Em 1381, em Roccaporena, uma pequena vila perto de Cássia, na Itália, nasceu uma menina muito esperada. Seus pais a chamaram Margherita, que quer dizer Margarida, mas o mundo inteiro a conheceria pelo apelido carinhoso: Rita. Os pais já eram idosos e tinham rezado durante anos pedindo um filho. Deus lhes deu Rita, filha única e muito amada.
Dizem que, quando ela ainda era bebê, abelhas brancas voaram ao redor do berço. Entraram e saíram de sua boquinha sem picá-la nem uma vez. As pessoas da vila viram naquilo um sinal: Rita seria doce como o mel.

A Menina que Queria Ser Freira
Desde pequena, Rita gostava de rezar. Ia à igreja, ajudava os pobres da vila e sentia o coração cheio de Deus. Quando tinha uns doze anos, contou aos pais o que guardava no peito:
— Quero ser freira. Quero me consagrar a Jesus.
Os pais se assustaram com aquele pedido.
— Não, filha. Você é nossa única menina. Precisa casar e nos dar netos.
Rita tentou convencê-los de todos os jeitos, mas não conseguiu.
O Casamento Forçado
Quando Rita fez dezoito anos, os pais arranjaram um casamento para ela. O noivo se chamava Paolo Mancini. Era um homem rico e bonito, mas tinha um temperamento violento e brigava com todo mundo. Rita pediu, com o coração apertado:
— Papai, mamãe, eu não quero casar com ele.
Mas, naquela época, os filhos obedeciam aos pais sem discutir. Com o coração pesado, Rita aceitou.
Dezoito Anos de Sofrimento
O casamento foi muito difícil. Paolo gritava, ameaçava e às vezes batia. Bebia demais e vivia brigando com os vizinhos. Rita sofria em silêncio, mas nunca respondia ao ódio com ódio. Rezava, oferecia a Deus a sua dor e tratava Paolo com paciência e carinho, esperando que um dia o coração dele amolecesse.

Rita e Paolo tiveram dois filhos, Giangiacomo e Paolo Maria. Rita os amava profundamente, mas vivia preocupada. Os meninos cresciam vendo o pai brigar, e iam aprendendo a resolver tudo na briga também.
— Quando eu crescer, vou vingar meu pai de seus inimigos — diziam eles.
Rita rezava baixinho:
— Jesus, não deixe meus filhos se tornarem violentos como o pai.
Com o passar dos anos, aconteceu algo que ninguém esperava. A doçura de Rita foi tocando o coração de Paolo devagarinho, como a água que gasta a pedra. Ele começou a se perguntar por que ela era tão boa com ele, que a tratava tão mal. Um dia, Paolo se arrependeu de verdade. Pediu perdão a Rita, parou de beber e de brigar e se tornou um homem melhor. Foi uma conversão, fruto de muitos anos de oração e de amor.
O Assassinato de Paolo
Quando tudo parecia melhorar, veio a tragédia. Em 1416, Paolo foi assassinado por inimigos antigos, gente que guardava vingança de brigas de muito tempo atrás. Rita ficou viúva aos trinta e seis anos. E havia uma dor ainda maior: os filhos, já adolescentes, juraram vingança.
— Vamos matar os assassinos do papai — prometeram os dois.
Rita ficou desesperada, não tanto pela viuvez, mas pelos filhos. Se eles matassem alguém, mancharia para sempre as suas almas. Ela rezou dia e noite e, no aperto do seu tempo e da sua dor, fez uma oração que espanta até hoje: pediu a Deus que levasse os filhos para o Céu antes que eles se tornassem assassinos.
— Senhor — dizia ela —, prefiro que meus filhos morram inocentes a que vivam com sangue nas mãos.

No ano seguinte, em 1417, os dois meninos adoeceram gravemente, talvez de disenteria. Rita cuidou deles com todo o carinho, dia após dia, e foi preparando os seus corações.
— Perdoem os assassinos do seu pai — pedia ela. — Não guardem ódio.
Os filhos ouviram a mãe. Antes de morrer, disseram baixinho:
— Mãe, nós perdoamos. Não queremos mais vingança.
Os dois partiram em paz, com o coração limpo. Rita chorou muito, como chora toda mãe. Mas, no meio das lágrimas, agradeceu a Deus, porque os seus meninos tinham morrido com o coração livre de ódio.
Entrando no Convento
Rita estava sozinha, viúva e sem filhos. Lembrou-se então do sonho que guardava desde menina: ser freira. Pediu para entrar no convento das Agostinianas de Cássia, mas as irmãs recusaram. Naquele tempo, o convento só recebia moças solteiras. E havia outro motivo, ainda mais sério: a família de Paolo e a família dos assassinos viviam em guerra, e as freiras temiam que aquela rixa entrasse pelas portas do convento. Rita insistiu uma, duas, três vezes, e a resposta foi sempre não.
Rita não desistiu, mas entendeu o que precisava fazer primeiro. Foi falar com a família do marido e pediu que perdoassem os assassinos de Paolo, e procurou também a outra família, pedindo paz. Rezou, conversou, esperou. E o impossível aconteceu: as duas famílias inimigas se reconciliaram e assinaram a paz. Só então o caminho do convento se abriu para ela.
Conta-se que, numa noite, enquanto Rita rezava, São João Batista, Santo Agostinho e São Nicolau de Tolentino apareceram a ela e a conduziram até o convento. De manhã, as freiras a encontraram rezando na capela, com todas as portas trancadas.
— Como você entrou? Estava tudo fechado — perguntaram, espantadas.
Rita contou o que tinha acontecido. As freiras compreenderam que aquela era a vontade de Deus e a receberam. Aos trinta e seis anos, Rita finalmente realizou o sonho da infância.

