Os Três Pastorinhos de Fátima - Parte 1: Francisco e Jacinta
Santos

Os Três Pastorinhos de Fátima - Parte 1: Francisco e Jacinta

por Vida de Santo

Idades 7-9
11 min de leitura

Francisco e Jacinta Marto eram irmãos e moravam em Aljustrel, um pequeno vilarejo perto de Fátima, em Portugal. Francisco nasceu em 1908, e Jacinta em 1910. Os dois eram primos de Lúcia dos Santos. Eram crianças como tantas outras: pobres, sem escola, passando os dias no campo a cuidar das ovelhas. Mas Deus os escolheu para algo extraordinário.

Em 1917, Nossa Senhora apareceu a eles seis vezes, e essas aparições mudaram completamente as suas vidas. Só que não foram apenas as aparições: foi o que eles fizeram depois delas que os tornou santos.

Francisco e Jacinta pequenos
Francisco e Jacinta eram crianças simples de Aljustrel.

Francisco: O Contemplativo Silencioso

Francisco era um menino gentil e tranquilo, que gostava de tocar a sua flauta para as ovelhas e de olhar a natureza. Durante as aparições, aconteceu com ele uma coisa curiosa: ele podia ver Nossa Senhora, mas não conseguia ouvi-la. Só Lúcia falava com Nossa Senhora e a ouvia; Jacinta ouvia, mas não falava; e Francisco via, sem ouvir nada. Ninguém sabe ao certo por quê. Mas foi isso que moldou o jeito de Francisco amar a Deus: como não ouvia as palavras, ele se dedicou a contemplar, a ficar quieto na presença de Deus, amando em silêncio.

Francisco contemplando
Francisco não ouvia Nossa Senhora, mas a contemplava em silêncio.

Depois das aparições, Francisco mudou por completo. Ele dizia que Nossa Senhora tinha contado que Jesus estava muito triste por causa dos pecados, e que ele queria consolá-lo. Passou a ir à igreja de fininho e ficava horas ajoelhado diante do sacrário, o lugar onde a Eucaristia fica guardada.

— O que você faz aí? — perguntavam.

— Estou consolando Jesus — respondia Francisco. — Ele está muito triste, porque os pecadores o fazem sofrer. Então eu fico aqui, fazendo companhia a ele.

Era um menino de nove anos querendo consolar Deus.

Francisco também fazia sacrifícios pelos pecadores. Dava a sua comida aos pobres e ficava com fome, e deixava de beber água nos dias quentes. Certa vez, as crianças encontraram um pedaço de corda grossa caído no chão e resolveram amarrá-lo na cintura, por baixo da roupa, como penitência. A corda machucava, e Francisco a usava dia e noite; às vezes doía tanto que ele nem conseguia dormir.

— Francisco, tire isso — pedia Lúcia. — Está machucando você.

— Não tiro — respondia ele. — Quero sofrer por Nosso Senhor, para consolar o coração dele.

Crianças fazendo sacrifícios
As crianças faziam sacrifícios heroicos pelos pecadores.

Jacinta: A Pequena Que Amava Muito

Jacinta era a mais nova: tinha só sete anos no tempo das aparições. Era uma menininha alegre, que adorava dançar e brincar. Mas, depois de ver o inferno na visão de julho, ficou diferente. O que ela mais queria era ajudar a salvar almas.

— Lúcia — dizia ela, chorando —, tantas almas se perdem. Precisamos rezar e fazer sacrifícios por elas.

Jacinta pequena e séria
Jacinta, após ver o inferno, dedicou-se a salvar pecadores.

Jacinta fazia sacrifícios com um capricho todo dela. Certa vez, num dia muito quente, as três crianças estavam morrendo de sede e encontraram água fresca num poço. Quando já iam beber, Jacinta disse:

— Não vamos beber. Vamos oferecer esta sede a Jesus, pelos pecadores.

E as três passaram o dia inteiro no sol forte sem beber uma gota. Noutro dia, Lúcia trouxe uvas docinhas para comerem juntas. Jacinta olhou para as uvas, pensou um pouco e disse que iam dar tudo aos pobres, e ficar com fome por Jesus. E assim fizeram.

Jacinta também rezava o tempo todo pelos pecadores, repetindo a oração que Nossa Senhora tinha ensinado:

Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

Ela dizia essa oração muitas e muitas vezes por dia, oferecendo cada cansaço e cada dorzinha. Rezava de modo especial pelos sacerdotes, pelas pessoas que falavam mal de Deus e por quem ainda não amava Nossa Senhora. As crianças diziam que até uma gota de água oferecida por amor podia ajudar a converter um pecador.

