Merlin, o Mago de Camelot
Medieval & Lendário

Merlin, o Mago de Camelot

por Lendas Arturianas

Idades 10-12
14 min de leitura

Temas Maduros

Esta história contém temas mais complexos, como manipulação e traição. É mais adequada para leitores mais velhos, que já conseguem pensar sobre dilemas difíceis.

Muito antes de Arthur se tornar rei, muito antes da Távola Redonda, havia um mago. O maior mago que já viveu. Seu nome era Merlin, e sem ele a história de Camelot nunca teria acontecido. Mas quem era Merlin? De onde vieram os seus poderes? E qual foi o seu destino? Esta é a história dele.

O nascimento de Merlin foi cercado de mistério. Sua mãe era uma princesa pura e santa, mas seu pai, contam as lendas, era um espírito das sombras, um ser de outro mundo. Quando Merlin nasceu, os sábios do reino ficaram preocupados, dizendo que uma criança com aquele sangue teria poderes terríveis e poderia fazer muito mal.

A mãe de Merlin, porém, levou o menino à igreja e o batizou. E aconteceu uma coisa maravilhosa: o bebê recebeu não o mal, mas o bem. Seus poderes seriam imensos, sim, mas ele os usaria para ajudar, e não para destruir. Desde muito pequeno, Merlin já era diferente de todos. Podia ver o futuro e o passado, entendia a linguagem dos animais e das plantas, e fazia uma magia que ninguém mais no mundo conseguia fazer.

Quando Merlin tinha apenas sete anos, aconteceu algo que provou os seus dons extraordinários. O rei daquelas terras, Vortigern, tentava construir uma torre, mas toda vez que os muros subiam, desmoronavam durante a noite. Os magos do rei disseram que, para a torre ficar de pé, seria preciso sacrificar uma criança sem pai e derramar seu sangue nas fundações.

Procuraram por todo o reino e encontraram Merlin, que não tinha pai humano. Os soldados o levaram até o rei. Mas Merlin, mesmo sendo criança, não teve medo. Ele riu e disse:

— Os seus magos são tolos. O problema não é falta de sangue. Há dois dragões lutando debaixo da terra, e é por isso que a torre cai.

— Impossível — disseram os magos.

— Então cavem e vejam — respondeu Merlin.

O rei mandou cavar. E lá embaixo, bem no fundo, encontraram exatamente o que Merlin havia dito: uma caverna subterrânea onde dois dragões enormes, um vermelho e um branco, lutavam sem descanso.

O rei Vortigern ficou tão impressionado que poupou a vida de Merlin e o fez conselheiro real. Mas Merlin tinha outras visões.

— A sua torre nunca ficará de pé, Vortigern — disse ele. — Pois o seu reino cairá. Dois irmãos virão das terras de além-mar, e um deles, Uther, vencerá você e governará estas terras.

E assim aconteceu. Vortigern foi derrotado, Uther se tornou o rei Uther Pendragon, e Merlin passou a ser o seu conselheiro mais próximo.

Anos depois, Uther se apaixonou por Igraine, a mais bela dama da Bretanha, que era casada com outro senhor. Uther pediu ajuda a Merlin, e o mago usou sua magia para dar a Uther, por uma noite, a aparência do marido de Igraine. Dessa união nasceu um menino: Arthur.

Merlin sabia que muitos perigos cercavam o bebê.

— Entregue-me a criança — disse ele a Uther. — Eu a criarei em segredo. Quando chegar o tempo certo, esse menino será o maior rei que a Bretanha já viu.

Merlin entregou Arthur a um cavaleiro bondoso chamado Sir Ector, que o criou junto com o próprio filho, Kay. Arthur cresceu sem saber que era príncipe. Enquanto isso, Merlin preparava tudo para o futuro: com magia poderosa, fincou uma espada numa bigorna sobre uma pedra, diante da grande catedral de Londres, com a promessa gravada em letras douradas de que só o verdadeiro rei da Bretanha poderia tirá-la dali.

