Santa Joana d'Arc - Parte 2: Julgamento, Martírio e Glória
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Santa Joana d'Arc - Parte 2: Julgamento, Martírio e Glória

por Vida de Santo

Idades 10-12
13 min de leitura

Depois da coroação de Carlos VII, a missão que as vozes tinham dado a Joana estava completa. Libertar Orléans e coroar o rei: ela fizera as duas coisas em apenas quatro meses, aos dezessete anos. Mas Carlos pediu que ficasse, dizendo que ainda precisava dela, e Joana, sempre obediente, continuou lutando. Alguma coisa, porém, havia mudado. As vitórias já não vinham com tanta facilidade.

Joana após coroação
Joana continuou lutando após cumprir sua missão.

O Ataque a Paris

Em setembro de 1429, Joana quis atacar Paris, que estava nas mãos dos ingleses. Carlos VII hesitava, preferia negociar, mas acabou permitindo o ataque. Desta vez, porém, o exército falhou. Joana foi ferida na perna por uma flecha e precisou recuar. Era a primeira derrota. E as vozes já a haviam avisado, em segredo, de que ela não duraria muito mais de um ano.

23 de Maio de 1430: A Captura

Na primavera de 1430, Joana defendia a cidade de Compiègne. Durante uma batalha, os borgonheses — franceses aliados dos ingleses — a cercaram. Joana lutou bravamente e tentou escapar, mas foi puxada do cavalo e capturada. Tinha apenas dezoito anos. Os borgonheses a levaram presa, e as portas se fecharam atrás dela.

Captura de Joana
Joana foi capturada pelos borgonheses em maio de 1430.

Temas Maduros

Esta parte da história fala de prisão, de um julgamento injusto e da morte de Joana. Contamos tudo com verdade e com respeito, olhando para a fé e a coragem dela.

Vendida aos Ingleses

Os borgonheses venderam Joana aos ingleses por dez mil moedas, como se ela fosse uma mercadoria. E Carlos VII, o rei que ela havia coroado, não fez nada para salvá-la. Não ofereceu resgate, não negociou, não tentou libertá-la. Foi uma traição amarga, e Joana se sentiu abandonada pelos homens. Mas não abandonou Deus. Na prisão, continuou rezando e confiando.

Os ingleses a levaram para Rouen, na Normandia, e a prenderam numa torre. Acorrentaram seus pés e puseram guardas dia e noite, como se ela fosse uma criminosa perigosa. Joana estava sozinha, sem amigos e sem família por perto. Restava-lhe Deus. E Deus lhe bastava.

O Julgamento Injusto

Os ingleses queriam destruir a fama de Joana. Se conseguissem provar que ela era bruxa ou herege, as vitórias dela passariam a parecer obra do demônio — e Carlos VII, um rei coroado por uma bruxa, um rei sem valor. Por isso montaram um julgamento religioso, liderado pelo bispo Pierre Cauchon, um francês que servia aos ingleses, e reuniram dezenas de teólogos e juízes.

Tribunal de Joana
Joana foi julgada por um tribunal injusto.

O julgamento começou em 21 de fevereiro de 1431. Joana tinha dezenove anos e estava sozinha diante de dezenas de homens estudados, sem advogado para defendê-la. Eles faziam perguntas complicadas, verdadeiras armadilhas de teologia, esperando que ela se contradissesse. Mas Joana, que nunca tinha estudado, respondia com uma sabedoria que espantava a todos.

— Você está em estado de graça? — perguntaram um dia. Era uma pergunta-armadilha: qualquer resposta poderia condená-la.

— Se não estou, que Deus me ponha nela — respondeu Joana. — E, se estou, que Deus me conserve.

Os juízes ficaram sem palavras.

As Roupas Masculinas

Um dos principais pontos da acusação era estranho: Joana usava roupas de homem, e os juízes diziam que isso era contra a lei de Deus. Joana explicou com calma que as usava para se proteger. Na prisão, cercada de guardas homens a toda hora, aquelas roupas eram a sua defesa. Mas os juízes não quiseram ouvir e insistiram que era pecado grave.

Acusação sobre roupas
Acusaram Joana por usar roupas masculinas.

24 de Maio: A "Abjuração"

Depois de meses de interrogatórios duros, Joana estava exausta. Ameaçaram-na com tortura e com a fogueira, e prometeram que, se ela admitisse ter errado, receberia uma prisão mais branda. Joana, jovem e assustada, assinou um documento que não sabia ler. Disseram-lhe que era uma confissão de erro e uma promessa de nunca mais vestir roupas de homem. Ela não sabia que aquilo era uma armadilha.

Em vez da prisão mais branda, mantiveram Joana acorrentada. E, durante a noite, levaram embora as roupas femininas dela, deixando na cela apenas roupas de homem. Quando acordou, Joana não teve escolha: vestiu o que havia. Na mesma hora, os juízes a acusaram de ter quebrado a promessa e a declararam herege reincidente. Tudo havia sido armado. Eles só queriam uma desculpa para condená-la à morte.

A Sentença de Morte

Em 30 de maio de 1431, levaram Joana diante dos juízes pela última vez, e Cauchon leu a sentença: Joana era considerada herege e seria queimada na fogueira. Joana chorou — não de medo, mas de tristeza, porque lhe diziam que a Igreja a condenava, quando na verdade quem a condenava era um tribunal corrompido. Ela ainda clamou pelo rei da França, lembrando a injustiça que sofria. Mas Carlos estava longe, e não fez nada.