A Vida no Convento
No convento, Rita vivia com fervor. Rezava por horas, jejuava e obedecia em tudo. Uma vez, a superiora quis testar a sua obediência e mandou:
— Rita, regue aquele tronco seco todos os dias.
Era um tronco morto, que nunca mais poderia brotar. Mas Rita obedeceu sem perguntar nada e regou aquele pau seco fielmente, dia após dia, durante meses.
E então aconteceu um milagre. O tronco seco brotou, cresceu e virou uma videira frondosa, carregada de uvas. Essa videira existe até hoje em Cássia e é chamada de Vinha de Santa Rita, lembrança viva de que Deus honra quem confia e obedece.
O Espinho na Testa
Em 1442, numa Sexta-Feira Santa, Rita meditava diante do crucifixo, pensando nos sofrimentos de Jesus.
— Jesus, quero participar da Tua Paixão — rezou ela. — Quero sofrer contigo.
De repente, um espinho da coroa de Jesus se desprendeu e se cravou na testa de Rita.

A dor era grande, mas Rita sentia também uma alegria funda, porque participava da Paixão de Jesus. A ferida nunca sarou. Pior ainda: dela saía um cheiro tão forte que Rita precisou viver numa cela separada, longe das outras freiras. Passou quinze anos assim, sozinha, sofrendo em silêncio. Ela oferecia tudo a Deus, por amor a Jesus e pelos pecadores, sem reclamar. Vivia unida a Cristo crucificado.
A Viagem a Roma
Em 1450, houve um grande Jubileu em Roma, e todas as freiras do convento queriam ir. Rita achava que não podia, por causa da ferida e do mau cheiro. As irmãs, porém, insistiram para que ela rezasse pedindo essa graça. Rita rezou: se fosse a vontade de Deus, ela iria.
E a ferida desapareceu por um tempo. O cheiro se foi, a testa ficou limpa, e Rita pôde caminhar até Roma, ver o Papa e visitar as basílicas com as irmãs. Quando voltou a Cássia, a ferida voltou também. Rita entendeu que Deus a queria assim, unida à Sua cruz, e aceitou com o coração em paz.

A Rosa no Inverno
No inverno de 1453, Rita já estava velhinha e muito doente, de cama, cada dia mais fraca. Uma prima foi visitá-la e perguntou se podia trazer alguma coisa. Rita, quase sem forças, murmurou:
— Uma rosa do jardim da minha casa, em Roccaporena...
A prima ficou sem entender. Era pleno inverno, estava tudo coberto de neve, e não havia rosa nenhuma em lugar nenhum.
Mesmo assim, a prima foi até a casa de Rita e olhou o jardim. Neve por todo lado, nenhuma flor. Mas então viu algo que a fez parar: no meio da neve, uma rosa vermelha, linda e perfumada, tinha florescido. Ela colheu a rosa com cuidado e a levou para Rita, que sorriu e agradeceu a Jesus.
A prima perguntou se ela queria mais alguma coisa.
— Dois figos da figueira — pediu Rita.
Também parecia impossível, em pleno inverno. Mas a prima voltou ao jardim, e lá estavam dois figos maduros na figueira sem folhas. Ela os levou, e Rita os comeu com gratidão. Por causa desse milagre, Santa Rita é representada até hoje com a rosa e o espinho.

A Morte de Rita
No dia 22 de maio de 1457, Rita morreu em paz, aos setenta e seis anos. Tinha vivido uma vida longa, cheia de sofrimentos, mas também de alegrias e de união com Deus. As freiras se reuniram ao redor da cama e viram que o rosto dela estava sereno.
Naquele momento, aconteceu algo extraordinário. A ferida da testa se fechou, o rosto de Rita ficou bonito e luminoso, e um perfume de rosas encheu o convento inteiro. Todos sentiram e compreenderam: era um sinal do Céu.
O corpo de Rita foi exposto, e multidões vieram vê-la e rezar. O corpo não se decompôs: permanece incorrupto até hoje, mais de quinhentos e sessenta anos depois, numa urna de vidro em Cássia, visitada por milhões de peregrinos.

Beatificação e Canonização
Rita foi beatificada em 1626, pelo Papa Urbano VIII, e canonizada no dia 24 de maio de 1900, pelo Papa Leão XIII. Tornou-se Santa Rita de Cássia, padroeira das causas impossíveis — porque a vida dela foi cheia de coisas que pareciam impossíveis e aconteceram: o marido violento que se converteu, as famílias inimigas que fizeram as pazes, o tronco seco que brotou, a rosa que floresceu no inverno.
Santa Rita Hoje
Hoje, Santa Rita é uma das santas mais amadas do mundo, especialmente no Brasil. No dia 22 de maio, sua festa, os fiéis enchem as igrejas levando rosas e pedindo graças que parecem impossíveis. E Santa Rita, do Céu, intercede por todos.
Oração a Santa Rita
Gloriosa Santa Rita, esposa fiel, mãe dedicada, viúva santa e freira fervorosa. Você sofreu muito, mas nunca deixou de confiar em Deus, e Deus realizou maravilhas através de você. Interceda por mim nesta causa que parece impossível, porque para Deus nada é impossível. Santa Rita, rogai por nós. Amém.

Reflexão



