Hércules - Parte 2: Feras e Monstros
Épicos & Mitos Clássicos

Hércules - Parte 2: Feras e Monstros

por Mitologia Grega

Idades 10-12
13 min de leitura

Conteúdo Sensível

Esta história contém batalhas contra monstros com descrições de luta. A violência é apresentada no contexto de heroísmo contra criaturas perigosas, apropriado para leitores mais velhos.

Primeiro Trabalho: O Leão de Nemeia

Hércules chegou à região de Nemeia, e o que viu o deixou espantado. Vilas inteiras vazias, casas abandonadas, campos sem cultivo. Um velho lhe disse para fugir enquanto podia.

— O Leão devora qualquer um que encontra, estrangeiro. Nossas armas não servem de nada contra ele.

— Onde está a fera? — perguntou Hércules.

— Numa caverna, lá nas montanhas. Mas ninguém que sobe volta vivo.

Hércules subiu a montanha. E lá estava ele: o Leão de Nemeia, do tamanho de um touro, com garras compridas como espadas e dentes que brilhavam ao sol. Hércules atirou uma flecha, e a flecha ricocheteou na pele do leão como se tivesse batido em pedra. Atirou outra, e mais outra. Todas ricochetearam.

O leão rugiu e atacou. Hércules desviou no último segundo e pensou: se as armas não funcionavam, ele usaria as próprias mãos. Quando o leão investiu de novo, Hércules o agarrou pelo pescoço com sua força divina.

O leão se debatia, arranhava, mordia. Mas Hércules não soltava. Os minutos passaram, e aos poucos a fera foi ficando fraca, depois imóvel, até morrer. Hércules havia vencido o invencível com as próprias mãos.

Faltava um problema: como levar a prova de volta, se a pele era impenetrável e nem sua faca a cortava? Hércules então teve uma ideia. Usou as próprias garras do leão para cortar o couro, pois eram a única coisa afiada o bastante. Vestiu a pele como uma capa, e a cabeça do leão virou seu capacete. Daquele dia em diante, Hércules usaria sempre a pele do Leão de Nemeia, que o tornava quase invulnerável.

Segundo Trabalho: A Hidra de Lerna

Eurísteu ficou apavorado quando viu Hércules voltar vivo, ainda por cima vestindo uma pele que nenhuma arma atravessava.

— Seu próximo trabalho — gaguejou o rei — é matar a Hidra de Lerna.

A Hidra vivia num pântano venenoso. Era uma serpente gigantesca de nove cabeças, e cada cabeça cuspia veneno mortal. O pior era outra coisa: quando alguém cortava uma cabeça, duas nasciam no lugar.

Hércules levou seu sobrinho Iolau para ajudá-lo. Chegaram ao pântano de águas escuras e cheiro pesado.

— Tio, olhe! — gritou Iolau.

A Hidra emergiu da água, com as nove cabeças sibilando, as presas pingando veneno e olhos malignos em cada uma delas.

Hércules atacou com sua clava de madeira dura e cortou uma cabeça. Na mesma hora, duas novas cresceram no lugar. Cortou outra, e nasceram mais duas. Quanto mais ele lutava, mais cabeças a Hidra ganhava.

— Tio, assim não funciona — gritou Iolau. — E se queimarmos os pescoços antes que as cabeças cresçam?

— Brilhante! — respondeu Hércules.

Iolau acendeu tochas. A partir dali, cada vez que Hércules cortava uma cabeça, Iolau queimava o pescoço imediatamente, e o fogo fechava a ferida antes que algo novo pudesse nascer. Uma por uma, as cabeças foram caindo.

Restava a cabeça central, que era imortal e não podia ser morta. Hércules a cortou e a enterrou debaixo de uma rocha enorme. Depois, mergulhou suas flechas no sangue venenoso da Hidra. Daquele dia em diante, as flechas de Hércules se tornaram mortais: um único arranhão bastava.

Terceiro Trabalho: A Corça de Cerineia

— Capture a Corça de Cerineia — ordenou Eurísteu. — Viva, e sem feri-la.

Parecia uma missão simples, afinal uma corça é apenas uma cerva. Mas aquela não era uma corça comum. Tinha chifres de ouro e cascos de bronze, era consagrada à deusa Ártemis e corria mais depressa que qualquer flecha.

Hércules a perseguiu por colinas, vales e montanhas. Quando chegava perto, ela disparava ainda mais rápido. Passou um mês, passaram dois, três. Hércules perseguiu a corça por um ano inteiro, atravessando toda a Grécia até as terras distantes do norte.

No fim, exausto, fez o que não queria: atirou uma flecha. Mas sua pontaria era perfeita. A flecha atravessou as pernas da corça entre o osso e o tendão, prendendo-a sem tirar uma gota de sangue.

Quando Hércules segurou a corça, porém, a deusa Ártemis apareceu diante dele, furiosa.

— Você ousa tocar no meu animal sagrado?

— Deusa Ártemis — disse Hércules com respeito —, perdoe-me. Eurísteu me ordenou. Mas veja: não a feri. Nem uma gota de sangue.

Ártemis examinou a corça e viu que estava realmente ilesa.

