Teseu - Parte 2: O Minotauro
Épicos & Mitos Clássicos

Teseu - Parte 2: O Minotauro

por Mitologia Grega

Idades 10-12
14 min de leitura

Conteúdo Sensível

Esta história contém cenas de confronto com um monstro e morte trágica. As descrições são apropriadas para leitores mais velhos.

Quando Teseu chegou ao palácio de Atenas, encontrou seu pai, Egeu... mas também a perigosa feiticeira Medeia. Ela havia se casado com Egeu depois de fugir de Jasão, tinha um filho com o rei e queria que esse filho herdasse o trono — não Teseu.

— Quem é este jovem estrangeiro? — perguntou Medeia, com voz doce como mel, mas cheia de veneno.

— Não sei — disse Egeu. — Mas venceu todos os bandidos da estrada. É impressionante.

Medeia olhou para Teseu e percebeu quem ele realmente era. Viu a semelhança com Egeu, e decidiu eliminá-lo antes que o rei o reconhecesse.

— Meu rei — murmurou ela —, este estrangeiro pode ser perigoso. Pode ser um espião. Deixe-me preparar uma taça de vinho para ele, como hospitalidade.

Mas, em segredo, Medeia misturou ao vinho um veneno mortal.

No banquete, Teseu sentou-se à mesa real, e Medeia lhe trouxe a taça envenenada.

— Beba, jovem herói — disse ela, com um sorriso falso.

Teseu já ia beber quando puxou a espada para cortar a carne. Egeu viu a arma e a reconheceu na mesma hora: era a sua, a espada que ele escondera sob a rocha dezesseis anos antes.

— Espere! — gritou Egeu, derrubando a taça da mão de Teseu. O vinho envenenado se espalhou pelo chão, murchando as plantas que tocava.

— Esta espada é minha — disse o rei, tremendo. — Você... você é meu filho? Teseu?

— Sim, pai — sorriu Teseu. — Vim de Trezena. Movi a rocha e trouxe suas sandálias e sua espada.

Egeu abraçou o filho, chorando de alegria. Medeia, vendo o plano desfeito, fugiu do palácio em sua carruagem voadora puxada por dragões, para nunca mais voltar.

Atenas celebrou a volta do príncipe. Mas a alegria durou pouco. Dias depois, um navio negro chegou de Creta, e dele desceram os soldados do rei Minos.

— É hora do tributo — anunciaram.

O povo de Atenas gemeu de horror. Teseu não entendia, e Egeu explicou com tristeza. Anos antes, um príncipe de Creta morrera em terras atenienses, e o rei Minos culpara Atenas, vencera a cidade na guerra e imposto um tributo terrível: a cada nove anos, sete rapazes e sete moças deviam ser enviados a Creta, para serem entregues ao Minotauro.

— Minotauro? — perguntou Teseu.

— Uma criatura monstruosa, metade homem, metade touro. Vive no Labirinto, um palácio de corredores sem fim construído por Dédalo. Ninguém que entra consegue sair.

As famílias de Atenas choravam enquanto os jovens eram escolhidos por sorteio. Quatorze para morrer. Teseu não suportou.

— Não. Irei no lugar de um deles.

— Não! — gritou Egeu. — Acabei de encontrar você. Não posso perdê-lo.

— Pai — disse Teseu com firmeza —, sou príncipe de Atenas, e é meu dever proteger meu povo. E farei mais: vou matar o Minotauro e acabar com este tributo para sempre.

— É impossível — disse Egeu. — Ninguém sobrevive ao Labirinto.

— Encontrarei um jeito — prometeu Teseu.

Com o coração apertado, Egeu concordou.

— Vá com as velas negras, como todos os navios do tributo. Mas, se vencer o Minotauro e sobreviver, troque as velas por brancas na volta. Assim, de longe, saberei que você está vivo.

Teseu prometeu que lembraria.

O navio navegou para Creta. Os jovens atenienses iam apavorados, mas Teseu os encorajava.

— Não percam a esperança. Lutarei contra o Minotauro e levarei todos nós de volta para casa.

Quando chegaram, foram levados ao palácio do rei Minos. No meio da multidão que observava estava Ariadne, a filha do rei. Ela olhou para Teseu, tão corajoso e tão nobre, e sentiu que não podia deixá-lo morrer.

Naquela noite, Ariadne desceu em segredo até a cela de Teseu.

— Sou Ariadne, filha do rei — disse ela. — Quero ajudar você. Mas peço uma coisa em troca.

— O quê? — perguntou Teseu.

— Leve-me com você quando fugir, e case-se comigo. Não aguento mais viver nesta ilha onde meu pai entrega pessoas a um monstro.

Teseu olhou para ela. Era bela e corajosa.

— Prometo. Mas como posso vencer o Minotauro e sair do Labirinto?

Ariadne trouxe dois presentes. O primeiro era uma espada que brilhava de leve no escuro. O segundo, o mais importante, era um simples novelo de fio.

— O Labirinto é impossível — explicou ela. — Mil corredores, todos iguais. Mas amarre a ponta deste fio na entrada e vá desenrolando pelo caminho. Na volta, é só seguir o fio até a saída.

Era genial de tão simples. Teseu beijou a mão de Ariadne.

— Você é tão sábia quanto bela.

Na manhã seguinte, Teseu e os outros treze jovens foram levados à entrada do Labirinto. A porta se abriu, revelando a escuridão e os corredores sem fim. Teseu amarrou o fio de Ariadne no batente da porta e, com coragem, entrou.

