No dia 25 de maio de 1887, numa pequena vila italiana chamada Pietrelcina, nasceu um menino que os pais batizaram com o nome de Francesco Forgione. Mais tarde, o mundo inteiro o conheceria como Padre Pio. A família era muito pobre e muito católica. O papai, Grazio, trabalhava no campo, e a mamãe, Giuseppa, rezava muito. E Francesco, desde bem pequeno, mostrava que era diferente.

O Menino que Via Anjos
Desde pequenininho, Francesco via coisas que os outros não viam. Ele conversava com o seu anjo da guarda como quem conversa com um amigo.
— Mãe, meu anjo me disse que vai chover hoje — avisava ele.
E chovia.
— Papai, meu anjo me contou que você ia chegar agora.
E o pai chegava naquele momento. A família achava graça e pensava que era só imaginação de criança. Mas não era imaginação: Francesco realmente via e ouvia o seu anjo.
E não era só o anjo. Francesco também via Jesus e Nossa Senhora. Às vezes, no meio da brincadeira, ele parava e ficava olhando para um ponto onde ninguém enxergava nada.
— Francesco, o que você está vendo? — perguntavam.
— A Madonnina — respondia ele, sorrindo, que é como se diz Nossa Senhora em italiano.
— E o que ela diz?
— Que me ama. Que está comigo sempre.
Outras vezes via Jesus e conversava com Ele com toda a naturalidade. Para Francesco, aquilo era tão comum que ele pensava que todo mundo via a mesma coisa.

A Batalha Contra o Demônio
Mas Francesco também enfrentava, desde criança, algo assustador: o demônio o atacava. À noite, ouvia barulhos estranhos no quarto, vultos escuros apareciam, e vozes horríveis diziam que ele nunca seria santo e que era melhor desistir. Francesco sentia medo e às vezes chorava. Mas então rezava, chamava Jesus, chamava Maria, chamava o seu anjo. E eles vinham, protegiam o menino e afastavam o mal.
Esses ataques continuaram pela vida inteira. Anos depois, Padre Pio contaria que o demônio o atormentava quase todas as noites, aparecendo em formas assustadoras, fazendo barulhos, quebrando coisas, empurrando-o. Mas ele nunca desistiu. Rezava mais, jejuava, oferecia tudo a Deus. E, com a ajuda de Jesus e de Maria, vencia sempre.
A Vocação
Desde os cinco anos, Francesco sabia o que queria ser: padre. Não tinha dúvida nenhuma. Quando via um padre passando na rua, ficava maravilhado, olhando.
— Mãe, eu vou ser padre. Jesus me disse.
A mãe sorria e respondia baixinho:
— Se Deus quiser, filho.
Mas havia um problema. A família era muito pobre, e estudar para ser padre custava dinheiro. Como fazer?

O pai Grazio tomou então uma decisão corajosa: ia emigrar para a América, para trabalhar nos Estados Unidos. Lá ganharia dinheiro, mandaria para casa, e Francesco poderia estudar. Era um sacrifício enorme, ficar anos longe da família. Mas Grazio amava o filho e queria que ele seguisse a vocação. Ele foi, trabalhou duro, mandou o dinheiro. E Francesco pôde começar os estudos.
Entrando no Convento
Aos quinze anos, em 1903, Francesco entrou no convento dos Frades Capuchinhos. Os capuchinhos são franciscanos que vivem com muita pobreza e simplicidade: usam hábito marrom com capuz, barba longa e sandálias. Francesco amou aquela vida, porque era exatamente o que ele queria. Ao entrar, recebeu um nome novo: Frei Pio de Pietrelcina. Pio quer dizer piedoso, devoto.
A vida no convento era dura. Os frades acordavam de madrugada para rezar, jejuavam com frequência, dormiam em camas de tábuas e trabalhavam pesado. Frei Pio não reclamava de nada. Pelo contrário: pedia mais penitências e mais sacrifícios, porque queria sofrer por Jesus e imitar Jesus em tudo.

As Doenças Constantes
Havia, porém, uma dificuldade: Frei Pio vivia doente. Tinha febres constantes, tossia sangue, desmaiava. Os médicos faziam exames e não encontravam explicação. Contam que a febre chegou a marcar 48 graus, uma temperatura em que os termômetros comuns até quebravam. Os superiores temiam que ele morresse e o mandavam para casa, para o ar do campo, para se recuperar. Mas ele não queria ir. Queria ficar no convento, perto de Jesus no Sacrário.
Com o tempo, foram entendendo que aquelas febres eram diferentes das doenças comuns. Quando Frei Pio entrava em êxtase, isto é, numa união profunda com Deus na oração, o corpo dele esquentava, como se o amor divino fosse um fogo queimando por dentro. O mesmo tinha acontecido com outros santos, como São Felipe Neri. Os médicos confirmavam apenas o que podiam ver: não era uma doença conhecida.
A Ordenação
No dia 10 de agosto de 1910, aos 23 anos, Frei Pio foi ordenado padre: Padre Pio de Pietrelcina. Foi um dos dias mais felizes da vida dele. Celebrou a primeira Missa na sua pequena vila natal, com toda a família presente — o pai tinha voltado da América especialmente para aquele dia. Quando Padre Pio elevou a Hóstia pela primeira vez, entrou em êxtase. Ficou imóvel, radiante, porque via Jesus ali, na Hóstia.