Jacinta rezando intensamente
Jacinta rezava incessantemente pelos pecadores.

A Gripe Espanhola Chega

Em 1918, uma doença terrível chamada gripe espanhola chegou a Portugal. Pelo mundo inteiro, milhões de pessoas morreram. Francisco e Jacinta também adoeceram, e ficaram muito mal. Mas, em vez de reclamar, os dois ofereciam o sofrimento pelos pecadores, como sempre tinham feito.

Francisco foi ficando fraco, com febre alta e muita tosse, e mesmo assim guardava o seu sorriso manso.

— Francisco, você está sofrendo muito? — perguntavam.

— Estou — respondia ele baixinho. — Mas ofereço tudo para consolar Nosso Senhor.

Jacinta sofria também, e dizia que aceitava sofrer ainda mais, se isso ajudasse a salvar mais almas.

Francisco sabia que ia morrer. Nossa Senhora tinha prometido que o levaria para o Céu em breve, e ele não tinha medo nenhum. Estava até contente, porque ia ver Jesus e Nossa Senhora de pertinho. Antes de partir, pediu perdão a todos, confessou-se e recebeu Jesus na Comunhão pela primeira vez, já na cama, na véspera do fim.

No dia 4 de abril de 1919, com dez anos de idade, Francisco estava chegando ao fim. A família toda estava em volta da cama. Ele sorriu, disse que via uma luz muito linda perto da porta, e então, devagarinho, em paz, morreu. O seu rosto ficou sereno, como o de quem está vendo algo maravilhoso. Foi consolar Jesus para sempre.

Morte de Francisco
Francisco morreu aos 10 anos, em paz, vendo uma luz linda.

Jacinta ficou ainda mais doente do que Francisco. A gripe trouxe uma inflamação dolorosa no peito, e os médicos tentaram operações difíceis. Ela sofria muito, mas oferecia tudo, repetindo baixinho que era pelos pecadores. Nossa Senhora apareceu a Jacinta algumas vezes durante a doença, para consolá-la e dar-lhe força. Antes de morrer, Jacinta ainda falou de coisas que aconteceriam no futuro, como novas guerras e perseguições à Igreja — e o tempo mostrou que ela tinha razão.

Jacinta muito doente
Jacinta sofreu dores terríveis, mas ofereceu tudo com amor.

Jacinta foi levada para um hospital em Lisboa, longe da família. Morreu num quarto de hospital, sem ninguém da sua casa por perto, no dia 20 de fevereiro de 1920, com nove anos de idade. Mas não estava sozinha de verdade: Nossa Senhora estava com ela, como tinha prometido. Pouco antes do fim, Jacinta disse à enfermeira que ia para o Céu, ver Nossa Senhora. E partiu em paz.

Quinze anos depois, quando o seu caixão foi aberto, o rosto de Jacinta estava preservado, com uma expressão de paz.

O Legado de Francisco e Jacinta

Essas duas crianças viveram vidas curtinhas, de dez e nove anos, mas amaram a Deus com uma intensidade extraordinária. Francisco nos ensina a contemplação silenciosa: não são precisas muitas palavras, basta estar com Jesus, fazendo companhia a ele. Jacinta nos ensina o sacrifício pelos pecadores: oferecer as pequenas dificuldades de cada dia por amor. E os dois juntos nos ensinam que a santidade também é coisa de criança — não é preciso esperar crescer para amar a Deus de verdade.

Túmulos dos pastorinhos
Os pastorinhos estão enterrados no Santuário de Fátima.

Em 13 de maio de 2017, exatamente cem anos depois da primeira aparição, o Papa Francisco canonizou os dois irmãos. Eles são agora São Francisco Marto e Santa Jacinta Marto, os santos não mártires mais jovens da história da Igreja. Milhões de pessoas visitam os seus túmulos em Fátima, pedem a sua intercessão e aprendem com o seu exemplo. Eles mostraram que a santidade não é questão de idade, mas de amor.

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Reflexão

São Francisco e Santa Jacinta mostram que criança também pode ser santa. Não é preciso fazer coisas grandiosas: dá para começar hoje, com uma oração pelos outros, um pequeno sacrifício feito com amor, um tempinho quieto na companhia de Jesus. Foi assim, com gestos pequenos e um coração enorme, que dois pastorinhos chegaram ao Céu.

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