Perseu - Parte 2: A Medusa e Andrômeda
Épicos & Mitos Clássicos

Perseu - Parte 2: A Medusa e Andrômeda

por Mitologia Grega

Idades 10-12
13 min de leitura

Conteúdo Sensível

Esta história contém cenas de violência mitológica incluindo decapitação de um monstro e resgate de uma princesa de um monstro marinho. Apropriada para leitores mais velhos.

Quando Perseu pediu ajuda a Zeus, os deuses responderam.

Primeiro veio Atena, a deusa da sabedoria, descendo do Olimpo com sua armadura brilhante.

— Perseu — disse ela —, você é corajoso, mas imprudente. Não pode simplesmente sair à procura da Medusa sem preparação. Ela o transformará em pedra com um único olhar.

— Então como posso vencê-la? — perguntou Perseu.

Atena lhe entregou seu escudo, polido como um espelho.

— Tome. Nunca olhe diretamente para a Medusa. Use este escudo como espelho, e você verá o reflexo dela sem encontrar seus olhos.

— Mas ainda preciso de uma arma — disse Perseu.

Então Hermes, o mensageiro dos deuses, apareceu com suas sandálias aladas e lhe entregou uma espada adamantina, feita do metal mais duro que existe, capaz de cortar qualquer coisa.

— Ainda há um problema — disse Hermes. — Ninguém sabe onde as Górgonas vivem. Elas se escondem nos confins do mundo.

— E como vou encontrá-las? — perguntou Perseu.

— Procure primeiro as Greias, as Mulheres Cinzentas — respondeu Atena. — São irmãs das Górgonas, e sabem onde a Medusa está.

— E onde encontro as Greias?

— No extremo oeste do mundo, onde o sol nunca chega — disse Hermes. — Mas tenha cuidado: elas são astutas e perigosas.

Perseu partiu voando com as sandálias aladas que Hermes lhe emprestou. Voou sobre o mar e as montanhas, para além de todas as terras conhecidas, até chegar ao lugar onde a névoa nunca se desfaz.

Lá, numa caverna escura e úmida, viviam as Greias, três irmãs que já haviam nascido velhas. Chamavam-se Ênio, Pefredo e Dino. Tinham cabelos brancos como neve, pele enrugada como pergaminho antigo e, entre as três, apenas um olho e um dente, que passavam de mão em mão.

— Passe o olho, irmã — guinchou uma.

— Ainda não terminei de ver — resmungou outra.

Perseu observou de longe, pensando em como faria aquelas criaturas revelarem onde estava a Medusa. Então teve uma ideia. Esperou o momento exato em que uma Greia tirou o olho para passá-lo à outra... e o pegou no ar, antes que alguma delas o alcançasse.

— Onde está o olho? — gritou uma Greia.

— Eu tinha acabado de passar! — disse outra.

— Você o derrubou, sua tola — acusou a terceira.

As três tateavam às cegas, procurando o olho perdido.

— É isto que vocês procuram? — disse Perseu, segurando o olho na palma da mão.

As Greias gritaram, exigindo o olho de volta.

— Eu devolvo — disse Perseu —, se me disserem onde encontrar as Górgonas.

— Jamais — sibilaram elas. — São nossas irmãs.

— Então vocês ficarão sem ver para sempre — respondeu Perseu, calmo.

As Greias resmungaram entre si e por fim cederam. Ênio falou: as Górgonas viviam numa ilha além do rio Oceano. Mas espada e escudo não bastariam. Perseu precisaria também da sacola de invisibilidade e do capacete das trevas, guardados pelas Ninfas do Norte, no extremo onde o gelo nunca derrete.

Perseu devolveu o olho e voou para o norte.

No norte congelado, Perseu encontrou as Ninfas, espíritos da natureza belos e gentis.

— Você veio pela sacola e pelo capacete — disse a líder delas. — Zeus nos avisou que você viria.

Elas lhe entregaram uma sacola mágica, a kibisis, que mudava de tamanho e podia guardar qualquer coisa, até a cabeça da Medusa. E lhe deram também o capacete das trevas, que pertencia a Hades e tornava invisível quem o usasse.

— Agora você tem tudo de que precisa — disse a ninfa. — Mas lembre-se: a Medusa já foi bela como nós, e foi amaldiçoada. Não a odeie. Tenha pena dela, e faça o que precisa ser feito.

Perseu partiu para a ilha das Górgonas, enfim preparado.

A ilha das Górgonas era um lugar terrível. Estava coberta de estátuas: pessoas e animais transformados em pedra pelo olhar da Medusa. Havia guerreiros congelados em pose de ataque, navegadores petrificados em plena fuga, até pássaros de pedra pelo chão.

Perseu caminhou com cuidado por entre as estátuas, invisível sob o capacete das trevas, segurando o escudo de Atena como espelho. E então as viu: as três Górgonas. Esteno e Euríale eram imortais e não podiam morrer. Mas Medusa, a do meio, era mortal.

As três eram monstruosas, com presas de bronze, garras de metal e, no lugar dos cabelos, serpentes vivas que sibilavam e se retorciam. Elas dormiam. Era a hora de Perseu.

