Hércules - Parte 3: Tarefas Impossíveis
Épicos & Mitos Clássicos

Hércules - Parte 3: Tarefas Impossíveis

por Mitologia Grega

Idades 10-12
14 min de leitura

Conteúdo Sensível

Esta história contém batalhas e uma jornada ao reino dos mortos. Os temas são apresentados no contexto de superação heroica, apropriados para leitores mais velhos.

Sétimo Trabalho: O Touro de Creta

— Capture o Touro de Creta — ordenou Eurísteu — e traga-o vivo.

Aquele não era um touro qualquer. Era o mesmo touro sagrado que Poseidon dera ao rei Minos, o touro ligado ao nascimento do Minotauro. Agora, enlouquecido, ele aterrorizava toda a ilha de Creta, soprando fogo, destruindo plantações e atacando as pessoas.

Hércules navegou até lá, e o rei Minos ficou feliz em vê-lo.

— Por favor, livre-nos dessa praga — implorou o rei.

Hércules encontrou o touro, imenso, de chifres enormes, soltando fogo pelas narinas. O animal investiu, Hércules desviou, e os dois lutaram por horas. Por fim, Hércules agarrou os chifres e, com sua força divina, domou a criatura, que ficou mansa em suas mãos. Depois, montado no touro, ele atravessou o próprio Mar Egeu, cavalgando sobre as ondas até a Grécia.

Eurísteu ficou apavorado com o animal e mandou soltá-lo. O touro vagou pela Grécia por anos, até ser vencido por outro herói, Teseu.

Oitavo Trabalho: As Éguas de Diomedes

— Roube as Éguas de Diomedes — ordenou Eurísteu — e traga-as para mim.

Diomedes era um rei cruel da Trácia, dono de quatro éguas selvagens com um hábito terrível: comiam carne humana. O rei alimentava os animais com viajantes desavisados, jogados vivos no estábulo.

Hércules chegou à Trácia com alguns companheiros, entre eles seu amigo Abdero. Durante a noite, invadiu o estábulo. As éguas eram ferozes, de olhos selvagens e dentes afiados, mas Hércules dominou as quatro pela força e as amarrou.

Mas Diomedes e seus soldados descobriram e atacaram. Enquanto lutava contra eles, Hércules deixou Abdero tomando conta das éguas. As cordas, porém, se soltaram, e os animais atacaram o pobre Abdero, que não sobreviveu.

Quando Hércules voltou e encontrou o corpo do amigo, sentiu uma fúria enorme. Capturou Diomedes e, numa justiça terrível, entregou o rei tirano às suas próprias éguas — o mesmo destino que ele dera a tantos inocentes. Por estranho que pareça, depois disso as éguas ficaram calmas e dóceis, e Hércules pôde levá-las a Eurísteu.

Antes de partir, Hércules fundou uma cidade no lugar onde o amigo caiu, e deu a ela o nome de Abdera, em memória de Abdero. Há amizades que merecem uma cidade inteira.

Nono Trabalho: O Cinto de Hipólita

— Traga-me o cinto mágico de Hipólita, rainha das Amazonas — ordenou Eurísteu, que queria dar o cinto de presente à filha.

As Amazonas eram guerreiras lendárias, uma sociedade inteira de mulheres fortes, treinadas para a luta desde crianças. Sua rainha, Hipólita, usava um cinto mágico, presente de Ares, o deus da guerra, símbolo do seu poder.

Hércules navegou até a terra das Amazonas com vários companheiros, entre eles Teseu. Quando chegaram, aconteceu algo surpreendente: Hipólita ficou impressionada com Hércules e o recebeu com honra.

— Herói Hércules — disse a rainha —, conheço suas histórias. Você venceu o leão invencível e a Hidra. Em reconhecimento à sua coragem, darei meu cinto de livre vontade.

