Noé, sua família e todos os animais estavam seguros dentro da arca. A porta havia sido fechada pela mão do próprio Deus. Lá fora, as pessoas continuavam suas vidas normalmente, sem acreditar que algo fosse acontecer.
Passaram-se sete dias desde que a porta da arca foi fechada. O céu continuava azul e claro, e as pessoas riam ainda mais de Noé, dizendo que nada ia acontecer. Mas Deus havia dito a verdade. No sétimo dia, tudo mudou.
No ano seiscentos da vida de Noé, no segundo mês, aos dezessete dias do mês, romperam-se todas as fontes do grande abismo e abriram-se as comportas do céu. A chuva caiu sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites.
No começo, as pessoas não se preocuparam. Achavam que era só uma chuva forte. Mas a chuva não parava. Caía cada vez mais intensa, diferente de qualquer chuva que já tivessem visto: descia do céu e brotava da própria terra. As ruas alagaram, as casas ficaram inundadas, os rios transbordaram. A água subia e subia, sem parar.
Então as pessoas tiveram medo. Correram para a arca e bateram na porta, chamando por Noé, pedindo para entrar. Mas a porta havia sido fechada por Deus, e era tarde demais. Durante anos Noé havia avisado, e ninguém quis ouvir.
As águas foram crescendo e levantaram a arca, que se ergueu sobre a terra e começou a flutuar. As águas cresceram tanto que cobriram todas as altas montanhas que existem debaixo do céu, e ainda subiram quinze côvados acima delas.
Pereceu todo ser vivo que se movia sobre a terra: as aves, os animais domésticos, as feras, tudo o que rastejava, e também todos os homens. Tudo o que tinha sopro de vida e vivia em terra seca morreu. Só ficou Noé, e os que estavam com ele na arca.
As águas cobriram a terra durante cento e cinquenta dias.
Dentro da arca, Noé e sua família estavam seguros e secos. Os animais permaneciam calmos, como se Deus mesmo os acalmasse. Não havia brigas entre caçadores e caças; era como se um pedacinho do paraíso estivesse ali dentro.
Todos os dias, Noé e os filhos cuidavam dos animais, dando-lhes comida e água. As esposas ajudavam a preparar as refeições e a manter tudo em ordem. Era muito trabalho, mas todos estavam gratos por estarem vivos.
Lá fora, ouvia-se apenas o som da chuva batendo no teto e das ondas balançando a arca. Não havia mais vozes humanas, nem os sons das cidades. Apenas silêncio e água. Noé olhava pela janela e via água em todas as direções, sem nenhuma terra à vista. Mas ele não tinha medo, porque sabia que Deus estava no comando.
Deus lembrou-se de Noé e de todos os animais que estavam com ele na arca. Fez soprar um vento sobre a terra, e as águas começaram a baixar. Fecharam-se as fontes do abismo e as comportas do céu, e a chuva parou. As águas foram se retirando de sobre a terra, indo e vindo, e ao fim de cento e cinquenta dias tinham diminuído.
No sétimo mês, no dia dezessete, a arca repousou sobre as montanhas de Ararate.
As águas continuaram a baixar até o décimo mês, quando apareceram os cumes das montanhas. Noé sentiu quando a arca tocou terra firme. Depois de meses flutuando, finalmente estavam parados. Mas ainda havia água por toda parte. Quando seria seguro sair?
Ao fim de quarenta dias, Noé abriu a janela que tinha feito na arca e soltou um corvo, que saiu, indo e voltando, enquanto as águas secavam sobre a terra.
Depois soltou uma pomba, para ver se as águas já tinham baixado. A pomba, porém, não achou lugar onde pousar, porque a água ainda cobria toda a superfície da terra, e voltou para a arca. Noé estendeu a mão, tomou-a e recolheu-a consigo.
Esperou mais sete dias e soltou a pomba de novo. À tardinha, ela voltou trazendo no bico um ramo verde de oliveira. Noé entendeu que as águas tinham baixado sobre a terra, e seu coração se encheu de uma alegria quieta. Havia vida lá fora. As plantas estavam crescendo de novo.
Esperou ainda outros sete dias e soltou a pomba, que dessa vez não voltou mais.
No ano seiscentos e um, no primeiro dia do primeiro mês, as águas tinham secado sobre a terra. Noé retirou a cobertura da arca e viu que a superfície da terra estava enxuta. No segundo mês, no dia vinte e sete, a terra estava seca.
Então Deus falou a Noé:
Noé saiu da arca com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos. Todos os animais, todos os répteis e todas as aves saíram também, cada um segundo a sua espécie.
Que alegria sair depois de tanto tempo. Respirar o ar fresco, sentir o sol no rosto, pisar em terra firme. Os animais correram, saltaram e voaram, felizes por estarem livres. A terra estava limpa, lavada, pronta para um novo começo.
Noé levantou um altar ao Senhor; tomou de todos os animais puros e de todas as aves puras e ofereceu sacrifícios sobre o altar. O Senhor aspirou o suave perfume e disse consigo:
Deus abençoou Noé e seus filhos, e disse a eles:
— Cresçam e multipliquem-se, e encham a terra.
Deus disse ainda a Noé e a seus filhos:
E Deus disse:
Deus explicou que, quando as nuvens se juntassem sobre a terra e o arco aparecesse nelas, Ele se lembraria da sua aliança com os homens e com todos os seres vivos, e as águas nunca mais se espalhariam para destruir a vida.
Noé e sua família olharam para o céu e viram aquela maravilha: cores brilhantes arqueando o céu, do roxo ao vermelho, passando pelo azul, pelo verde, pelo amarelo e pelo laranja. Era o primeiro arco-íris, e era a promessa de Deus de que nunca mais destruiria a terra com um dilúvio.
Até hoje, cada vez que um arco-íris aparece, podemos lembrar da promessa que Deus fez a Noé e a toda a humanidade. Deus é fiel ao que promete.
Reflexão



