Santa Rita de Cássia: A Santa das Causas Impossíveis
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Santa Rita de Cássia: A Santa das Causas Impossíveis

por Vida de Santo

Idades 7-9
16 min de leitura

Em 1381, em Roccaporena, uma pequena vila perto de Cássia, na Itália, nasceu uma menina muito esperada. Seus pais a chamaram Margherita, que quer dizer Margarida, mas o mundo inteiro a conheceria pelo apelido carinhoso: Rita. Os pais já eram idosos e tinham rezado durante anos pedindo um filho. Deus lhes deu Rita, filha única e muito amada.

Dizem que, quando ela ainda era bebê, abelhas brancas voaram ao redor do berço. Entraram e saíram de sua boquinha sem picá-la nem uma vez. As pessoas da vila viram naquilo um sinal: Rita seria doce como o mel.

Nascimento de Rita
Rita nasceu em 1381 na Itália!

A Menina que Queria Ser Freira

Desde pequena, Rita gostava de rezar. Ia à igreja, ajudava os pobres da vila e sentia o coração cheio de Deus. Quando tinha uns doze anos, contou aos pais o que guardava no peito:

— Quero ser freira. Quero me consagrar a Jesus.

Os pais se assustaram com aquele pedido.

— Não, filha. Você é nossa única menina. Precisa casar e nos dar netos.

Rita tentou convencê-los de todos os jeitos, mas não conseguiu.

O Casamento Forçado

Quando Rita fez dezoito anos, os pais arranjaram um casamento para ela. O noivo se chamava Paolo Mancini. Era um homem rico e bonito, mas tinha um temperamento violento e brigava com todo mundo. Rita pediu, com o coração apertado:

— Papai, mamãe, eu não quero casar com ele.

Mas, naquela época, os filhos obedeciam aos pais sem discutir. Com o coração pesado, Rita aceitou.

Dezoito Anos de Sofrimento

O casamento foi muito difícil. Paolo gritava, ameaçava e às vezes batia. Bebia demais e vivia brigando com os vizinhos. Rita sofria em silêncio, mas nunca respondia ao ódio com ódio. Rezava, oferecia a Deus a sua dor e tratava Paolo com paciência e carinho, esperando que um dia o coração dele amolecesse.

Rita sofrendo
Rita sofreu 18 anos no casamento!

Temas Maduros

Esta história fala de violência dentro de casa e da morte de pessoas queridas. Rita viveu há mais de seiscentos anos, num tempo em que as mulheres quase não podiam escolher. Hoje sabemos que violência em casa nunca é aceitável e que quem sofre com ela deve pedir ajuda a alguém de confiança.

Rita e Paolo tiveram dois filhos, Giangiacomo e Paolo Maria. Rita os amava profundamente, mas vivia preocupada. Os meninos cresciam vendo o pai brigar, e iam aprendendo a resolver tudo na briga também.

— Quando eu crescer, vou vingar meu pai de seus inimigos — diziam eles.

Rita rezava baixinho:

— Jesus, não deixe meus filhos se tornarem violentos como o pai.

Com o passar dos anos, aconteceu algo que ninguém esperava. A doçura de Rita foi tocando o coração de Paolo devagarinho, como a água que gasta a pedra. Ele começou a se perguntar por que ela era tão boa com ele, que a tratava tão mal. Um dia, Paolo se arrependeu de verdade. Pediu perdão a Rita, parou de beber e de brigar e se tornou um homem melhor. Foi uma conversão, fruto de muitos anos de oração e de amor.

O Assassinato de Paolo

Quando tudo parecia melhorar, veio a tragédia. Em 1416, Paolo foi assassinado por inimigos antigos, gente que guardava vingança de brigas de muito tempo atrás. Rita ficou viúva aos trinta e seis anos. E havia uma dor ainda maior: os filhos, já adolescentes, juraram vingança.

— Vamos matar os assassinos do papai — prometeram os dois.

Rita ficou desesperada, não tanto pela viuvez, mas pelos filhos. Se eles matassem alguém, mancharia para sempre as suas almas. Ela rezou dia e noite e, no aperto do seu tempo e da sua dor, fez uma oração que espanta até hoje: pediu a Deus que levasse os filhos para o Céu antes que eles se tornassem assassinos.