A partir daquele dia, toda Missa de Padre Pio era assim. Durava muito, às vezes mais de uma hora, porque ele não apenas rezava: ele via e vivia o que celebrava. Na hora da Consagração, vivia a Paixão de Cristo, chorava, tremia, sofria junto com Jesus. As pessoas que assistiam saíam impressionadas e diziam umas às outras que aquele padre enxergava algo que ninguém mais enxergava.
Os Primeiros Fenômenos Místicos
Nos anos seguintes, Padre Pio começou a viver coisas cada vez mais extraordinárias. Tinha visões frequentes de Jesus e de Maria e conversava com eles como com amigos. O anjo da guarda continuava sempre ao seu lado. Às vezes, quando chegavam cartas em grego ou em línguas que Padre Pio não conhecia, o anjo lhe explicava o que estava escrito.
Padre Pio também começou a ler os corações. Sabia o que as pessoas pensavam e sentiam, e conhecia os pecados antes mesmo de serem confessados. Certa vez, um homem foi se confessar escondendo um pecado grave. Padre Pio olhou para ele e perguntou:
— E aquele pecado? Você não vai me contar?
O homem ficou espantado e confessou tudo. Isso acontecia o tempo todo. Ninguém conseguia enganar Padre Pio.

As Chagas Invisíveis
Em setembro de 1910, apenas um mês depois da ordenação, aconteceu algo terrível e maravilhoso ao mesmo tempo. Padre Pio rezava sozinho na igreja quando viu Jesus crucificado. Jesus olhou para ele com um amor imenso, e das Suas chagas saíram raios de luz. Os raios atingiram as mãos, os pés e o lado de Padre Pio, que sentiu uma dor enorme, como se estivesse sendo atravessado, e desmaiou.
Quando acordou, olhou as mãos, os pés, o lado. Não havia ferida nenhuma, mas a dor era real, constante, muito forte. Eram chagas invisíveis. Padre Pio rezou assim:
— Jesus, obrigado por esta graça. Mas eu Te peço: deixa as dores comigo e esconde as marcas, para que ninguém saiba.
E Jesus atendeu. Durante oito anos, Padre Pio carregou as chagas sem que ninguém visse nada.
São Giovanni Rotondo
Em 1916, Padre Pio foi enviado para o convento de São Giovanni Rotondo, uma pequena vila nas montanhas do sul da Itália, pobre, isolada, esquecida. Ele chegou doente, com febre, sofrendo. Ninguém imaginava que aquele padre franzino transformaria aquele lugar, nem que São Giovanni Rotondo se tornaria um dos santuários mais visitados do mundo.

As Chagas Visíveis
No dia 20 de setembro de 1918, veio o momento mais extraordinário. Padre Pio rezava sozinho diante do crucifixo, no coro da igreja, quando viu Jesus crucificado descer até ele. Jesus o abraçou, e do abraço saíram raios luminosos, que atravessaram as suas mãos, os seus pés e o seu lado. Padre Pio gritou de dor e caiu no chão. Quando voltou a si e olhou as mãos, viu feridas abertas, sangrando, atravessadas de lado a lado.
Olhou os pés: a mesma coisa. Tocou o lado: sangrava. Eram os estigmas, as chagas de Cristo. Padre Pio tentou esconder, cobrindo as mãos com luvas de meia, mas não conseguiu por muito tempo. Os outros frades logo descobriram e ficaram assustados e maravilhados ao mesmo tempo. A notícia correu de boca em boca: Padre Pio tinha as chagas de Cristo.
Médicos vieram examinar Padre Pio e confirmaram: as feridas eram reais, profundas, e sangravam constantemente. Mas não infeccionavam nem cheiravam mal — ao contrário, exalavam um perfume de flores. Não cicatrizavam, mas também não pioravam. Era algo que a medicina não sabia explicar. Os estigmas ficariam com Padre Pio até a morte, cinquenta anos depois.

A Fama Começa
A notícia dos estigmas se espalhou depressa. Os jornais e as revistas contavam que havia um padre na Itália com as chagas de Cristo, e milhares de pessoas começaram a viajar até São Giovanni Rotondo. Queriam ver Padre Pio, tocar nele, receber a sua bênção. Ele ficava envergonhado, porque não queria atenção nenhuma, mas não tinha como impedir. As pessoas simplesmente vinham.
E não vinham só por curiosidade. Vinham porque aconteciam milagres. Doentes eram curados, pecadores se convertiam, gente sem fé voltava a acreditar. Padre Pio rezava por todos, abençoava, confessava, e Deus operava maravilhas. São Giovanni Rotondo, a vila esquecida, tornou-se um centro de peregrinação. E aquilo era só o começo.
Reflexão



