Depois do grande dilúvio, os filhos de Noé e seus descendentes se multiplicaram sobre a terra. Naquele tempo, toda a terra tinha uma só língua e as mesmas palavras.
Os homens partiram do oriente e encontraram uma planície na terra de Senaar, e ali se estabeleceram. Eles se compreendiam perfeitamente uns aos outros, pois todos falavam a mesma língua.
Um dia, os homens disseram uns aos outros:
— Vamos fazer tijolos e cozê-los no fogo.
Serviram-se de tijolos em vez de pedras, e de betume em lugar de cimento. Os homens eram inteligentes e habilidosos, e haviam aprendido a fazer tijolos fortes e duráveis. Mas então surgiu, entre eles, uma ideia cheia de orgulho. Disseram:
Eles queriam ser famosos. Queriam fazer algo tão grande que todos se lembrassem deles, e mostrar ao mundo como eram poderosos. Em seu orgulho, queriam ser como Deus, alcançando o céu pelas próprias forças. Esqueceram-se de que toda a sua força e inteligência vinham de Deus, e de serem humildes e gratos. Pensavam apenas na própria glória.
E assim começaram a construir. Dia após dia, a torre crescia, cada vez mais alta, cada vez mais imponente. Os homens trabalhavam unidos, todos com o mesmo objetivo: faziam milhares de tijolos, carregavam cargas pesadas, subiam e desciam sem parar. E, enquanto a torre subia, o orgulho deles subia junto.
— Vejam como somos poderosos — diziam. — Nada é impossível para nós. Vamos chegar ao céu.
Eles pensavam que podiam fazer tudo sem Deus, que não precisavam d'Ele. Todo aquele esforço era para a glória deles mesmos, e não para a glória de Deus.
O Senhor desceu para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens construíam. E o Senhor disse:
Deus viu que o coração dos homens estava cheio de orgulho. Eles não estavam unidos para o bem, mas para se levantar contra Deus. Se continuassem assim, o orgulho só cresceria, e eles se afastariam cada vez mais d'Ele.
Deus, em Sua sabedoria, decidiu intervir. Não por crueldade, mas por misericórdia: Ele queria evitar que os homens se perdessem de vez no próprio orgulho.
De repente, algo extraordinário aconteceu. Os homens que trabalhavam na torre começaram a falar línguas diferentes. Um dizia uma coisa, e o outro já não entendia. As palavras, que antes eram claras, viraram sons estranhos.
— O que foi que você disse? — perguntava um.
— Eu não entendo você — respondia o outro.
— Por que você está falando desse jeito tão esquisito? — estranhava um terceiro.
Cada um falava agora uma língua diferente, e ninguém mais se entendia.
A confusão foi completa. Como continuar construindo, se não conseguiam se comunicar? Como trabalhar juntos, sem entender as instruções uns dos outros? A construção parou, e a grande torre ficou inacabada, apontando para o céu.
Assim o Senhor os dispersou dali sobre a face de toda a terra, e eles pararam de construir a cidade. Por isso ela recebeu o nome de Babel, porque ali o Senhor confundiu a linguagem de todos os habitantes da terra, e dali os espalhou pelo mundo.
Os grupos que falavam a mesma língua foram se juntando, e cada grupo partiu para uma direção diferente. Alguns foram para o norte, outros para o sul; alguns para o leste, outros para o oeste. Cada grupo formou o seu próprio povo, com a sua própria língua e os seus costumes. Foi assim que surgiram as diferentes línguas e nações do mundo.
A torre ficou abandonada, sem terminar, lembrando a todos que o orgulho humano não alcança o céu. Só Deus está no céu, e só Ele é digno de toda glória.
Reflexão



