Nem todos os Titãs lutaram contra Zeus na grande guerra. Um Titã em particular havia ajudado os Olímpicos. Ele era diferente dos outros: mais esperto, mais compassivo. Seu nome era Prometeu, que significa "aquele que pensa antes".
Prometeu tinha um irmão chamado Epimeteu, cujo nome significa "aquele que pensa depois". Enquanto Epimeteu agia por impulso, Prometeu sempre planejava com cuidado.
Quando a guerra terminou, Zeus quis recompensar Prometeu por sua ajuda.
— Que tarefa você deseja, nobre Titã? Você é livre para escolher seu lugar na nova ordem do mundo.
Prometeu sorriu. Ele já sabia exatamente o que queria fazer.
Prometeu desceu à Terra e pegou argila úmida das margens de um rio. Com suas mãos habilidosas de Titã, começou a moldar pequenas figuras. Ele as fez à imagem dos deuses: com duas pernas para andar eretas, duas mãos para criar e construir, olhos para ver as estrelas, mente para pensar e sonhar.
Quando terminou, havia criado centenas daquelas pequenas figuras de argila. Eram lindas, mas estavam vazias, sem vida. Prometeu olhou para o céu e pediu aos deuses:
— Deem vida a estas criaturas. Deixem que caminhem pela Terra.
Atena, deusa da sabedoria, ficou tão impressionada com o trabalho de Prometeu que ela mesma desceu. Ela soprou nas figuras de argila, e o sopro divino lhes deu vida. Os olhos de argila se abriram. Os corpos de argila começaram a se mover. As primeiras pessoas — os humanos — haviam nascido.
Mas havia um problema. Os humanos eram frágeis. Não tinham garras como os leões, nem veneno como as cobras, nem pelos grossos como os ursos. Não podiam voar como os pássaros.
Epimeteu, o irmão de Prometeu, havia recebido a tarefa de distribuir dons a todos os animais. Mas ele, fiel ao próprio nome, deu os melhores presentes aos animais primeiro: garras, presas, veneno, velocidade, força, pelos, escamas, asas. Quando chegou a vez dos humanos, não sobrou nada.
Os humanos tremiam de frio à noite. Eram caçados por predadores. Comiam carne crua e raízes, e viviam em cavernas escuras, com medo. Prometeu olhou para suas criações e seu coração doeu. "Dei-lhes vida", pensou, "mas não lhes dei meios de prosperar. Preciso ajudá-los."
Prometeu foi até Zeus.
— Senhor dos Deuses, peço permissão para dar aos humanos o fogo. Com ele, poderão se aquecer, cozinhar alimentos, afastar predadores e criar ferramentas.
Zeus franziu a testa.
— Fogo? Não. O fogo é sagrado. Pertence apenas aos deuses. Os humanos devem permanecer como estão, dependentes de nós. Se lhes dermos o fogo, se tornarão orgulhosos e arrogantes.
— Mas senhor... — começou Prometeu.
— Silêncio! — trovejou Zeus. — Minha decisão é final. Os humanos não terão fogo.
Prometeu deixou o Olimpo com o coração pesado. Olhou para a Terra lá embaixo, onde seus humanos sofriam no frio e na escuridão. E tomou uma decisão que mudaria tudo.
Na calada da noite, Prometeu subiu em silêncio ao Monte Olimpo. Esgueirou-se até a forja de Hefesto, onde o deus ferreiro trabalhava e onde queimava o fogo sagrado dos deuses, chamas eternas que nunca se apagavam.
Prometeu pegou uma grande tocha de funcho, uma planta de talo oco que queima devagar, e a acendeu no fogo sagrado. Então, rápido como o vento, desceu de volta à Terra.
Ele foi de aldeia em aldeia, acendendo fogueiras.
— Eis meu presente para vocês — disse. — Guardem este fogo com cuidado. Nunca o deixem morrer. Este é o fogo divino, e ele mudará a vida de vocês para sempre.
Os humanos olharam maravilhados para as chamas dançantes. Aqueceram as mãos pela primeira vez. Cozinharam carne e descobriram um sabor delicioso. Usaram tochas para afastar lobos e ursos. Com o fogo, começaram a fazer ferramentas de metal, a queimar cerâmica, a construir civilização.
Prometeu sorriu. Seus humanos finalmente prosperariam.