Parecia fácil demais. E era. Lá do Olimpo, Hera viu tudo e não aceitou que Hércules tivesse sucesso sem sofrer. Disfarçada de guerreira amazona, ela desceu e espalhou um boato: Hércules teria vindo sequestrar a rainha, e tudo aquilo era uma armadilha.

As Amazonas acreditaram. Pegaram arcos, lanças e escudos e atacaram o navio de Hércules. Ele, por sua vez, pensou que Hipólita o havia traído, e na confusão da batalha lutou contra as guerreiras. Foi um combate feroz, e nele, tragicamente, Hipólita morreu.

Hércules levou o cinto, mas com o coração pesado. Não era assim que ele queria que terminasse. Mais uma vez, Hera havia transformado uma vitória em tristeza.

Décimo Trabalho: O Gado de Gerião

O trabalho seguinte levou Hércules aos confins do mundo: roubar o gado do gigante Gerião, uma criatura de três corpos, três cabeças e seis braços. Hércules o venceu e conduziu o gado através de toda a Europa, enfrentando bandidos e monstros pelo caminho.

Foi nessa jornada que ele ergueu os Pilares de Hércules, as montanhas que marcavam o fim do mundo conhecido — o lugar que hoje chamamos de Estreito de Gibraltar.

Décimo Primeiro Trabalho: As Maçãs de Ouro

— Para o seu penúltimo trabalho — disse Eurísteu —, traga-me as Maçãs Douradas das Hespérides.

Aquelas maçãs eram o presente de casamento que a deusa Gaia dera a Hera. Cresciam num jardim mágico no extremo oeste do mundo, guardadas pelas ninfas Hespérides e por Ladão, um dragão de cem cabeças. Nenhum mortal sabia onde ficava o jardim.

Hércules viajou perguntando a todos. Por fim, capturou o velho deus marinho Nereu, que mudava de forma para escapar, e o segurou até que revelasse o caminho. Quando chegou perto do jardim, encontrou Atlas, o Titã condenado a segurar o céu nos ombros para sempre.

— Atlas — disse Hércules —, você é pai das Hespérides. Pode pegar as maçãs para mim. Enquanto isso, eu seguro o céu no seu lugar.

Atlas concordou na hora: finalmente uma pausa no seu castigo eterno. Hércules se colocou embaixo, e Atlas passou a abóbada celeste para os ombros dele.

O peso era inimaginável. O céu inteiro, com as estrelas, as nuvens, o sol e a lua, tudo pressionando os ombros de Hércules. Mesmo com sua força divina, ele sentia as pernas tremerem.

Atlas foi ao jardim, venceu o dragão Ladão e colheu três maçãs douradas. Mas, quando voltou, teve uma ideia traiçoeira.

— Sabe, Hércules — disse ele, com um sorriso —, estou gostando de andar sem o céu nas costas. Acho que eu mesmo vou levar as maçãs a Eurísteu. Você pode ficar aí... para sempre.

Hércules pensou rápido. Não podia lutar: se soltasse o céu, tudo desabaria.

— Está bem, Atlas, você venceu — disse ele com calma. — Fico aqui para sempre. Só me faça um pequeno favor antes: preciso de uma almofada para os ombros. Segure o céu um instante enquanto eu me ajeito.

Atlas, que não era muito esperto, achou que um instante não faria diferença. Pegou o céu de volta. No mesmo momento, Hércules apanhou as maçãs e saiu correndo.

— Obrigado, Atlas! Você é muito gentil!

— Volte aqui! — rugiu o Titã.

Mas Hércules já estava longe. Daquela vez, o cérebro venceu a força.

Décimo Segundo Trabalho: Cérbero, o Cão do Inferno

Eurísteu estava desesperado. Hércules havia sobrevivido a tudo. Para o último trabalho, ele escolheu a tarefa mais impossível de todas.

— Desça ao Mundo dos Mortos, ao reino de Hades. E traga-me Cérbero, o cão de três cabeças que guarda os portões.