Teseu avançou pelo Labirinto, desenrolando o fio, enquanto os outros jovens ficavam perto da entrada, com medo de ir mais fundo. Os corredores não acabavam nunca: esquerda, direita, escadas que subiam, escadas que desciam, salas vazias, becos sem saída. Mas Teseu continuava, sempre segurando o fio.

E então ele ouviu. Uma respiração pesada. Passos pesados. E um rugido que ecoou pelas paredes de pedra, nem totalmente humano, nem totalmente animal.

O Minotauro.

Teseu dobrou uma esquina, e lá estava ele. O Minotauro era imenso, com corpo musculoso de homem e uma enorme cabeça de touro, de chifres afiados como lanças. Seus olhos vermelhos brilhavam de fúria.

O Minotauro viu Teseu e atacou. Teseu escapou dos chifres por um palmo, e o monstro se chocou contra a parede, fazendo o Labirinto inteiro tremer. Teseu golpeou com a espada e feriu o ombro da criatura, mas o Minotauro era forte demais e mal sentiu o corte.

Num revide, o monstro arremessou Teseu contra a parede, e ele sentiu as costelas estalarem. O Minotauro investiu de novo, e Teseu rolou pelo chão, os chifres passando onde sua cabeça estivera um segundo antes. Era uma dança mortal: Teseu era mais rápido, o Minotauro era mais forte, e um único erro seria o fim.

Então Teseu teve uma ideia. Quando o Minotauro investiu outra vez, ele não se jogou para o lado: saltou para cima e agarrou os chifres. O monstro rugiu e sacudiu a cabeça com violência, mas Teseu não soltou.

Com toda a sua força, Teseu torceu o pescoço do Minotauro. A fera urrou de dor, e Teseu torceu ainda mais, até que o pescoço do monstro se quebrou e ele tombou, sem vida.

Teseu ficou de pé, ferido e exausto, mas vitorioso. O terror de Creta estava morto. Ele seguiu o fio de volta, palmo a palmo, curva após curva, até enxergar de novo a luz da entrada. Os outros jovens gritaram de alegria ao vê-lo vivo.

— O Minotauro está morto — anunciou Teseu. — Estamos livres.

Do lado de fora, Ariadne esperava. Quando viu Teseu, correu para os braços dele.

— Agora, fujamos — disse ele.

Teseu, Ariadne e os treze jovens atenienses correram para o porto. Antes de zarpar, Teseu furou os cascos dos navios de guerra de Creta, para que ninguém pudesse persegui-los. E partiram no navio negro, deixando a ilha para trás.

Na viagem de volta, porém, algo estranho aconteceu. O navio parou na ilha de Naxos para buscar água e, durante a noite, Teseu teve um sonho. O deus Dionísio apareceu diante dele.

— Teseu, Ariadne não é para você. Ela está destinada a ser minha esposa. Deixe-a em Naxos.

Teseu acordou confuso e dividido. Devia obedecer a um deus? Mas havia prometido casar-se com Ariadne. Com tristeza, decidiu obedecer. Enquanto Ariadne dormia na praia, ele e os atenienses partiram.

Quando Ariadne acordou, viu o navio já longe, e chorou sozinha na areia, chamando por Teseu. Então Dionísio veio consolá-la.

— Não chore, Ariadne. Teseu era apenas um mortal. Eu farei de você minha esposa imortal.

E assim foi. Ariadne tornou-se deusa, esposa de Dionísio.

Teseu seguiu viagem triste e distraído pela perda de Ariadne. Tão distraído que esqueceu de trocar as velas do navio. Elas continuaram negras.

Enquanto isso, em Atenas, Egeu esperava. Todos os dias subia ao penhasco e olhava o mar, à procura do navio do filho. Até que um dia viu velas no horizonte. Um navio se aproximava. E as velas eram negras.

— Não — murmurou o velho rei. — Teseu está morto. Meu filho está morto.

Tomado por uma dor que não coube no peito, Egeu se lançou do penhasco ao mar. Desde então, aquele mar se chama Mar Egeu, em memória do rei que morreu de tristeza.

Quando Teseu desembarcou, feliz por ter salvado os jovens e vencido o Minotauro, recebeu a notícia terrível: seu pai havia morrido.

— As velas — chorou Teseu. — Esqueci de trocar as velas.

Ele chorou amargamente. Seu maior triunfo tinha se tornado sua maior tragédia: salvara quatorze vidas, mas perdera o próprio pai por um esquecimento.

Teseu tornou-se rei de Atenas e governou com sabedoria por muitos anos. Uniu todas as cidades da Ática sob Atenas e plantou as primeiras sementes da democracia. Mas nunca esqueceu suas duas grandes perdas: Ariadne, que amou e deixou, e Egeu, o pai que encontrou e perdeu.

As histórias de Teseu continuaram, com muitas outras aventuras. Nenhuma, porém, ficou tão famosa quanto o dia em que ele entrou no Labirinto e venceu o Minotauro.

❤️ ✝️ ❤️

Reflexão

Esta história nos ensina que os verdadeiros líderes protegem seu povo, mesmo correndo perigo, e que toda vitória pede cuidado até o fim. Teseu foi corajoso diante do monstro, mas um pequeno esquecimento lhe custou muito caro — e é por isso que a atenção e a lembrança de quem nos ama também fazem parte do heroísmo.

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