— Senhor — dizia ela —, prefiro que meus filhos morram inocentes a que vivam com sangue nas mãos.

Rita rezando
Rita pediu que Deus levasse os filhos!

No ano seguinte, em 1417, os dois meninos adoeceram gravemente, talvez de disenteria. Rita cuidou deles com todo o carinho, dia após dia, e foi preparando os seus corações.

— Perdoem os assassinos do seu pai — pedia ela. — Não guardem ódio.

Os filhos ouviram a mãe. Antes de morrer, disseram baixinho:

— Mãe, nós perdoamos. Não queremos mais vingança.

Os dois partiram em paz, com o coração limpo. Rita chorou muito, como chora toda mãe. Mas, no meio das lágrimas, agradeceu a Deus, porque os seus meninos tinham morrido com o coração livre de ódio.

"De que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma?" (Marcos 8:36)

Entrando no Convento

Rita estava sozinha, viúva e sem filhos. Lembrou-se então do sonho que guardava desde menina: ser freira. Pediu para entrar no convento das Agostinianas de Cássia, mas as irmãs recusaram. Naquele tempo, o convento só recebia moças solteiras. E havia outro motivo, ainda mais sério: a família de Paolo e a família dos assassinos viviam em guerra, e as freiras temiam que aquela rixa entrasse pelas portas do convento. Rita insistiu uma, duas, três vezes, e a resposta foi sempre não.

Rita não desistiu, mas entendeu o que precisava fazer primeiro. Foi falar com a família do marido e pediu que perdoassem os assassinos de Paolo, e procurou também a outra família, pedindo paz. Rezou, conversou, esperou. E o impossível aconteceu: as duas famílias inimigas se reconciliaram e assinaram a paz. Só então o caminho do convento se abriu para ela.

Conta-se que, numa noite, enquanto Rita rezava, São João Batista, Santo Agostinho e São Nicolau de Tolentino apareceram a ela e a conduziram até o convento. De manhã, as freiras a encontraram rezando na capela, com todas as portas trancadas.

— Como você entrou? Estava tudo fechado — perguntaram, espantadas.

Rita contou o que tinha acontecido. As freiras compreenderam que aquela era a vontade de Deus e a receberam. Aos trinta e seis anos, Rita finalmente realizou o sonho da infância.

Milagre de Rita
Santos levaram Rita ao convento!

A Vida no Convento

No convento, Rita vivia com fervor. Rezava por horas, jejuava e obedecia em tudo. Uma vez, a superiora quis testar a sua obediência e mandou:

— Rita, regue aquele tronco seco todos os dias.

Era um tronco morto, que nunca mais poderia brotar. Mas Rita obedeceu sem perguntar nada e regou aquele pau seco fielmente, dia após dia, durante meses.

E então aconteceu um milagre. O tronco seco brotou, cresceu e virou uma videira frondosa, carregada de uvas. Essa videira existe até hoje em Cássia e é chamada de Vinha de Santa Rita, lembrança viva de que Deus honra quem confia e obedece.

O Espinho na Testa

Em 1442, numa Sexta-Feira Santa, Rita meditava diante do crucifixo, pensando nos sofrimentos de Jesus.

— Jesus, quero participar da Tua Paixão — rezou ela. — Quero sofrer contigo.

De repente, um espinho da coroa de Jesus se desprendeu e se cravou na testa de Rita.

Espinho na testa
Espinho cravou-se na testa de Rita!

A dor era grande, mas Rita sentia também uma alegria funda, porque participava da Paixão de Jesus. A ferida nunca sarou. Pior ainda: dela saía um cheiro tão forte que Rita precisou viver numa cela separada, longe das outras freiras. Passou quinze anos assim, sozinha, sofrendo em silêncio. Ela oferecia tudo a Deus, por amor a Jesus e pelos pecadores, sem reclamar. Vivia unida a Cristo crucificado.

A Viagem a Roma

Em 1450, houve um grande Jubileu em Roma, e todas as freiras do convento queriam ir. Rita achava que não podia, por causa da ferida e do mau cheiro. As irmãs, porém, insistiram para que ela rezasse pedindo essa graça. Rita rezou: se fosse a vontade de Deus, ela iria.

