Santa Teresinha do Menino Jesus - Parte 1: A Pequena Flor
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Santa Teresinha do Menino Jesus - Parte 1: A Pequena Flor

por Vida de Santo

Idades 7-9
10 min de leitura

No dia 2 de janeiro de 1873, na cidade de Alençon, na França, nasceu uma bebê muito esperada. Era a última de nove filhos — quatro já tinham morrido pequenos. Seus pais, Louis e Zélie Martin, a chamaram de Marie-Françoise-Thérèse, mas todos a conheceriam simplesmente como Teresinha.

A família Martin era profundamente católica. Todos os dias rezavam juntos, iam à missa e cuidavam dos pobres. Teresinha cresceu cercada de amor: os pais a adoravam, e as quatro irmãs mais velhas — Marie, Pauline, Léonie e Céline — brincavam com ela e a mimavam. Teresinha era alegre e carinhosa, mas também muito sensível. Chorava com facilidade, tinha medo de muitas coisas e adorava ser o centro das atenções.

Bebê Teresinha com sua família
Teresinha nasceu em 1873 em Alençon, França.

Quando Teresinha tinha apenas quatro anos, aconteceu algo muito triste. Sua mãe, Zélie, adoeceu. Era câncer, e naquela época não havia cura. A pequena Teresinha via a mãe ficando cada vez mais fraca, cada vez mais pálida.

Em agosto de 1877, Zélie Martin morreu. Teresinha tinha quatro anos e meio. O mundo dela desmoronou devagar, em silêncio. No funeral, a menina olhou para o caixão e chamou baixinho: "Mamma... Mamma...". Mas a mãe não respondeu. Nunca mais responderia.

Teresinha pequena no funeral
Teresinha perdeu sua mãe aos 4 anos e meio.

Depois da morte de Zélie, Louis Martin decidiu se mudar com as filhas para Lisieux, outra cidade francesa, onde moravam parentes que podiam ajudar. E Teresinha, que antes era alegre e conversadeira, mudou completamente. Tornou-se tímida e sensível demais, e chorava por qualquer coisa. Se alguém olhava para ela de um jeito estranho, chorava. Se alguém a corrigia, chorava. E depois, como ela mesma contaria rindo mais tarde, chorava por ter chorado. Era difícil. Mas Teresinha tinha algo muito especial: um amor profundo por Jesus.

Teresinha criança muito sensível
Depois da morte da mãe, Teresinha ficou extremamente sensível.

Teresinha escolheu a irmã Pauline como a sua "segunda mãe". Pauline cuidava dela, brincava com ela e, principalmente, lhe falava de Jesus.

— Teresinha, Jesus ama muito você — dizia Pauline. — Você é a florzinha dEle.

— Uma florzinha? — perguntava Teresinha, com os olhos brilhando.

— Sim. As flores grandes e bonitas do jardim chamam a atenção de todos. Mas Jesus também ama as flores pequenas, escondidas na grama: as margaridas simples, as violetas tímidas. Você é a florzinha de Jesus.

Teresinha guardou essa ideia no coração: seria a "pequena flor" de Jesus. Juntas, ela e Pauline rezavam, enfeitavam o quarto com imagens de Jesus e de Maria e ofereciam a Deus pequenos sacrifícios.

Quando Teresinha tinha nove anos, veio outra dor. Pauline anunciou que ia entrar no Carmelo, um convento de freiras contemplativas que vivem em clausura, dedicadas inteiramente à oração. Para Teresinha, foi como perder a mãe pela segunda vez.

— Pauline, não. Não me deixe — chorava ela.

Mas Pauline tinha a sua vocação. Amava Teresinha, mas amava Jesus mais ainda, e Jesus a chamava para o Carmelo. Quando Pauline entrou no convento, Teresinha ficou arrasada e chorava todos os dias. Então adoeceu gravemente, com tremores estranhos e visões que a assustavam. Os médicos não sabiam dizer o que era.

Teresinha doente na cama
Após Pauline entrar no convento, Teresinha ficou gravemente doente.

Teresinha estava tão doente que a família chegou a pensar que ela morreria. Louis Martin e as irmãs rezavam sem parar, pedindo a intercessão de Nossa Senhora. No quarto de Teresinha havia uma estatueta da Virgem. Um dia, as irmãs se ajoelharam diante dela, chorando:

— Mãe do Céu, salve a nossa Teresinha.

E então algo extraordinário aconteceu. Teresinha olhou para a estatueta, e a estatueta de Nossa Senhora sorriu para ela — um sorriso lindo, celestial, cheio de amor. Naquele mesmo instante, Teresinha ficou curada. Os tremores pararam, e a doença foi embora de vez.

Nossa Senhora sorrindo para Teresinha
Nossa Senhora sorriu para Teresinha e a curou milagrosamente!

