As Aparições de Fátima - Parte 1: A Senhora Mais Brilhante que o Sol
Santos

As Aparições de Fátima - Parte 1: A Senhora Mais Brilhante que o Sol

por Vida de Santo

Idades 10-12
14 min de leitura

Era o ano de 1917, e a Europa vivia os dias escuros da Primeira Guerra Mundial. Milhões de pessoas morriam nos campos de batalha, e em quase todas as casas havia uma família com saudade de alguém. O mundo inteiro parecia coberto de sombras. Mas em Portugal, num vilarejo pequeno e pobre chamado Fátima, algo extraordinário estava prestes a acontecer — algo que mudaria o mundo.

Fátima era um lugar humilde, de casas simples de pedra, campos secos e poucas árvores. As famílias viviam de pastorear ovelhas e de plantar o que a terra dava. Ali moravam três crianças que cuidavam do rebanho: Lúcia dos Santos, de dez anos, e seus primos Francisco e Jacinta Marto, de nove e sete anos. Elas não sabiam, mas estavam prestes a se tornar testemunhas do maior acontecimento mariano do século vinte.

Lúcia, Francisco e Jacinta
Lúcia, Francisco e Jacinta eram crianças pastoras simples.

Em 1916, um ano antes das grandes aparições, algo incomum aconteceu. As três crianças cuidavam das ovelhas quando viram uma luz muito clara vindo na direção delas. De dentro da luz surgiu a figura de um jovem que parecia feito de claridade.

— Não tenham medo — disse ele. — Eu sou o Anjo da Paz.

As crianças ficaram paradas de espanto, sem conseguir dizer uma palavra. O anjo então lhes ensinou uma oração: "Meu Deus, eu creio, adoro, espero e Vos amo." Ele apareceu três vezes naquele ano, preparando as crianças para algo maior que ainda viria. Na última visita, deu-lhes a Comunhão e pediu que oferecessem orações e sacrifícios ao Altíssimo.

As crianças não contaram nada a ninguém. Guardaram aquilo no coração, como um segredo. Mas alguma coisa mudou nelas: ficaram mais quietas, mais sérias, mais amigas de rezar. Estavam sendo preparadas.

O Anjo de Portugal aparecendo
Em 1916, um anjo apareceu para preparar as crianças.

Chegou então o ano de 1917. Era 13 de maio, um domingo. Lúcia, Francisco e Jacinta estavam na Cova da Iria, um vale entre colinas onde costumavam pastorear as ovelhas. Era meio-dia, e o céu estava claro e azul. De repente, viram um relâmpago.

— Trovão! — gritou Jacinta. — Vamos para casa antes que a chuva chegue.

Mas não havia uma única nuvem no céu. Que coisa estranha. Começaram a descer a encosta com as ovelhas quando um segundo relâmpago brilhou. E então aconteceu algo que elas nunca mais esqueceriam.

Sobre uma pequena azinheira, uma árvore baixa de folhas miúdas, havia uma luz muito brilhante. E dentro da luz estava uma Senhora. Era a mulher mais linda que as crianças já tinham visto. Estava vestida toda de branco, e seu rosto brilhava como o sol — mas era um brilho suave, que não machucava os olhos. Trazia um rosário branco nas mãos, e seu olhar era ao mesmo tempo doce e triste. As três ficaram tão espantadas que não conseguiam se mover.

A Senhora sorriu com doçura e falou:

— Não tenham medo. Eu não lhes farei mal.

Nossa Senhora aparecendo sobre a azinheira
Nossa Senhora apareceu sobre uma pequena azinheira.

Lúcia, que era a mais velha, criou coragem e perguntou, ainda tremendo:

— De onde a Senhora vem?

— Venho do Céu — respondeu ela.

— E o que a Senhora quer de mim?

A resposta foi surpreendente:

— Vim pedir que venham aqui durante seis meses seguidos, no dia 13, a esta mesma hora. Depois lhes direi quem sou e o que quero. E voltarei aqui ainda uma sétima vez.

As crianças mal podiam acreditar no que ouviam. A Senhora do Céu queria vê-las de novo.

Então a Senhora fez uma pergunta muito séria:

— Querem oferecer-se a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-lhes, em reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e como súplica pela conversão dos pecadores?

— Sim, queremos — respondeu Lúcia, por todos.

