Depois da morte de Heitor, a guerra continuou.
Páris, aquele que havia começado tudo ao levar Helena, ainda vivia. E o destino lhe deu uma chance de vingança. Um dia, Aquiles lutava perto das portas de Troia. Páris, que era um arqueiro habilidoso, mirou com cuidado, e Apolo guiou a sua flecha. Ela voou por cima do campo de batalha e acertou Aquiles no calcanhar — o único ponto vulnerável do seu corpo.
Aquiles caiu. O maior guerreiro da Grécia, vencido por uma flecha no calcanhar. A profecia de Tétis se cumpriu: Aquiles ganhou a glória eterna, mas morreu jovem, diante de Troia.
Os gregos disputaram a armadura divina de Aquiles. Odisseu e Ájax a queriam, e os generais votaram: Odisseu venceu.
Ájax, humilhado, perdeu a razão de tanta raiva. Atacou um rebanho de ovelhas pensando serem soldados e, quando voltou a si e percebeu o que havia feito, morreu de vergonha e de dor. Assim, em pouco tempo, dois dos maiores heróis gregos se foram.
E Troia continuava de pé. Dez anos de guerra, e as muralhas construídas pelos deuses permaneciam invencíveis.
Os gregos estavam exaustos e só pensavam em voltar para casa. Diziam uns aos outros que aquelas muralhas jamais cairiam.
Foi então que Odisseu, o mais inteligente dos gregos, teve uma ideia.
— Não podemos vencer pela força — disse ele aos líderes reunidos. — Então venceremos pela astúcia. Construiremos um cavalo de madeira gigante, do tamanho de uma casa. Os nossos melhores guerreiros se esconderão dentro dele, e o resto do exército fingirá desistir e navegar para casa. Os troianos vão pensar que venceram e levarão o cavalo para dentro da cidade como troféu. E à noite... atacaremos de dentro.
Era um plano arriscado e audacioso. Mas podia funcionar.
O carpinteiro Epeu construiu o cavalo. Era enorme, todo de madeira, enfeitado para parecer uma oferenda aos deuses, com um espaço oco escondido na barriga.
Odisseu escolheu os melhores guerreiros: ele mesmo, Menelau, Diomedes, Neoptólemo, o filho de Aquiles, e outros — algumas dezenas de homens, nas versões mais antigas. Todos entraram no cavalo. O resto do exército embarcou e navegou para longe, escondendo a frota atrás da ilha de Tênedos.
Na praia, ficaram apenas duas coisas: o cavalo gigante de madeira e um único homem, um grego chamado Sínon.
Ao amanhecer, os troianos viram algo inacreditável: a frota grega havia partido, e a praia estava vazia.
— A guerra acabou! Vencemos!
Pela primeira vez em dez anos, os portões se abriram e o povo saiu. E lá estava o cavalo, imenso, com uma inscrição gravada: "Para Atena, uma oferenda dos gregos, por uma viagem segura para casa". Os troianos se olharam, sem saber o que fazer com aquilo.
Então encontraram Sínon, o grego deixado para trás. Ele implorou que não o matassem — e tudo aquilo fazia parte do plano de Odisseu.
— Por que os gregos abandonaram você? — perguntaram os troianos.
— Eles queriam me sacrificar aos deuses, para ter uma viagem segura — mentiu Sínon, com lágrimas bem ensaiadas. — Mas eu escapei. Eu os odeio.
— E o cavalo?
— É uma oferenda para Atena. Eles o fizeram grande de propósito, para que vocês não conseguissem levá-lo para dentro da cidade. Porque, se o cavalo entrar em Troia, a cidade ficará protegida pelos deuses para sempre.
Era exatamente o que os troianos queriam ouvir.
Mas nem todos acreditaram.
Laocoonte, um sacerdote troiano, abriu caminho entre a multidão.
— Troianos, não confiem nos gregos, nem quando trazem presentes! Isto é uma armadilha.
Ele atirou sua lança contra o cavalo. A ponta perfurou a madeira, e de dentro veio um som abafado, como de armas se chocando. Os troianos hesitaram.
Então algo terrível aconteceu. Duas serpentes marinhas gigantes emergiram do mar, enviadas pelos deuses que favoreciam os gregos. Deslizaram pela praia, passaram por todos os outros e foram direto para Laocoonte e seus dois filhos.