Sentença de morte
Joana foi condenada à fogueira.

30 de Maio de 1431: O Martírio

Na manhã daquele mesmo dia, levaram Joana à praça do mercado de Rouen, onde a lenha da fogueira já estava empilhada. Uma multidão veio assistir — alguns com ódio, muitos com compaixão. Joana tinha dezenove anos. Vivera tão pouco, e fizera tanto. Antes de subir, pediu uma cruz. Um soldado inglês, comovido, amarrou dois pedaços de madeira e lhe entregou uma cruz simples. Joana a beijou e a apertou contra o peito.

Amarraram Joana ao poste. Um padre bondoso, frei Martinho Ladvenu, ficou perto dela segurando um crucifixo erguido, para que ela pudesse olhar para Jesus até o fim. Então acenderam o fogo. As chamas subiram devagar, e a fumaça envolveu Joana. E, no meio de tudo, a voz dela se ergueu, clara, repetindo um único nome:

— Jesus! Jesus! Jesus!

Foi a sua última palavra. O nome de Jesus.

As testemunhas daquele dia contaram coisas extraordinárias. Um soldado inglês jurou ter visto uma pomba branca subir de dentro das chamas em direção ao céu. O carrasco, que já havia executado tantos condenados, saiu chorando e dizendo que estavam perdidos, porque haviam queimado uma santa. Até o bispo Cauchon viveu os anos seguintes cheio de medo. As cinzas de Joana foram lançadas no rio Sena, para que não virassem relíquias. Mas ninguém conseguiu apagar a sua memória.

Pomba saindo das chamas
Testemunhas viram uma pomba subir das chamas.

"Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma." (Mateus 10,28)

1456: A Reabilitação

Vinte e cinco anos depois da morte de Joana, Carlos VII finalmente agiu. Envergonhado, pediu que o caso fosse revisto, e o Papa autorizou um novo julgamento. Ouviram centenas de testemunhas, examinaram todos os documentos, e a verdade veio à luz: o primeiro julgamento tinha sido uma fraude do começo ao fim. Em 7 de julho de 1456, Joana foi declarada inocente e reconhecida como mártir. Seu nome estava limpo, e sua honra, restaurada.

1909: Beatificação

Ao longo dos séculos, a fama de Joana só cresceu. A França a via como heroína nacional, e a Igreja estudava a sua vida com cuidado. Em 1909, o Papa Pio X a declarou beata, numa grande celebração que encheu de alegria a França inteira. A camponesa de Domrémy era agora a Beata Joana d'Arc, a Donzela de Orléans.

Beatificação de Joana
Joana foi beatificada em 1909.

16 de Maio de 1920: Canonização

Em 1920, quase quinhentos anos depois da sua morte, aconteceu o que parecia impossível naquele dia triste em Rouen. Na Basílica de São Pedro, em Roma, diante de milhares de fiéis vindos de toda a França, o Papa Bento XV canonizou Joana. A menina camponesa que morrera queimada aos dezenove anos era agora Santa Joana d'Arc, santa da Igreja inteira.

Patrona da França

Em 1922, o Papa Pio XI declarou Santa Joana d'Arc padroeira secundária da França. Sua festa é celebrada em 30 de maio, o dia do seu martírio. Há igrejas dedicadas a ela e estátuas suas por toda a França; a casinha onde nasceu, em Domrémy, virou museu, e Rouen, onde morreu, guarda uma igreja em sua honra. Santa Joana é hoje uma das santas mais amadas do mundo.

O Legado de Santa Joana d'Arc

O que Santa Joana nos deixou foi um exemplo raro e completo. Ela teve coragem de enfrentar exércitos e tribunais, e obedeceu a Deus mesmo quando tudo parecia loucura. Guardou o coração puro no meio dos acampamentos de guerra e manteve a fé firme até dentro das chamas. Nas vitórias, deu toda a glória a Deus; no sofrimento, não amaldiçoou os inimigos. Amou a sua terra a ponto de dar a vida por ela, e repetia, serena, que não temia nada, porque Deus estava com ela.

Legado de Santa Joana
Santa Joana d'Arc inspirou milhões.

Santa Joana Hoje

Ainda hoje, Santa Joana d'Arc continua inspirando gente muito diferente. Soldados a invocam como protetora, jovens a admiram como exemplo de coragem, e cristãos do mundo inteiro a veneram como mártir. A vida dela mostra uma coisa simples: Deus não escolhe os famosos nem os poderosos — escolhe os que confiam e obedecem.

As Últimas Palavras

Vale a pena lembrar: Joana tinha só dezenove anos quando morreu. Naquela idade tão nova, já havia libertado uma cidade, coroado um rei e enfrentado exércitos. E enfrentou a própria morte com uma coragem que envergonhou muitos homens adultos. Suas últimas palavras foram o nome de Jesus, repetido três vezes — o nome que a sustentou na vida inteira e a acompanhou até o céu.

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Reflexão

A história de Santa Joana nos ensina que a idade não importa quando Deus chama: ela era muito jovem, e mesmo assim fez coisas enormes com a força que vinha de Deus. Ensina também que a injustiça não tem a última palavra — Joana foi condenada por um tribunal falso, mas a verdade venceu, e hoje ela é santa. Que nós, como ela, possamos viver e terminar cada dia com o nome de Jesus no coração.

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