Mas no Olimpo, certa manhã, Zeus olhou para a Terra. Viu fumaça subindo de mil aldeias humanas. Viu fogueiras queimando. Viu humanos trabalhando o metal.
— Prometeu! — rugiu Zeus, e sua voz fez o céu estremecer. — Você me desobedeceu!
Prometeu foi chamado ao Olimpo. Ele foi com calma, sabendo exatamente o que havia feito.
— Você roubou o fogo sagrado — acusou Zeus. — Desafiou minha ordem direta. Deu aos humanos o poder dos deuses.
— Sim — disse Prometeu, simplesmente. — E faria de novo. Os humanos são belos e merecem a chance de prosperar. Você errou ao negar isso a eles.
O Olimpo mergulhou num silêncio de espanto. Ninguém falava assim com Zeus. O rosto do rei dos deuses escureceu de raiva.
— Você ousa me chamar de errado? Vai pagar por isso.
A punição de Zeus foi terrível. Ele mandou seus servos levarem Prometeu até o fim do mundo, ao topo do Monte Cáucaso, uma montanha fria e desolada nas bordas da Terra conhecida. Lá, acorrentaram Prometeu à rocha com correntes indestrutíveis, forjadas pelo próprio Hefesto. Prometeu não podia se mover, não podia escapar.
Mas isso não era o pior. Zeus enviou uma águia gigante. Todos os dias, a águia voava até Prometeu e, com garras afiadas e bico cruel, comia o fígado do Titã. A dor era imensa. Mas Prometeu era imortal: durante a noite, seu fígado se refazia por completo. E, na manhã seguinte, a águia voltava.
Dia após dia. Mês após mês. Ano após ano.
Prometeu sofreu sozinho no alto da montanha por séculos. Mas nunca se arrependeu.
Às vezes, viajantes distantes ouviam seus gemidos. Às vezes, quando as nuvens se abriam, dava para ver sua silhueta acorrentada à rocha. Outros Titãs e deuses vinham visitá-lo, e alguns imploravam que ele pedisse perdão a Zeus.
— Apenas se arrependa — diziam. — Diga a Zeus que estava errado. Ele libertará você.
Mas Prometeu sempre respondia a mesma coisa:
— Eu não estava errado. Os humanos mereciam o fogo. Escolhi sofrer para que eles pudessem prosperar. E essa escolha foi certa.
E, lá embaixo, na Terra, os humanos de fato prosperavam. Construíam cidades, criavam arte, escreviam poemas, faziam descobertas. E, junto de suas fogueiras, à noite, contavam histórias sobre Prometeu, o Titã que os amou tanto que desafiou o próprio Rei dos Deuses.
Os séculos passaram. A Terra girou. As estrelas mudaram no céu. Até que um dia nasceu um herói — o maior que já viveu. Seu nome era Hércules, e ele era filho do próprio Zeus.
Em suas provações, Hércules viajou por todo o mundo. E, em sua jornada, chegou ao Monte Cáucaso. Lá, viu Prometeu acorrentado, sofrendo seu castigo sem fim.
— Quem é você, nobre? — perguntou Hércules.
— Sou Prometeu — respondeu o Titã, com a voz fraca. — Sofro aqui há mais de três mil anos.
Hércules ficou comovido. Ele conhecia as histórias: aquele era o Titã que dera o fogo à humanidade. Naquele momento, a águia desceu para seu banquete diário. Mas Hércules, com suas flechas certeiras, atirou e a derrubou. Então, com sua força sobre-humana, quebrou as correntes indestrutíveis.
Prometeu estava livre.
Quando Zeus soube que Hércules havia libertado Prometeu, ficou surpreendentemente calmo. Talvez tivesse passado tempo suficiente. Talvez Zeus tivesse enfim entendido que Prometeu tinha razão. Ou talvez estivesse apenas cansado da punição.
— Prometeu sofreu o bastante — declarou Zeus. — Que ele seja livre, mas use para sempre um anel de ferro, como lembrança de suas correntes.
E assim Prometeu voltou ao mundo, livre, mas marcado para sempre por seu sacrifício. Os humanos o celebraram como seu maior benfeitor. Ergueram altares em sua honra e contaram suas histórias de geração em geração. E, sempre que acendiam uma fogueira, lembravam: aquele fogo tinha sido o presente de Prometeu, que os amou o suficiente para desafiar os deuses.
Reflexão



