São João Paulo II - Parte 2: Do Padre ao Papa
Santos

São João Paulo II - Parte 2: Do Padre ao Papa

por Vida de Santo

Idades 10-12
12 min de leitura

Padre Karol Wojtyla não era um padre comum. Tinha apenas vinte e oito anos quando chegou à Paróquia de São Floriano, em Cracóvia, em 1949, e ali começou um trabalho extraordinário com os jovens. Os estudantes universitários ficavam encantados com aquele padre jovem, inteligente, esportista e alegre. Padre Karol os entendia e falava a língua deles, mas também os desafiava a buscar a santidade. E assim, sem alarde, nasceu um movimento que um dia ajudaria a mudar a Polônia.

Padre Karol com jovens
Padre Karol tinha um ministério extraordinário com jovens universitários.

O Padre das Montanhas

Padre Karol tinha um jeito único de evangelizar: a aventura. Ele levava os jovens para acampar nas montanhas Tatra, para esquiar, para remar nos lagos. Eles chamavam esse grupo de amigos de Środowisko, o Ambiente, unidos pela fé e pelas trilhas. Padre Karol caminhava com eles por horas, conversando sobre filosofia, teologia, a vida, o amor, a vocação. Celebrava a Missa ao ar livre, com as montanhas servindo de catedral, e à noite todos se sentavam ao redor da fogueira para cantar e rezar o terço.

Padre Karol nas montanhas
Padre Karol levava jovens para aventuras nas montanhas.

Os jovens o amavam, mas ele não buscava ser popular: buscava a santidade deles. Padre Karol era exigente, e os chamava à pureza, à oração diária, à confissão frequente.

— Vocês não foram feitos para a mediocridade — dizia ele. — Foram feitos para a grandeza.

Muitos daqueles jovens se tornaram padres, religiosas ou pais e mães de família muito dedicados a Deus. Anos depois, eles contavam que Padre Karol tinha mudado as suas vidas, mostrando que a santidade é possível e é alegre.

O Professor Universitário

Enquanto servia como padre, Karol continuava estudando. Fez um segundo doutorado, dessa vez em filosofia, com uma tese sobre ética. Em 1954, aos trinta e quatro anos, começou a ensinar ética na Universidade Católica de Lublin. As aulas do professor Wojtyla eram disputadíssimas, porque ele não ensinava só filosofia: ensinava como viver, como amar, como ser plenamente humano. Escreveu livros e artigos, e participava de congressos em vários países.

Professor Wojtyla ensinando
Karol era um professor universitário brilhante.

O Bispo Mais Jovem

Em 1958, o Papa Pio XII nomeou Karol Wojtyla Bispo Auxiliar de Cracóvia. Karol tinha apenas trinta e oito anos e era o bispo mais jovem da Polônia. Muita gente se surpreendeu e se perguntava quem era aquele jovem professor. Mas quem o conhecia sabia: Karol era santo e brilhante, exatamente o que a Igreja precisava na Polônia comunista.

Karol foi consagrado bispo em 28 de setembro de 1958, na Catedral de Wawel. Escolheu como lema episcopal as palavras Totus Tuus, que querem dizer "Todo Teu", uma entrega completa a Nossa Senhora.

Como bispo, Karol não mudou. Continuou simples, acessível, perto do povo. Visitava paróquias distantes, crismava crianças, ordenava padres, consolava os aflitos. Mas também enfrentava o regime comunista, que tentava sufocar a Igreja fechando templos, prendendo padres e proibindo a catequese. Dom Karol lutava com armas diferentes: a verdade, a coragem e o amor. Aos poderosos, ele repetia com serenidade que podiam perseguir a Igreja, mas jamais conseguiriam destruir a verdade.

Bispo Karol enfrentando comunistas
Dom Karol enfrentou corajosamente o regime comunista.

O Concílio Vaticano II

Em 1962, o Papa João XXIII convocou o Concílio Vaticano II, a maior reunião de bispos daquele século. Dom Karol participou das quatro sessões, de 1962 a 1965, e contribuiu de modo especial no documento sobre a Igreja no mundo moderno, a Gaudium et Spes. Ele defendia que a Igreja deve dialogar com o mundo sem perder a própria identidade: anunciar o Evangelho com clareza, mas com amor e respeito. Os outros bispos saíram impressionados com a inteligência e a santidade daquele polonês.

Arcebispo e Cardeal

Em 1964, Dom Karol foi nomeado Arcebispo de Cracóvia, líder da Igreja na segunda maior cidade da Polônia. Assumiu com humildade e com determinação: queria que Cracóvia fosse exemplo de fé viva. Três anos depois, em 1967, o Papa Paulo VI o fez Cardeal. Agora Wojtyla era um dos líderes da Igreja no mundo inteiro, participava de decisões importantes e viajava a Roma com frequência. Mesmo assim, continuava simples: morava com modéstia, sentava-se à mesa com os pobres e rezava horas por dia.

Cardeal Wojtyla
Karol tornou-se Cardeal em 1967.