Aos onze anos, Teresinha fez a sua Primeira Comunhão, um dos dias mais felizes da sua vida. Preparou-se com todo o cuidado: rezou muito, leu livros espirituais, fez pequenos sacrifícios. No grande dia, sentiu-se unida a Jesus de um jeito profundo.

— Jesus, eu Te amo — rezou ela. — Quero ser toda Tua.

Naquele dia, Jesus plantou uma semente no coração de Teresinha: a semente da vocação. Ela começou a sentir que também queria ser carmelita, dar-se inteira a Jesus, como Pauline.

Primeira Comunhão de Teresinha
Na Primeira Comunhão, Teresinha sentiu sua vocação ao Carmelo.

Mas havia um problema: Teresinha era jovem demais, e ainda muito chorona. Foi então que, aos treze anos, aconteceu o que ela mesma chamaria de sua "conversão".

Era a véspera do Natal de 1886. Na família Martin havia um costume: as crianças deixavam os sapatos perto da lareira, e o pai colocava presentes dentro deles. Teresinha, aos treze anos, ainda participava daquela tradição de criança pequena. Ao subir a escada para guardar o chapéu, ouviu o pai comentar lá embaixo, cansado:

— Ainda bem que este é o último ano que teremos de fazer isso.

Em outros tempos, Teresinha teria chorado, teria se sentido ferida, teria feito drama. Mas algo mudou dentro dela naquela noite.

Teresinha desceu a escada sorrindo. Abriu os presentes com alegria, agradeceu ao pai com carinho e agiu como uma jovem madura, e não como uma criança mimada. Mais tarde, ela escreveria que naquela noite de Natal o Menino Jesus lhe deu a Sua força e transformou o seu coração. A partir dali, Teresinha parou de chorar por tudo. Tornou-se forte, corajosa, madura. Tinha treze anos e meio e uma certeza absoluta: queria ser carmelita.

— Papai — disse ela —, quero entrar no Carmelo. Quero ser freira contemplativa como Pauline e Marie.

Marie, outra das irmãs, também já tinha entrado. Louis Martin ficou atônito: a sua filha mais nova, a sua "pequena rainha", com apenas treze anos. Mas, vendo a determinação nos olhos dela, chorou e concordou.

— Você é uma florzinha que Deus quer para Si — disse ele. — Eu não vou impedi-Lo de colhê-la.

Teresinha declarando sua vocação
Aos 13 anos, Teresinha anunciou que queria ser carmelita.

Teresinha foi ao bispo pedir permissão, e ele disse que ela era jovem demais. Foi ao superior do Carmelo, e ele mandou esperar alguns anos. Mas Teresinha não desistiu.

Em novembro de 1887, o pai a levou numa peregrinação a Roma, que incluía uma audiência com o Papa Leão XIII. Era a grande chance de Teresinha. Centenas de pessoas passavam depressa diante do Papa, com ordens de não falar com ele. Mas, quando chegou a sua vez, Teresinha se ajoelhou e disse:

— Santidade, em honra do seu Jubileu, permita que eu entre no Carmelo aos quinze anos!

Os guardas se assustaram e tentaram afastá-la, pedindo silêncio. Mas Teresinha segurou firme as vestes do Papa e o olhou nos olhos, com lágrimas. O Papa Leão XIII, tocado, respondeu com bondade:

— Vá, vá, filha. Se Deus quiser, você entrará.

Teresinha com o Papa Leão XIII
Teresinha ousou pedir permissão diretamente ao Papa!

Teresinha voltou para casa e esperou. Esperou e esperou. Finalmente, em janeiro de 1888, a permissão chegou — mas ela ainda deveria aguardar até depois da Páscoa. No dia 9 de abril de 1888, Teresinha Martin, com apenas quinze anos, entrou no Carmelo de Lisieux. Estava radiante: o seu sonho se realizava.

— Estou tão feliz — disse ela. — Vim ao Carmelo para salvar almas e rezar pelos sacerdotes.

Teresinha não entrou no convento para fugir do mundo. Entrou para lutar por ele, através da oração e do sacrifício. Seria uma guerreira escondida, uma pequena flor oferecida a Deus. E costumava repetir, com o coração ardendo: "Escolhi tudo. Quero ser santa. Quero amar Jesus como Ele nunca foi amado."

A sua jornada estava apenas começando.

❤️ ✝️ ❤️

Reflexão

Teresinha nos ensina que a santidade não significa ser perfeito desde o começo. Ela era sensível, chorava muito, tinha medos — mas nunca desistiu de amar Jesus. Como ela, podemos ser "pequenas flores": não precisamos ser grandes nem famosos, basta amar a Deus com tudo o que temos.

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