E a ferida desapareceu por um tempo. O cheiro se foi, a testa ficou limpa, e Rita pôde caminhar até Roma, ver o Papa e visitar as basílicas com as irmãs. Quando voltou a Cássia, a ferida voltou também. Rita entendeu que Deus a queria assim, unida à Sua cruz, e aceitou com o coração em paz.

Rita desejando ir a Roma
Rita queria ir ao Jubileu!

A Rosa no Inverno

No inverno de 1453, Rita já estava velhinha e muito doente, de cama, cada dia mais fraca. Uma prima foi visitá-la e perguntou se podia trazer alguma coisa. Rita, quase sem forças, murmurou:

— Uma rosa do jardim da minha casa, em Roccaporena...

A prima ficou sem entender. Era pleno inverno, estava tudo coberto de neve, e não havia rosa nenhuma em lugar nenhum.

Mesmo assim, a prima foi até a casa de Rita e olhou o jardim. Neve por todo lado, nenhuma flor. Mas então viu algo que a fez parar: no meio da neve, uma rosa vermelha, linda e perfumada, tinha florescido. Ela colheu a rosa com cuidado e a levou para Rita, que sorriu e agradeceu a Jesus.

A prima perguntou se ela queria mais alguma coisa.

— Dois figos da figueira — pediu Rita.

Também parecia impossível, em pleno inverno. Mas a prima voltou ao jardim, e lá estavam dois figos maduros na figueira sem folhas. Ela os levou, e Rita os comeu com gratidão. Por causa desse milagre, Santa Rita é representada até hoje com a rosa e o espinho.

Figos no inverno
Figos também apareceram milagrosamente!

A Morte de Rita

No dia 22 de maio de 1457, Rita morreu em paz, aos setenta e seis anos. Tinha vivido uma vida longa, cheia de sofrimentos, mas também de alegrias e de união com Deus. As freiras se reuniram ao redor da cama e viram que o rosto dela estava sereno.

Naquele momento, aconteceu algo extraordinário. A ferida da testa se fechou, o rosto de Rita ficou bonito e luminoso, e um perfume de rosas encheu o convento inteiro. Todos sentiram e compreenderam: era um sinal do Céu.

O corpo de Rita foi exposto, e multidões vieram vê-la e rezar. O corpo não se decompôs: permanece incorrupto até hoje, mais de quinhentos e sessenta anos depois, numa urna de vidro em Cássia, visitada por milhões de peregrinos.

Corpo incorrupto
O corpo de Rita permanece incorrupto!

Beatificação e Canonização

Rita foi beatificada em 1626, pelo Papa Urbano VIII, e canonizada no dia 24 de maio de 1900, pelo Papa Leão XIII. Tornou-se Santa Rita de Cássia, padroeira das causas impossíveis — porque a vida dela foi cheia de coisas que pareciam impossíveis e aconteceram: o marido violento que se converteu, as famílias inimigas que fizeram as pazes, o tronco seco que brotou, a rosa que floresceu no inverno.

Santa Rita Hoje

Hoje, Santa Rita é uma das santas mais amadas do mundo, especialmente no Brasil. No dia 22 de maio, sua festa, os fiéis enchem as igrejas levando rosas e pedindo graças que parecem impossíveis. E Santa Rita, do Céu, intercede por todos.

Oração a Santa Rita

Gloriosa Santa Rita, esposa fiel, mãe dedicada, viúva santa e freira fervorosa. Você sofreu muito, mas nunca deixou de confiar em Deus, e Deus realizou maravilhas através de você. Interceda por mim nesta causa que parece impossível, porque para Deus nada é impossível. Santa Rita, rogai por nós. Amém.

Oração a Santa Rita
Reze a Santa Rita com fé!

❤️ ✝️ ❤️

Reflexão

Rita viveu num tempo muito diferente do nosso e, dentro dele, fez as suas escolhas com uma fé imensa: perdoou quem a machucou, ensinou os filhos a soltar o ódio do coração e conseguiu até que duas famílias inimigas fizessem as pazes. A vida dela nos mostra que o perdão liberta e que o amor paciente pode transformar até os corações mais duros. E nos lembra, com a rosa que floresceu na neve, que para Deus nenhuma causa é impossível.

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