Era o mesmo que mandar Hércules morrer, pois nenhum vivo entrava no reino dos mortos e voltava. Mesmo assim, Hércules aceitou. Primeiro foi aos Mistérios de Elêusis, para ser purificado e aprender os segredos da morte. Depois viajou ao Cabo Tênaro, onde uma caverna descia para o mundo de baixo. E desceu, desceu, desceu.

O Mundo dos Mortos era um lugar cinzento e silencioso, cortado pelas águas negras do rio Estige. Caronte, o barqueiro dos mortos, ficou espantado ao ver um homem vivo.

— Você não pode passar. Só os mortos passam.

Hércules o encarou com um olhar tão firme que Caronte, tremendo, o levou para o outro lado. Hércules caminhou por campos de espíritos que suspiravam baixinho. Viu heróis que conhecera em vida, agora apenas sombras. Viu a sombra de Medusa, e viu Meleagro, que lhe falou de sua irmã Dejanira. Por fim, chegou ao palácio de Hades, o deus dos mortos, e de Perséfone, sua rainha.

— Hades — disse Hércules com respeito —, peço permissão para levar Cérbero ao mundo dos vivos.

Hades, impressionado com tamanha coragem, respondeu:

— Pode levá-lo... se conseguir dominá-lo sem nenhuma arma. Apenas com as mãos.

Hércules encontrou Cérbero, o cão gigante de três cabeças, cada uma com fileiras de dentes afiados, e uma cauda que era uma serpente viva. As três bocas rosnaram ao mesmo tempo. Protegido apenas pela pele do Leão de Nemeia, Hércules avançou. As cabeças mordiam, a cauda-serpente chicoteava, mas ele envolveu o pescoço do cão num abraço esmagador e não soltou mais.

Aos poucos, Cérbero entendeu que não podia vencer e se rendeu. Hércules havia dominado o guardião do Inferno com as mãos nuas.

— Impressionante — disse Hades. — Leve-o. Mas devolva-o depois.

Hércules carregou Cérbero, ainda rosnando, de volta ao mundo dos vivos. Quando saíram da caverna, a luz do sol atingiu o cão infernal, e das gotas de sua baba que caíram no chão nasceu o acônito, uma planta venenosa.

Em Tirinto, quando Eurísteu viu o cão do Inferno, desmaiou de medo dentro do seu jarro. Ao acordar, gritou lá de dentro:

— Está bem, está bem! Você completou todos os trabalhos! Leve essa coisa embora!

Hércules devolveu Cérbero a Hades, como havia prometido. E finalmente, depois de doze trabalhos impossíveis, ele estava livre. Sua dívida estava paga, e sua alma, purificada.

As aventuras de Hércules não terminaram ali. Ele viveu muitas outras, casou-se de novo, teve mais filhos, lutou em guerras e libertou o titã Prometeu, matando a águia que o atormentava. Mas, no fim da vida, foi envenenado por engano: sua esposa Dejanira foi enganada e, sem saber, lhe entregou uma túnica embebida em veneno.

Morrendo em grande dor, Hércules mandou erguer uma pira de madeira e subiu nela. As chamas consumiram seu corpo mortal. A parte divina dele, porém, o filho de Zeus, não podia morrer.

Zeus desceu dos céus em sua carruagem e levou Hércules para o Olimpo. Lá, ele se tornou um deus imortal, e a profecia do Oráculo se cumpriu. Até Hera, por fim, fez as pazes com ele, e lhe deu em casamento sua filha Hebe, a deusa da juventude.

Hércules, que começara a jornada carregando culpa e vergonha, terminou entre os deuses. Seu nome virou sinônimo de força, coragem e perseverança. Até hoje, quando alguém realiza uma tarefa enorme, dizemos: foi um trabalho de Hércules.

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Reflexão

A jornada de Hércules nos ensina que a redenção se constrói com trabalho paciente e perseverança, e que vencer de verdade exige força e sabedoria juntas. Quem transforma a própria dor em propósito deixa um legado que dura para sempre.

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