— Então vão sofrer muito — disse a Senhora com carinho. — Mas a graça de Deus será o conforto de vocês.

Ao dizer essas palavras, a Senhora abriu as mãos, e delas saiu uma luz imensa, que entrou no coração das três crianças. Elas se sentiram como que mergulhadas em Deus, envolvidas por um amor tão grande que não sabiam explicar. Sem combinar nada entre si, caíram de joelhos e repetiam baixinho: "Santíssima Trindade, eu Vos adoro."

Luz de Nossa Senhora penetrando as crianças
Uma luz poderosa de graça penetrou os corações das crianças.

Antes de partir, a Senhora fez ainda outro pedido:

— Rezem o terço todos os dias, para alcançar a paz para o mundo e o fim da guerra.

Depois começou a se elevar devagar, movendo-se na direção do leste, até que a luz ao seu redor desapareceu no céu. As crianças ficaram um longo tempo em silêncio, sem conseguir falar nem se mexer.

Foi Lúcia quem sussurrou primeiro:

— Ela era tão linda...

Jacinta chorava de alegria:

— Ai, Lúcia, Nossa Senhora é tão bonita! Tão bonita!

E Francisco, que podia ver a Senhora mas não ouvia a sua voz, perguntava sem parar:

— O que ela disse? O que ela disse?

As crianças voltaram para casa diferentes. No caminho, Lúcia pediu aos primos:

— Não vamos contar a ninguém. É o nosso segredo.

Mas Jacinta, com seus sete anos, estava com o coração tão cheio que não conseguiu guardar nada. Mal chegou em casa, contou tudo à mãe: tinham visto uma Senhora do Céu na Cova da Iria, toda branca e brilhante, e ela ia voltar. A mãe não acreditou. Achou que era fantasia de criança que passa o dia no campo. Em pouco tempo, porém, o vilarejo inteiro sabia da história, e muita gente ria das crianças e zombava delas.

Pessoas zombando das crianças
Muitos adultos zombavam e não acreditavam nas crianças.

A mãe de Lúcia, Maria Rosa, ficou muito brava. Tinha certeza de que a filha estava mentindo e envergonhando a família, e chegou a castigá-la para que negasse tudo. Lúcia chorava, mas repetia sempre a mesma coisa: era verdade, ela tinha visto Nossa Senhora. O padre da paróquia também tinha dúvidas, e avisou que aquilo podia até ser um engano do demônio.

Mas as crianças sabiam o que tinham visto, e nada no mundo as fazia negar. Os pais de Francisco e Jacinta, por sua vez, observavam os filhos em silêncio. Viam que estavam mudados, mais sérios, mais dados à oração, e começavam a pensar que talvez fosse verdade.

Adultos questionando as crianças
Muitos adultos, incluindo padres, duvidavam das crianças.

Enquanto isso, as crianças esperavam com o coração aos pulos o dia 13 de junho. Faziam sacrifícios, como a Senhora tinha pedido: davam a merenda aos pobres e ficavam com fome, deixavam de beber água nos dias de calor.

— Fazemos isso pelos pecadores — explicava Jacinta.

Francisco passava horas quieto na igreja, fazendo companhia a Jesus no sacrário, porque queria consolá-lo. Lúcia rezava o terço enquanto cuidava das ovelhas. Os três estavam transformados pelo encontro com o Céu.

Enfim chegou o dia 13 de junho. Umas cinquenta pessoas curiosas acompanharam as crianças até a Cova da Iria, para ver se acontecia mesmo alguma coisa. Ao meio-dia, as três viram de novo o clarão, e Nossa Senhora apareceu sobre a azinheira.

— Ela está ali — disse Jacinta, apontando.

As pessoas olhavam e não viam nada. Ou quase nada: alguns notaram uma pequena nuvem pousada sobre a árvore, outros ouviram um zumbido leve, como de abelhas. Mas a Senhora, só as três crianças viam e ouviam. Nossa Senhora conversou de novo com elas. Pediu mais oração, mais sacrifícios, e falou de algo misterioso sobre os Corações de Jesus e de Maria.

Segunda aparição com espectadores
Na segunda aparição, 50 pessoas vieram, mas só as crianças viram.

Em 13 de julho aconteceu a terceira aparição, e dessa vez vieram cerca de cinco mil pessoas, porque a notícia tinha corrido por toda a região. Nossa Senhora apareceu outra vez e confiou às crianças algo grave e importante: o segredo de Fátima, em três partes.

