Jesus sabia que Seu tempo na terra estava chegando ao fim. Ele havia vindo para uma missão: salvar a humanidade do pecado. E agora chegava o momento de completá-la.
Na noite antes de morrer, Jesus estava com Seus discípulos, celebrando a Páscoa judaica. Foi nessa noite que Ele instituiu algo novo e maravilhoso: a Eucaristia.
Jesus tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e deu aos discípulos, dizendo:
Depois tomou o cálice de vinho e disse:
Jesus estava dizendo que Seu corpo seria entregue e Seu sangue derramado. Ele ia morrer por nós.
Depois da ceia, Jesus foi com os discípulos ao Jardim do Getsêmani para orar. Ele sabia o que estava para acontecer, e sentia uma angústia profunda. Orou ao Pai:
Jesus não queria sofrer. Ele era humano e sentia medo e angústia como nós. Mas escolheu obedecer ao Pai, custasse o que custasse. A angústia era tão grande que Seu suor se tornou como gotas de sangue caindo no chão. Os discípulos, cansados, dormiam, e Jesus orava sozinho na noite.
Enquanto Jesus ainda orava, chegou Judas Iscariotes, um dos doze discípulos, trazendo uma multidão com espadas e paus. Judas havia traído Jesus por trinta moedas de prata e combinado um sinal com os soldados: aquele a quem ele beijasse, esse deveriam prender.
Judas se aproximou de Jesus, disse "Salve, Mestre" e O beijou. Um beijo de traição.
— Judas — disse Jesus —, com um beijo você entrega o Filho do Homem?
Então prenderam Jesus. Pedro tentou defendê-Lo com uma espada, mas Jesus o mandou guardá-la. Ele não queria violência; entregava-se por vontade própria.
Levaram Jesus primeiro a Anás, depois a Caifás, o sumo sacerdote, onde O acusaram falsamente.
— Você é o Cristo, o Filho de Deus? — perguntou Caifás.
— Eu sou — respondeu Jesus.
Caifás rasgou as próprias vestes e gritou que aquilo era blasfêmia. Condenaram Jesus à morte por dizer a verdade: que Ele era o Filho de Deus. Cuspiram nEle, bateram nEle, zombaram dEle. O Filho de Deus foi humilhado e maltratado, e suportou tudo em silêncio.
Enquanto isso, no pátio, Pedro, que havia jurado nunca abandonar Jesus, negou conhecê-Lo três vezes, com medo. Quando percebeu o que havia feito, saiu e chorou amargamente.
De manhã, levaram Jesus a Pilatos, o governador romano, porque só os romanos podiam condenar alguém à morte.
Pilatos interrogou Jesus e não encontrou crime nenhum. Disse à multidão que não achava nEle culpa alguma. Mas os líderes religiosos incitaram o povo a gritar: "Crucifica-o!" Pilatos tentou soltar Jesus, mas a multidão não quis. Com medo de uma revolta, ele mandou açoitar Jesus e depois O entregou para ser crucificado.
Os soldados zombaram de Jesus. Vestiram nEle um manto vermelho, puseram em Sua cabeça uma coroa feita de espinhos e diziam, rindo: "Salve, rei dos judeus."
Fizeram Jesus carregar a própria cruz até um lugar chamado Gólgota, que significa "lugar da caveira". Enfraquecido, Jesus caiu sob o peso da cruz, e os soldados obrigaram um homem chamado Simão de Cirene a ajudá-Lo.
Mulheres de Jerusalém choravam por Ele. Jesus se voltou e disse:
— Filhas de Jerusalém, não chorem por mim. Chorem por vocês e por seus filhos.
Chegaram ao Gólgota, e ali crucificaram Jesus entre dois ladrões, um de cada lado. Enquanto O pregavam na cruz, Ele orou:
Mesmo sofrendo, Jesus orava pelos que O machucavam. Que amor extraordinário.
Na cruz, colocaram acima da cabeça de Jesus uma placa: "Jesus Nazareno, Rei dos Judeus". As pessoas que passavam zombavam, dizendo que Ele havia salvado os outros e não podia salvar a Si mesmo.
Um dos ladrões também zombou, mas o outro defendeu Jesus e pediu, com humildade:
— Senhor, lembre-se de mim quando estiver no seu Reino.
Jesus respondeu:
Mesmo na cruz, Jesus continuava salvando.
Perto dali estavam Maria, a mãe de Jesus, e João, o discípulo amado. Jesus disse a Maria: "Mulher, eis aí o teu filho", e a João: "Eis aí a tua mãe". Até o fim, Ele cuidava de Sua mãe.
Do meio-dia até as três horas da tarde, houve escuridão sobre toda a terra, como se a própria natureza estivesse de luto. Perto das três horas, Jesus clamou em alta voz:
Eram as palavras de um salmo antigo, o Salmo 22. Jesus rezava no meio da dor, carregando sobre Si todo o peso dos nossos pecados.
Depois disse: "Tenho sede", e deram-Lhe vinagre. Então disse: "Está consumado". Sua missão estava completa. E, por fim, com voz forte, clamou:
E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. Jesus morreu.
Naquele momento, o véu do Templo, a cortina grossa que separava o lugar mais sagrado de todos, rasgou-se de alto a baixo. O caminho para Deus estava aberto para todos. A terra tremeu, e as rochas se partiram.
O centurião romano que guardava a cruz, vendo tudo aquilo, exclamou:
Um homem bom chamado José de Arimateia pediu a Pilatos o corpo de Jesus. Com Nicodemos, ele desceu Jesus da cruz, envolveu Seu corpo em lençóis de linho com perfumes e o colocou num sepulcro novo, cavado na rocha. Depois rolaram uma grande pedra na entrada.
Ali ficou o corpo de Jesus, em silêncio. Os discípulos estavam desolados. Seu Mestre estava morto, e todas as esperanças pareciam ter morrido com Ele.
Mas esta não era o fim da história.
A crucificação de Jesus é a história mais triste, mas também a mais importante. Jesus amou tanto o mundo que entregou a própria vida para nos salvar. Ele poderia ter descido da cruz, mas não desceu, porque nos amava demais para nos deixar perdidos.
Reflexão