As serpentes se enrolaram nos três e apertaram. Laocoonte lutou com todas as forças para salvar os filhos, mas as criaturas eram divinas, e não havia como vencê-las. Pai e filhos morreram ali, diante de todos.
Os troianos entenderam aquilo como um sinal: Laocoonte teria blasfemado contra a oferenda sagrada, e os deuses o haviam punido. O cavalo, pensaram, era mesmo sagrado.
Mas havia mais alguém que sabia a verdade: Cassandra, filha do rei Príamo. Apolo lhe dera o dom da profecia; quando ela recusou o amor do deus, ele acrescentou uma maldição — Cassandra veria o futuro, mas ninguém jamais acreditaria nela.
— Pai, troianos, é uma armadilha! — gritou Cassandra. — Há gregos dentro do cavalo. Queimem este cavalo, antes que seja tarde.
Ninguém acreditou. Acharam que ela estava louca.
Ignorando Cassandra, os troianos decidiram levar o cavalo para dentro. Mas ele era tão grande que não passava pelos portões. Então fizeram algo fatal: derrubaram um pedaço da própria muralha — a mesma muralha que os havia protegido por dez anos.
Com cordas, cantos e celebração, arrastaram o cavalo pelas ruas até a praça central, como um troféu de vitória. Naquela noite, Troia inteira festejou. Beberam vinho, dançaram, cantaram. A guerra havia acabado, pensavam. Finalmente podiam dormir em paz.
Tarde da noite, quando todos dormiam pesado, Sínon abriu uma portinhola escondida no cavalo. De dentro, Odisseu e os guerreiros desceram em silêncio.
Acenderam tochas — o sinal combinado. A frota grega, que esperava atrás da ilha, viu as luzes e navegou de volta a toda velocidade. Os guerreiros do cavalo correram até os portões de Troia e os abriram por dentro.
E o exército grego entrou.
Então começou o saque de Troia. Os gregos, endurecidos por dez anos de guerra, mostraram pouca misericórdia.
Incendiaram a cidade. Mataram os homens e escravizaram mulheres e crianças. O velho rei Príamo tentou lutar, mesmo sem forças, e foi morto por Neoptólemo junto ao altar dos deuses. O pequeno Astíanax, filho de Heitor e Andrômaca, foi lançado das muralhas, porque os gregos temiam que ele crescesse para vingar o pai. Andrômaca foi levada como escrava. E Hécuba, a rainha de Troia, viu todos os seus filhos morrerem.
Foi uma noite longa e escura, da qual os poetas falariam para sempre.
No meio da cidade em chamas, Menelau finalmente encontrou Helena — a mulher por quem a guerra havia começado, dez anos antes. Ele entrou com a espada em punho, decidido a matá-la.
Mas, quando a viu, ela continuava a mulher mais bela do mundo. Helena chorou e implorou perdão, dizendo que não fora culpa sua, que fora Afrodite, que fora magia divina. Menelau baixou a espada. Não conseguiu. Algumas versões dizem que foi fraqueza; outras, que o amor antigo despertou. Menelau levou Helena de volta para Esparta, e lá viveram juntos o resto da vida.
Ao amanhecer, Troia, a cidade orgulhosa que resistira por dez anos, estava em ruínas. As chamas consumiam os palácios, e o lamento dos sobreviventes ecoava entre as pedras.
A profecia antiga se cumprira: Páris causara a destruição de Troia — não com um exército, mas com uma escolha. Os gregos haviam vencido, mas a que custo? Tantos heróis mortos: Aquiles, Ájax, Pátroclo e muitos outros. E, para vários dos vencedores, a viagem de volta para casa seria ainda mais dura do que a guerra. A história de Odisseu, que levaria mais dez anos para rever sua ilha, é contada na Odisseia.
E assim terminou a Guerra de Troia. Uma guerra que começou com uma maçã dourada, três deusas vaidosas, um príncipe imprudente e um amor proibido — e terminou com uma cidade destruída, milhares de mortos e famílias desfeitas, mas também com histórias que ganharam vida eterna.
Homero transformou essa guerra em poesia, na Ilíada e na Odisseia, e há três mil anos o mundo a conta e reconta. Até hoje, quando alguém fala em "cavalo de Troia", todos entendem: é o presente bonito que esconde um perigo lá dentro.
Reflexão



