Davi, o grande rei de Israel, estava velho. Antes de morrer, chamou o seu filho Salomão e lhe disse:
Assim Salomão se tornou rei de Israel. Ele ainda era jovem, mas Deus tinha planos especiais para ele.
Uma noite, em Gabaon, o Senhor apareceu a Salomão em sonho e disse:
— Peça o que você quiser, e eu lhe darei.
Deus estava oferecendo a Salomão qualquer coisa que ele quisesse. Ele poderia ter pedido riquezas, uma vida longa, vitória sobre os inimigos. Mas Salomão respondeu com humildade:
Salomão não pediu riquezas nem poder. Pediu sabedoria para governar bem o povo de Deus, e essa resposta agradou ao Senhor, que lhe disse:
— Porque você pediu isso, e não pediu vida longa, nem riquezas, nem a morte dos seus inimigos, mas entendimento para discernir o que é justo, eu farei conforme as suas palavras. Eu lhe dou um coração tão sábio e inteligente que não houve ninguém igual a você antes, nem haverá depois. E lhe dou também o que você não pediu: riquezas e glória, de modo que não haverá rei semelhante a você em todos os seus dias.
Logo a sabedoria de Salomão seria posta à prova. Duas mulheres vieram até ele com um problema difícil. As duas moravam na mesma casa e tinham dado à luz com três dias de diferença. Durante a noite, uma delas, dormindo, deitou-se sem querer sobre o seu bebê, e ele morreu.
A primeira mulher contou ao rei:
— Meu senhor, eu e esta mulher moramos na mesma casa, e os nossos filhos nasceram com poucos dias de diferença. Durante a noite, o filho dela morreu, porque ela se deitou sobre ele. Então ela se levantou à meia-noite, tirou o meu filho do meu lado enquanto eu dormia e o deitou junto dela, e pôs o filho morto nos meus braços. Quando me levantei para amamentar, ele estava morto. Mas, quando olhei bem, de manhã, vi que não era o meu filho.
A outra mulher protestou:
— Não. O vivo é o meu filho, e o morto é o seu.
E assim discutiam diante do rei. Não havia testemunhas, não havia provas. Como Salomão poderia descobrir a verdade?
O rei repetiu devagar o que cada uma dizia. Depois ordenou:
— Tragam-me uma espada.
Trouxeram uma espada diante do rei, e Salomão disse:
— Dividam o menino vivo em dois, e deem metade a uma e metade à outra.
As pessoas ficaram sem ar. Mas Salomão sabia o que estava fazendo: estava provando o coração das duas mulheres. A mãe do menino vivo sentiu o coração apertar de aflição pelo filho e gritou:
— Ah, meu senhor, dê o menino vivo a ela, mas não o mate!
A outra disse:
— Não será nem meu nem seu. Dividam.
Então o rei respondeu:
A verdadeira mãe preferia perder o filho a vê-lo morrer. Todo o Israel ouviu falar do julgamento do rei e sentiu grande respeito por ele, pois viu que a sabedoria de Deus estava nele para fazer justiça.
Salomão governou Israel em tempo de paz, e o reino se tornou rico e forte. Mas ele guardava um grande sonho: construir um templo para o Senhor. Davi, seu pai, quisera construí-lo, mas Deus dissera que não seria ele, e sim o seu filho. No quarto ano do seu reinado, Salomão começou a construir o templo do Senhor em Jerusalém, no monte Moriá.
Era uma construção magnífica. O templo tinha trinta metros de comprimento, dez de largura e quinze de altura. As pedras chegavam já cortadas na medida certa, de modo que, durante a obra, não se ouvia martelo, nem machado, nem ferramenta alguma de ferro.
Por dentro, tudo era revestido de cedro e cipreste, e coberto de ouro puro. O Santo dos Santos, onde ficaria a Arca da Aliança, era todo recoberto de ouro. Salomão mandou fazer dois querubins de madeira de oliveira, cada um com cinco metros de altura, cobertos de ouro, que ficavam no Santo dos Santos com as asas estendidas sobre a Arca.
Foram sete anos de trabalho, com milhares de trabalhadores, as melhores madeiras do Líbano e muito ouro e bronze. Era o edifício mais esplêndido que Israel já tinha visto.
Quando o templo ficou pronto, Salomão reuniu em Jerusalém todos os anciãos de Israel e os chefes das tribos para trazer a Arca da Aliança do Senhor. Os sacerdotes levaram a Arca para o seu lugar, no Santo dos Santos, sob as asas dos querubins.
Quando os sacerdotes saíram, uma nuvem encheu o templo do Senhor, e eles não conseguiam ficar ali para servir, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor enchia toda a casa. A presença de Deus estava ali — o mesmo Deus que havia guiado Israel pelo deserto numa coluna de nuvem agora enchia o seu templo.
Salomão se pôs diante do altar do Senhor, na presença de toda a assembleia de Israel, estendeu as mãos para o céu e orou:
Foi uma oração longa e bonita. Salomão pediu que Deus ouvisse todas as orações feitas naquele templo — pedidos de perdão, orações em tempo de guerra, e até as orações dos estrangeiros que viessem de longe para conhecer o Deus de Israel. Quando terminou, levantou-se de diante do altar, onde estivera de joelhos com as mãos estendidas para o céu, e abençoou toda a assembleia.
Depois, Salomão e todo o Israel ofereceram sacrifícios ao Senhor, em número tão grande que ninguém conseguia contar direito: milhares de bois e ovelhas. Celebraram a festa durante sete dias, e então Salomão despediu o povo, que abençoou o rei e voltou para as suas tendas, alegre e de coração contente por todo o bem que o Senhor havia feito.
A fama de Salomão se espalhou por todas as nações, e reis de toda a terra vinham ouvir a sua sabedoria. A rainha de Sabá viajou de muito longe só para conhecê-lo, e ficou maravilhada com o que viu. Israel nunca havia sido tão glorioso: a sabedoria do rei, a paz no reino, o templo esplêndido — tudo mostrava as bênçãos de Deus sobre o seu povo. E tudo começara com um jovem rei que, podendo pedir qualquer coisa, pediu um coração sábio.
Reflexão