Quando Arthur tinha quinze anos, Uther morreu, e o reino mergulhou no caos, com os nobres brigando entre si para decidir quem seria rei. Todos os nobres tentaram puxar a espada, e todos falharam. Mas então Arthur, que estava ali apenas como escudeiro de Kay, tocou a espada, e ela saiu com facilidade.

Muitos nobres ficaram furiosos. Um menino, um desconhecido, rei da Bretanha? Mas Merlin se apresentou diante de todos e proclamou:

— Este não é um desconhecido. Este é Arthur Pendragon, filho de Uther, o legítimo rei!

E assim Arthur se tornou rei, com Merlin ao seu lado como conselheiro.

Os anos que se seguiram foram gloriosos. Merlin aconselhou Arthur em tudo. Foi ele quem sugeriu a Távola Redonda, foi ele quem ajudou Arthur a vencer batalhas que pareciam impossíveis, e foi ele quem guiou o jovem rei no caminho da sabedoria e da justiça.

Merlin podia mudar de aparência, surgindo às vezes como velho sábio, às vezes como jovem cavaleiro. Podia chamar a neve e a chuva quando era preciso, conversava com os animais e enxergava acontecimentos a léguas de distância. Mas o seu maior poder era a visão do futuro: ele sabia o que ia acontecer antes de acontecer. E isso incluía a sua própria queda.

— Arthur — disse Merlin um dia, com tristeza —, em breve vou deixar você. O meu destino se aproxima.

— O quê? — Arthur ficou horrorizado. — Não diga isso. Eu preciso de você, Merlin. Use a sua magia para evitar esse destino.

— Não posso — suspirou Merlin. — Conheço o meu destino. Verei cada passo que me leva até ele, tentarei evitá-lo, e ainda assim caminharei para ele por vontade própria. Pois o futuro não pode ser mudado, apenas compreendido.

E então ela apareceu. Nimue.

Era jovem e bela, de cabelos negros como a noite e olhos verdes como esmeraldas. Era também estudante de magia, talentosa, mas ainda aprendiz. Nimue procurou Merlin e disse, com voz doce como mel:

— Mestre, ensine-me a sua magia. Serei sua aluna devotada.

Merlin sabia que devia recusar. Ele podia ver o futuro e sabia exatamente o que Nimue planejava. Mas o coração do velho mago se afeiçoou a ela, e o amor, descobriu Merlin, era mais forte que a sabedoria.

— Está bem — disse ele. — Eu ensinarei você.

Dia após dia, Merlin ensinava a Nimue os seus segredos, e ela aprendia depressa, depressa demais. A cada feitiço, o poder dela crescia. Nimue fingia afeto pelo mestre, dizendo o quanto ele era sábio, o quanto era poderoso, o quanto ela lhe queria bem. Mas, no fundo do coração, Nimue não queria bem a Merlin. Queria apenas o poder dele.

Um dia, Merlin e Nimue caminhavam por uma floresta antiga e chegaram a uma caverna escondida, ou, segundo outras histórias, a uma árvore oca gigantesca.

— Mestre — disse Nimue —, ouvi dizer que existe um feitiço capaz de aprisionar alguém para sempre. É verdade? Pode me ensinar?

Merlin hesitou. Aquele era o momento que ele tinha visto tantas vezes. Sabia que, se ensinasse aquele feitiço, Nimue o usaria contra ele, e ele ficaria preso para sempre. Mas olhou para o rosto dela, para os olhos verdes que suplicavam, e o coração venceu.

— Sim — disse ele, calmamente. — Eu ensino.

E ensinou, palavra por palavra, gesto por gesto, o feitiço de aprisionamento mais poderoso que existia. Quando terminou, Nimue sorriu, e não era um sorriso de gratidão, mas de triunfo.

— Obrigada, mestre — disse ela. — Agora, durma!

E lançou sobre Merlin o feitiço que ele mesmo acabara de ensinar. Ondas de magia envolveram o velho mago, e ele caiu devagar no chão. Não estava morto. Dormia um sono encantado do qual nunca mais acordaria.

