resgatou a donzela. Outra vez, enfrentou o terrível Sir Turquine, um cavaleiro malvado que havia capturado sessenta cavaleiros da Távola Redonda e os mantinha prisioneiros. Lancelot o desafiou em combate singular; a batalha durou horas, mas no fim ele venceu e libertou todos os prisioneiros.
Ele derrotou dragões em florestas escuras, salvou aldeias de bandidos e defendeu os fracos contra os poderosos. Lutou em incontáveis torneios, e nunca foi derrotado.
Mas Lancelot não era apenas o melhor guerreiro; era também o mais cortês e gentil dos cavaleiros. Quando encontrava uma donzela em perigo, inclinava-se com respeito antes de ajudá-la. Quando derrotava um inimigo, oferecia misericórdia em vez de vingança. Quando via uma injustiça, por menor que fosse, ele a combatia. E era absolutamente leal ao Rei Arthur e à Távola Redonda.
Uma história famosa conta como Lancelot salvou a própria Rainha Guinevere de ser queimada injustamente por uma falsa acusação. Ele lutou contra muitos cavaleiros para provar a inocência dela, porque sabia que a verdade e a justiça valiam mais do que qualquer coisa.
Os outros cavaleiros admiravam Lancelot sem sentir inveja. Ele era tão nobre e tão bondoso que era impossível não gostar dele.
Certa vez, um cavaleiro jovem e arrogante veio a Camelot se vangloriando:
— Ouvi dizer que Sir Lancelot é o melhor cavaleiro. Pois eu o desafio! Vou provar que ele não é tão grande assim.
Lancelot poderia tê-lo derrotado com facilidade. Em vez disso, sorriu com gentileza.
— Jovem cavaleiro, você tem coragem, e isso é admirável. Mas ser um grande cavaleiro não é só vencer batalhas. É saber por que você luta.
— E por que você luta? — perguntou o jovem, confuso.
— Eu luto para proteger os fracos — explicou Lancelot. — Luto pela justiça. Luto porque dei minha palavra ao Rei Arthur de defender o que é certo. Minha força não vem só dos meus braços; vem do meu propósito.
O jovem cavaleiro baixou a cabeça, envergonhado.
— Você tem razão, Sir Lancelot. Eu lutava apenas pela minha própria glória. Ensine-me a ser um verdadeiro cavaleiro.
E Lancelot aceitou ser seu mestre, porque um verdadeiro cavaleiro sempre ajuda os outros a se tornarem melhores.
A amizade entre Lancelot e Arthur era profunda e verdadeira. Arthur via em Lancelot não apenas o seu melhor cavaleiro, mas um irmão.
— Lancelot — disse-lhe Arthur certa vez —, de todos os cavaleiros da Távola Redonda, você é aquele em quem mais confio. Você representa tudo o que Camelot deve ser: coragem, honra, lealdade e bondade.
Lancelot ajoelhou-se diante do rei.
— Meu senhor Arthur, tudo o que sou, devo a Camelot. Servir a você e defender os ideais da Távola Redonda é a minha maior honra.
E Lancelot cumpriu esse juramento fielmente. Em inúmeras batalhas lutou ao lado de Arthur, e quando o rei estava em perigo, Lancelot estava sempre lá para protegê-lo.
Durante a busca do Santo Graal, a relíquia mais sagrada da cristandade, Lancelot também partiu e enfrentou muitos testes e provações. Mas ali aprendeu uma lição difícil: mesmo sendo o melhor cavaleiro em combate, ele não era perfeito. Tinha falhas, como qualquer ser humano. E por isso não foi ele quem encontrou o Graal, mas Sir Galahad, um cavaleiro de pureza ainda maior.
Lancelot ficou triste, mas também humilde.
— Aprendi — disse ele — que ser um grande guerreiro não basta. Um cavaleiro deve buscar também a perfeição da alma.
Essa humildade o tornou ainda mais admirável, porque ele reconhecia que sempre havia espaço para crescer.
Os anos passaram, e Lancelot continuou sendo o campeão de Camelot. Vencia em todo torneio, triunfava em toda batalha, mostrava-se heroico em toda aventura. Sua fama se espalhou por toda a cristandade: cavaleiros de terras distantes vinham só para vê-lo lutar, donzelas cantavam canções sobre suas façanhas, e as crianças brincavam de ser Sir Lancelot, o invencível.
Mas, apesar de toda a glória, Lancelot permaneceu humilde e bondoso. Nunca esqueceu os ensinamentos da Dama do Lago: usar a força para proteger, não para oprimir; ser gentil com os fracos, misericordioso com os vencidos e leal aos que servem ao bem.
Sir Lancelot du Lac, criado pela magia, forjado pela honra e guiado pela lealdade, ficou para sempre na memória como o maior cavaleiro que já viveu.
Reflexão