A Luta pela Igreja na Polônia

Como Arcebispo, o Cardeal Wojtyla lutou pela construção de novas igrejas, coisa que o governo comunista proibia. Os oficiais respondiam que o povo não precisava de igrejas, e sim de fábricas. Mas Karol era persistente: argumentava, negociava, insistia.

A luta mais famosa foi pela Igreja da Arca do Senhor, em Nowa Huta, uma cidade operária construída sem nenhuma igreja. Durante anos, Karol celebrou Missas ao ar livre naquele lugar, enfrentou a má vontade das autoridades e nunca desistiu. Enfim, em 1977, a igreja ficou pronta, e o próprio Cardeal a consagrou, diante de uma multidão que chorava de alegria.

Igreja Arca do Senhor
Cardeal Wojtyla lutou anos para construir igrejas sob o comunismo.

1978: O Ano dos Três Papas

Em agosto de 1978, o Papa Paulo VI morreu, depois de quinze anos de pontificado. O Conclave elegeu o Cardeal Albino Luciani, que tomou o nome de João Paulo I. O mundo logo se afeiçoou ao novo Papa, simples, alegre e humilde. Mas, apenas trinta e três dias depois, João Paulo I morreu de um ataque do coração. Foi um choque para o mundo inteiro: dois Papas em dois meses. E os Cardeais precisaram se reunir de novo em Conclave.

O Conclave de Outubro

Em 14 de outubro de 1978, cento e onze Cardeais entraram na Capela Sistina com uma missão: eleger o 264º Papa. O Cardeal Wojtyla estava entre eles, mas não esperava ser eleito. Era jovem, tinha cinquenta e oito anos, e era polonês, e havia quatrocentos e cinquenta e cinco anos que todos os Papas eram italianos. Ninguém imaginava um Papa estrangeiro.

As votações começaram. No primeiro dia, nenhum nome alcançou a maioria. No segundo dia, os votos foram convergindo, devagar, para um nome inesperado: Karol Wojtyla. Os Cardeais tinham percebido que aquele homem santo, brilhante e corajoso era o que a Igreja precisava.

Capela Sistina durante Conclave
Os Cardeais se reuniram para eleger o novo Papa.

"Habemus Papam"

Em 16 de outubro de 1978, no meio da tarde, a fumaça branca subiu da chaminé da Capela Sistina. Havia um novo Papa. Na Praça de São Pedro, duzentas mil pessoas esperavam ansiosas, e a multidão explodiu em alegria. Então o Cardeal Pericle Felici apareceu na sacada e anunciou, em latim:

— Annuntio vobis gaudium magnum: Habemus Papam! Carolum Cardinalem Wojtyla, qui sibi nomen imposuit Joannem Paulum Secundum.

Quer dizer: "Anuncio-vos uma grande alegria: temos Papa. O Cardeal Karol Wojtyla, que tomou o nome de João Paulo II."

Na praça, houve um momento de confusão. Wojtyla? Quem era esse? Um polonês, o primeiro Papa não italiano em quase quinhentos anos. Mas quando João Paulo II apareceu na sacada, todos sentiram que aquele homem era diferente.

As Primeiras Palavras

João Paulo II pegou o microfone. Estava emocionado, mas também radiante. Falou em italiano, ainda com sotaque polonês:

— Louvado seja Jesus Cristo. Os eminentíssimos Cardeais me chamaram de um país distante... distante, mas sempre muito próximo pela comunhão na fé e na tradição cristã. Tive medo de receber esta nomeação, mas a aceitei em espírito de obediência a Nosso Senhor e com total confiança em sua Mãe, a Santíssima Virgem.

E então acrescentou, com um sorriso:

— Não sei se posso me explicar bem na vossa... na nossa língua italiana. Se eu errar, vocês me corrigem!

A multidão respondeu com risos e aplausos. Aquele Papa era humano, simpático, alegre. E ele continuou:

— Assim me apresento a todos vocês, para confessar a nossa fé comum, a nossa esperança, a nossa confiança na Mãe de Cristo e da Igreja, e também para começar de novo neste caminho da história e da Igreja.

Primeiro discurso de João Paulo II
João Paulo II conquista o mundo com suas primeiras palavras.

As pessoas ficaram encantadas. Diziam umas às outras que aquele Papa falava com o coração, que se via de longe o quanto ele amava as pessoas. Na Polônia, a alegria foi indescritível, e milhões choraram de felicidade: um Papa polonês, nascido sob o regime comunista, era quase um milagre.

Karol Wojtyla, o menino órfão de Wadowice, o operário da pedreira, o estudante do seminário clandestino, era agora João Paulo II, o 264º Papa da Igreja Católica. E o mundo nunca mais seria o mesmo.

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Reflexão

Karol nunca correu atrás de cargos ou de glória; ele apenas fez, com amor, o que Deus lhe pedia em cada momento, como padre, como bispo e como cardeal. Foi Deus quem o conduziu, passo a passo, até uma missão que ele nem sonhava. Faça bem e com carinho o que Deus pede a você hoje, no lugar onde você está, e confie que Ele cuida do resto.

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