Nimue usou mais magia para selar Merlin dentro da caverna, ou dentro da árvore, conforme conta cada versão. Pedras enormes fecharam a entrada, raízes encantadas o envolveram, e ele ficou ali, adormecido, sonhando com um futuro que não veria. Nimue levou o cajado de Merlin e os seus livros de feitiços e partiu. Tornou-se poderosa, e algumas histórias dizem que foi ela quem se tornou a Dama do Lago. Mas nunca foi tão sábia quanto Merlin, pois poder sem sabedoria é coisa perigosa.

Arthur procurou por Merlin durante anos e nunca o encontrou. Camelot seguiu em frente, mas, sem a sabedoria do mago, as coisas devagar começaram a desmoronar.

Dizem que Merlin ainda está lá, na caverna encantada, dormindo o seu sono mágico. Alguns afirmam que ele ainda sonha, que os seus sonhos moldam o mundo e que a sua magia protege a Bretanha de longe. E dizem também que, num tempo de grande necessidade, quando a Bretanha precisar dele mais uma vez, Merlin acordará.

Mas por que Merlin, que podia ver o futuro, permitiu que tudo isso acontecesse? Talvez porque, como ele mesmo disse a Arthur, o futuro não pode ser mudado. Talvez porque escolheu o amor no lugar da certeza. Ou talvez Merlin soubesse que, para Arthur se tornar verdadeiramente grande, precisava ficar sozinho, tomar as próprias decisões, cometer os próprios erros e aprender as próprias lições. Um sábio conselheiro pode guiar um rei, mas é enfrentando desafios sozinho que um rei se torna lendário.

E Arthur se tornou lendário. Em parte por causa de Merlin, e em parte apesar de Merlin.

Às vezes, caminhantes que atravessam certas florestas antigas contam que ouvem uma voz, antiga, sábia e gentil, murmurando no vento. Será Merlin, sonhando na sua prisão encantada? E quando acontecem coisas belas e inexplicáveis, quando uma coincidência impossível salva o dia, quando a sabedoria surge de onde ninguém esperava, será a magia de Merlin ainda agindo no mundo?

Ninguém sabe ao certo. Mas uma coisa é verdade: o maior mago que já viveu deixou no mundo uma marca que não se apaga. Sua sabedoria vive em cada bom conselho, sua magia vive em cada momento de assombro, e seu espírito vive em todos os que escolhem usar os próprios dons para ajudar os outros, e nunca para feri-los.

❤️ ✝️ ❤️

Reflexão

Merlin era o mais poderoso dos magos, mas sua verdadeira força estava na sabedoria e na bondade com que usava os seus dons. Nimue tomou o poder dele, mas não a sabedoria, e poder sem sabedoria não constrói nada que dure. O que ensinamos e o bem que fazemos aos outros são o legado que nenhum feitiço consegue apagar.

📖 Histórias Similares

Morgana le Fay, a Feiticeira

Morgana le Fay, a Feiticeira

13 min de leitura

Meio-irmã de Arthur, aluna de Merlin, guardiã da magia antiga. Morgana le Fay foi aliada e inimiga de Camelot, e a sua história pergunta algo difícil: será que alguém é só bom ou só mau?

Ler história→
A Busca do Santo Graal - Parte 2: Sir Galahad

A Busca do Santo Graal - Parte 2: Sir Galahad

12 min de leitura

Chega a Camelot um jovem cavaleiro de coração puríssimo: Sir Galahad, filho de Lancelot. Só ele pode sentar-se no Assento Perigoso, e é a ele que cabe completar, ao lado de Percival e Bors, a busca do Santo Graal.

Ler história→
A Queda de Camelot - Parte 1: A Traição de Mordred

A Queda de Camelot - Parte 1: A Traição de Mordred

14 min de leitura

Depois de vinte anos de paz, Camelot vive sua época mais gloriosa. Mas segredos crescem no castelo, e a ambição de Mordred espera em silêncio o momento de agir. Assim começa a lenta e triste queda do reino mais belo que já existiu.

Ler história→