Perseu se aproximou da Medusa devagar, olhando apenas para o reflexo dela no escudo espelhado. Mesmo adormecida, ela era assustadora. As serpentes de sua cabeça sibilavam baixinho, e suas presas brilhavam.

Perseu ergueu a espada adamantina. Guiando-se só pelo reflexo, desceu o golpe. Foi um corte único e limpo: a cabeça da Medusa rolou.

As serpentes sibilaram uma última vez, e as outras duas Górgonas acordaram gritando.

— Nossa irmã! Quem fez isso? — rugiu Esteno.

Mas Perseu já havia guardado a cabeça na sacola mágica, com todo o cuidado para não olhar, e vestido o capacete das trevas. Invisível, voou para longe, enquanto as Górgonas furiosas o procuravam sem poder vê-lo.

Perseu voou de volta para casa, carregando a cabeça da Medusa na sacola. Mesmo morta, seu olhar ainda transformava em pedra quem a visse.

Sobrevoando a Etiópia, ele olhou para baixo e viu algo estranho: uma bela jovem acorrentada a um penhasco, à beira do mar. Desceu e encontrou Andrômeda, uma princesa prestes a ser sacrificada a um monstro marinho.

— Por que você está acorrentada? — perguntou Perseu, espantado.

— Minha mãe se gabou de que eu era mais bonita que as Nereidas, as ninfas do mar — chorou Andrômeda. — Poseidon, furioso, mandou um monstro destruir nosso reino. O único jeito de acalmá-lo é me sacrificar.

Perseu olhou para ela. Era realmente bela, e corajosa: mesmo diante da morte, mantinha a dignidade.

— Ninguém será sacrificado hoje — declarou ele. — Eu lutarei contra o monstro.

Naquele momento, o mar começou a ferver em ondas gigantes, e das águas emergiu o Ceto, um monstro marinho imenso, de dentes como espadas e olhos vermelhos como brasas.

— Fuja! Salve-se! — gritou Andrômeda.

Mas Perseu não fugiu. Voou na direção do monstro com a espada em punho. O Ceto tentou devorá-lo, e Perseu desviou. O monstro lançou jatos de água, e Perseu subiu mais alto. Então ele teve uma ideia. Abriu a sacola e tirou de lá a cabeça da Medusa. Segurou-a pelos cabelos de serpente, virando o rosto para não ver, e a apontou para o monstro.

O Ceto olhou diretamente nos olhos mortos da Medusa. No mesmo instante, virou pedra. Uma enorme estátua de monstro marinho afundou devagar no oceano.

Perseu quebrou as correntes de Andrômeda e a libertou.

— Você salvou minha vida — disse ela.

— E você tocou meu coração — respondeu Perseu. — Quer se casar comigo?

— Quero — sorriu Andrômeda.

Mas havia um problema: Andrômeda já estava prometida a outro homem, seu tio Fineu. Quando Perseu chegou ao palácio com ela, Fineu apareceu furioso, dizendo que a princesa lhe pertencia, e atacou com cem soldados. Perseu lutou bravamente, mas eram muitos. Então, mais uma vez, usou a arma mais poderosa que possuía: ergueu a cabeça da Medusa diante de Fineu e seus homens, e todos viraram estátuas de pedra.

Perseu e Andrômeda se casaram. E, enfim, ele tomou o caminho de volta para Sérifos.

Ao chegar a Sérifos, Perseu encontrou uma cena terrível. Polidectes estava forçando sua mãe, Dânae, a se casar com ele, e o velho Díctis já não tinha forças para defendê-la.

— Polidectes! — bradou Perseu, entrando no palácio.

— Perseu? — O rei empalideceu. — Impossível. Você deveria estar morto.

— Você queria a cabeça da Medusa? — disse Perseu. — Aqui está.

E, pela última vez, ele tirou a cabeça da sacola. Polidectes e seus servos cruéis olharam... e viraram pedra.

Perseu fez de Díctis o novo rei de Sérifos. Depois partiu com Dânae e Andrômeda para Argos, a terra natal de sua mãe.

Quando chegaram a Argos, porém, Acrísio, o avô de Perseu, fugiu da cidade. Ele não havia esquecido a profecia: o neto o mataria. Perseu não queria mal nenhum ao avô, e até o procurou para fazer as pazes.

Anos depois, Perseu participou de jogos atléticos em outra cidade. Ele lançou um disco, mas o vento o desviou, e o disco atingiu um espectador na cabeça, matando-o. Era Acrísio, que fora aos jogos disfarçado. A profecia se cumpriu, mas por acidente. Perseu jamais desejou aquilo, e chorou pelo avô. Aprendeu, então, que o destino não pode ser enganado, apenas aceito com coragem.

Ele devolveu os itens mágicos aos deuses. Atena tomou a cabeça da Medusa e a colocou em seu escudo, a Égide, onde protegeria a deusa para sempre. Perseu e Andrômeda tiveram muitos filhos e viveram felizes, lembrando sempre das aventuras que os uniram.

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Reflexão

A aventura de Perseu nos ensina que a inteligência vale tanto quanto a coragem, e que aceitar ajuda não é fraqueza, mas sabedoria. Os verdadeiros heróis protegem os indefesos e usam seu poder com responsabilidade — e, mesmo dentro do destino, sempre podemos escolher agir com bondade.

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