Na primeira parte, as crianças tiveram uma visão do inferno e viram o sofrimento das almas que se afastam de Deus. Foi tão assustador que Jacinta passou dias abalada, chorando.

— Lúcia — dizia ela —, tantas almas se perdem. Precisamos rezar e fazer sacrifícios por elas.

As outras partes do segredo falavam do futuro: guerras, perseguições e sofrimentos, mas também a promessa de que, no fim, o Coração Imaculado de Maria triunfaria. E Nossa Senhora anunciou que em outubro faria um grande milagre, para que todos pudessem acreditar.

Mas nem todos ficaram contentes com as aparições. O governo de Portugal, naquele tempo, era contrário à Igreja. O administrador da região de Ourém, um homem chamado Artur Santos, não acreditava em Deus e detestava aquela história toda. Em 13 de agosto, ele levou as três crianças à força e as trancou na cadeia, numa cela junto com os presos. Para arrancar delas o segredo, chegou a ameaçar ferver as três num tacho de óleo.

As crianças sentiram muito medo. Pensaram de verdade que iam morrer. Mesmo assim, não contaram nada.

— Pode nos matar — disse Lúcia, com a voz firme. — Mas o segredo nós não contamos.

Jacinta, com seus sete anos, tirou do bolso uma medalhinha de Nossa Senhora e começou a rezar o terço. Os presos, comovidos com aquela menina tão pequena, tiraram os chapéus e rezaram junto com ela.

Crianças na prisão
O administrador prendeu as crianças e as ameaçou.

Vencido por aquela fé, o administrador acabou soltando as crianças. Mas, por causa da prisão, elas não puderam estar na Cova da Iria no dia 13 de agosto. Nossa Senhora apareceu-lhes alguns dias depois, num lugar próximo chamado Valinhos, e mostrou tristeza porque não tinham podido ir no dia marcado.

Em 13 de setembro, já eram cerca de trinta mil pessoas na Cova da Iria. Dessa vez, muitos viram coisas estranhas: o sol ficou pálido, e dava para olhar para ele sem doer os olhos; do alto caía uma espécie de chuva de pétalas brancas, que desapareciam antes de tocar o chão; uma luz suave cobriu tudo.

— Milagre! — gritava o povo. — É um milagre.

Mas Nossa Senhora repetiu às crianças a promessa: o verdadeiro milagre viria em outubro.

— Em outubro farei um milagre, para que todos acreditem.

O palco estava montado para o acontecimento mais extraordinário de Fátima.

❤️ ✝️ ❤️

Reflexão

Nossa Senhora escolheu três crianças pobres e simples para entregar a sua mensagem ao mundo, porque Deus ama os humildes e faz coisas grandes por meio dos pequenos. O pedido dela continua valendo até hoje: rezar o terço todos os dias e confiar. Como uma boa mãe, ela veio porque nos ama e quer nos levar para perto de Deus.

📖 Histórias Similares

As Aparições de Fátima - Parte 2: O Milagre do Sol

As Aparições de Fátima - Parte 2: O Milagre do Sol

12 min de leitura

No dia 13 de outubro de 1917, setenta mil pessoas se reuniram na Cova da Iria, debaixo de chuva, para ver se a promessa das três crianças era verdadeira. O que aconteceu no céu naquele dia ficou conhecido como o Milagre do Sol.

Ler história→
São Maximiliano Kolbe - Parte 1: O Cavaleiro da Imaculada

São Maximiliano Kolbe - Parte 1: O Cavaleiro da Imaculada

13 min de leitura

Um menino polonês viu Nossa Senhora segurando duas coroas e escolheu as duas. Ele se tornou o Padre Maximiliano Kolbe, que espalhou a devoção a Maria pelo mundo usando revistas e rádio, até os dias sombrios da guerra.

Ler história→
As Aparições de Fátima - Parte 3: A Mensagem de Fátima

As Aparições de Fátima - Parte 3: A Mensagem de Fátima

11 min de leitura

Depois do Milagre do Sol, o mundo inteiro quis saber o que Nossa Senhora tinha contado às três crianças. Aos poucos, o segredo de Fátima foi revelado: um aviso sério, uma história que tocou até um Papa e uma promessa de esperança.

Ler história→