A Távola Redonda
Medieval & Lendário

A Távola Redonda

por Lendas Arturianas

Idades 7-9
9 min de leitura

O Rei Arthur havia trazido paz à Inglaterra com Excalibur e com a sua sabedoria. Camelot era agora a capital mais esplêndida do reino, um castelo magnífico erguido nas colinas verdes. Mas Arthur estava sozinho, e um rei precisa de uma rainha ao seu lado.

Merlin veio falar com ele.

— Chegou a hora de você se casar, Arthur. Um bom rei precisa de uma boa rainha.

Arthur já conhecia alguém especial: Lady Guinevere, filha do rei Leodegrance. Ela era bela, inteligente e bondosa, e Arthur a amava.

— Quero me casar com Guinevere — disse Arthur a Merlin.

Merlin ficou em silêncio por um momento. Ele via o futuro e sabia que aquele casamento traria alegria, mas também tristeza. Sabia, porém, que algumas coisas são destino.

— Então que seja — disse Merlin, por fim. — Guinevere será uma rainha digna de Camelot.

O rei Leodegrance ficou honrado com o pedido.

— É uma alegria dar minha filha ao maior rei da Inglaterra. E tenho um presente especial para vocês.

Ele levou Arthur até um grande salão. Ali estava algo extraordinário: uma mesa enorme, perfeitamente redonda, feita da mais bela madeira, tão grande que poderia acomodar cento e cinquenta cavaleiros.

— Esta é a Távola Redonda — disse Leodegrance. — Foi feita por Merlin, há muitos anos, para o seu pai, Uther Pendragon. Agora ela é sua. E com ela envio também cem bons cavaleiros meus, os melhores da minha casa, para se sentarem ao seu redor e servirem ao seu reino.

Arthur ficou maravilhado e quis saber por que a mesa era redonda. Merlin explicou:

— Numa mesa comum, há uma cabeceira onde se senta o mais importante, e todos os outros ficam abaixo dele. Numa mesa redonda, não há cabeceira. Todos os lugares são iguais.

— Compreendo — disse Arthur, com os olhos brilhando. — Numa mesa redonda, todos os cavaleiros são iguais. Não importa se são ricos ou pobres, nobres ou humildes. O que importa é o seu valor de cavaleiro.

Arthur e Guinevere se casaram numa linda cerimônia em Camelot. Foi um dia de grande alegria: os músicos tocaram, houve festa nos salões e o reino inteiro celebrou.

Depois do casamento, Arthur tomou uma decisão. Fundaria uma ordem de cavaleiros, reunindo os mais corajosos e nobres de toda a terra, para se sentarem com ele à Távola Redonda e jurarem proteger os fracos e defender a justiça. Enviou mensageiros por toda a Inglaterra e além, proclamando que o Rei Arthur convocava os cavaleiros de coração nobre a Camelot, onde jurariam proteger os fracos, defender a justiça e dizer sempre a verdade.

Cavaleiros vieram de muitos cantos para servir ao jovem rei. Entre os primeiros a se sentar à Távola estavam Sir Kay, o irmão de criação de Arthur, Sir Bedivere, amigo fiel desde o início, e Sir Gawain, sobrinho do rei, leal e valente. Junto deles sentaram-se os cem bons cavaleiros enviados por Leodegrance. E muitos lugares ainda esperavam por cavaleiros que estavam por chegar, pois os anos trariam a Camelot heróis de terras distantes, cada um com a sua própria história.

Cada cavaleiro passava por provas de coragem, de força e de caráter. Arthur queria apenas os melhores, não os mais ricos ou os mais bem-nascidos, mas aqueles de coração verdadeiramente nobre.

No grande salão de Camelot, a Távola Redonda foi colocada, e cada lugar recebeu o nome de um cavaleiro gravado em letras de ouro. Mas um assento permaneceu vazio: o Assento Perigoso.

— Por que aquele assento está vazio? — perguntaram os cavaleiros.

— Esse é o Assento Perigoso — explicou Merlin. — Só o cavaleiro mais puro e perfeito poderá sentar-se ali, e qualquer outro que tentar encontrará a própria ruína. Um dia, o cavaleiro certo chegará.

E um dia, dizem as lendas, ele chegaria mesmo. Mas essa é outra história.

Os cavaleiros se reuniram ao redor da Távola Redonda, e Arthur ficou de pé no meio do salão.

— Cavaleiros — disse ele, com voz firme —, vocês foram escolhidos não por nascimento nem por riqueza, mas por seu caráter, sua coragem e seu coração nobre.

Arthur continuou:

— Nesta mesa redonda, somos todos iguais. Rei e cavaleiro, rico e pobre, nobre e humilde: aqui somos irmãos, unidos por um mesmo propósito.

Então Arthur deu aos seus cavaleiros o juramento da Távola Redonda, tal como contam as histórias antigas. Cada cavaleiro prometia nunca lutar numa causa injusta, nem por raiva, nem por recompensa. Prometia ter misericórdia de quem a pedisse. Prometia proteger os fracos e indefesos, socorrer as mulheres, as viúvas e os órfãos, e jamais fazer mal a quem não podia se defender. E todos os anos, na festa de Pentecostes, os cavaleiros voltavam a Camelot e renovavam esse juramento, para nunca o esquecerem.

Cada cavaleiro se ajoelhou diante de Arthur, pôs as mãos sobre a espada e jurou:

— Juro, pela minha honra e pela minha vida, ter misericórdia de quem pedir misericórdia, proteger os fracos, lutar somente em causas justas e ser leal à Távola Redonda e ao Rei Arthur.

Arthur tocou com a espada o ombro de cada um, aceitando o juramento. Quando todos haviam jurado, ele disse:

— Agora somos uma irmandade: os Cavaleiros da Távola Redonda. Unidos, traremos justiça e paz para toda a terra.

Os cavaleiros ergueram as espadas e gritaram:

— Pela Távola Redonda! Por Camelot! Por Arthur!

Daquele dia em diante, os Cavaleiros da Távola Redonda partiram em aventuras por toda a terra. Salvaram donzelas em perigo, derrotaram cavaleiros maus, protegeram aldeias dos bandidos, enfrentaram dragões e monstros, e defenderam os fracos contra os poderosos. Sempre que alguém precisava de ajuda, um cavaleiro da Távola Redonda aparecia.

O nome de Camelot se espalhou, e as pessoas diziam que era o lugar mais nobre da terra, onde o Rei Arthur e seus cavaleiros defendiam o que é certo. A Távola Redonda se tornou um símbolo de igualdade, de justiça e de honra, e Camelot, um lugar de esperança, onde os sonhos de um mundo melhor podiam se tornar realidade.

Esses foram os dias dourados de Camelot, quando Arthur, Guinevere e os cavaleiros da Távola Redonda faziam da Inglaterra um lugar de justiça, honra e esperança.

❤️ ✝️ ❤️

Reflexão

A Távola Redonda nos ensina que a verdadeira nobreza vem do caráter, e não do berço. Quando há igualdade, respeito e um propósito comum, pessoas muito diferentes conseguem realizar grandes coisas juntas.

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