— Muito bem — disse a deusa. — Você é habilidoso e respeitoso. Leve-a até Eurísteu, mas depois deixe que ela volte livre.

Hércules assim fez. Mostrou a corça ao rei, que quase desmaiou de medo dela, e depois a soltou nas montanhas. Naquele trabalho, Hércules aprendeu que a força não é tudo: paciência e respeito também vencem.

Quarto Trabalho: O Javali de Erimanto

— Capture o Javali de Erimanto — ordenou Eurísteu. — Vivo.

O javali era gigantesco, do tamanho de um touro, com presas capazes de atravessar um homem. Ele aterrorizava o Monte Erimanto e destruía as vilas ao redor.

Hércules subiu a montanha coberta de neve. Não podia simplesmente matar a fera: precisava trazê-la viva. Então armou um plano. Gritou e fez barulho até o javali sair correndo, e foi empurrando a caçada para onde a neve era mais funda. Lá, o javali atolou e não conseguiu mais se mexer. Hércules o amarrou com correntes fortes e o carregou nas costas, vivo e furioso, até Tirinto.

Quando Eurísteu viu Hércules chegando com o javali rosnando sobre os ombros, ficou tão apavorado que pulou dentro de um grande jarro de bronze e se escondeu lá dentro.

— Tire essa coisa daqui! — gritava o rei, com a voz abafada pelo metal.

Hércules riu. O covarde que lhe dava ordens impossíveis estava tremendo dentro de um jarro. Dali em diante, sempre que Hércules voltava de um trabalho, Eurísteu corria para o jarro e dava as ordens seguintes lá de dentro.

Quinto Trabalho: Os Pássaros do Estínfalo

— Livre o Lago Estínfalo dos pássaros assassinos — ordenou a voz de dentro do jarro.

Hércules viajou até o lago, e o que encontrou era de dar medo. Milhares de pássaros gigantes, de bico de bronze capaz de furar armaduras, cobriam as margens. Suas penas eram afiadas como facas, e eles as atiravam como flechas. Haviam transformado a região num pesadelo, devorando animais e pessoas. E eram tantos que, se Hércules fosse caçá-los um a um com o arco, levaria anos.

A deusa Atena apareceu para ajudar. Ela entregou a Hércules um par de castanholas mágicas, feitas pelo deus ferreiro Hefesto.

— Toque estes instrumentos — disse Atena. — O barulho assustará os pássaros.

Hércules sacudiu as castanholas, e o som metálico ecoou pelo vale inteiro. Era um barulho tão alto e tão estranho que os pássaros levantaram voo em pânico, subindo do lago em nuvens escuras. Enquanto voavam, Hércules disparou suas flechas envenenadas com o sangue da Hidra. Dezenas caíram, depois centenas. Os que sobreviveram fugiram para nunca mais voltar, e o povo do Estínfalo pôde viver em paz outra vez.

Sexto Trabalho: Os Estábulos de Áugias

Dentro do jarro, Eurísteu sorriu com malícia. O próximo trabalho seria diferente: sem glória, sem batalha, apenas humilhação.

— Limpe os estábulos do rei Áugias — ordenou. — Em um único dia.

Áugias era um rei riquíssimo, dono de três mil bois. Mas seus estábulos não eram limpos havia trinta anos. O esterco acumulado formava verdadeiras montanhas, o cheiro era insuportável e nuvens de moscas cobriam tudo.

— Limpar isso em um dia é impossível — riu Áugias quando Hércules chegou.

— Posso fazer — respondeu Hércules. — Mas, se eu conseguir, você me dará um décimo do seu gado.

— Negócio fechado — riu o rei, certo de que Hércules ia falhar.

Hércules não pegou pá nem vassoura. Em vez disso, usou a inteligência. Ele havia percebido que dois rios, o Alfeu e o Peneu, corriam perto dos estábulos. Com sua força divina, derrubou árvores, moveu rochas enormes e abriu canais, desviando os dois rios para dentro dos estábulos.

A força das duas correntes juntas atravessou tudo como uma enchente poderosa. Em poucas horas, a sujeira de trinta anos foi lavada para longe, e os estábulos ficaram completamente limpos. Hércules havia feito o impossível usando os músculos e o cérebro.

Mas Áugias se recusou a pagar o combinado, dizendo que quem limpara tudo tinham sido os rios, e que de qualquer forma Hércules só cumprira ordens de Eurísteu. Hércules ficou indignado, mas nada podia fazer naquele momento, pois ainda tinha trabalhos pela frente. Anos mais tarde, voltaria para cobrar essa dívida e conquistaria o reino de Áugias.

Eurísteu, por sua vez, se recusou a contar esse trabalho, alegando que Hércules o fizera por pagamento, e também não contou o da Hidra, porque houve a ajuda de Iolau. Assim, dois trabalhos "não valeram", e Hércules teria de cumprir outros no lugar. Ele não reclamou. Estava no caminho da redenção, e faria quantos trabalhos fossem necessários.

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Reflexão

Estas aventuras nos ensinam que, quando a força sozinha não basta, a criatividade encontra o caminho — e que até o herói mais forte precisa de ajuda de vez em quando. Hércules seguiu em frente mesmo quando seu esforço não foi reconhecido, porque fazia o que era certo, e não o que dava aplausos.

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