O Escravo e o Leão
Um homem escravizado fugiu do senhor que o tratava com muita crueldade. Para não ser capturado, embrenhou-se no deserto. Enquanto vagava em busca de comida e abrigo, chegou a uma caverna, entrou e a encontrou vazia.
A caverna, porém, era a toca de um leão. Para o pavor do fugitivo, o leão apareceu na entrada. Mas, para seu espanto, o animal não o atacou. Veio devagar, como quem pede ajuda, gemendo baixinho e erguendo uma das patas, que estava muito inchada e inflamada.
O homem olhou com atenção e viu um grande espinho cravado na almofada do pé. Com todo o cuidado, tirou o espinho e enfaixou a ferida o melhor que pôde. Com o passar dos dias, a pata sarou por completo. O leão, agradecido, passou a ver naquele homem um amigo, e os dois dividiram a caverna por um bom tempo.
Um dia, porém, o homem sentiu saudade de gente, de conversa, de ver outros rostos. Despediu-se do leão e voltou para a cidade. Lá foi reconhecido, preso e levado acorrentado ao antigo senhor, que resolveu fazer dele um exemplo e ordenou:
— Que esse fugitivo ingrato seja atirado às feras no próximo espetáculo do teatro.
No dia marcado, as feras foram soltas na arena, e entre elas vinha um leão enorme, de aspecto feroz. O homem foi jogado no meio delas. Mas, para surpresa de todos, o leão caminhou até ele e deitou-se junto de seus pés, com uma expressão de afeto. Era o amigo da caverna. O público, encantado, clamava:
— Não o matem! Ele é um homem bom.
O governador da cidade, maravilhado com tanta gratidão e fidelidade em uma fera, decretou que os dois receberiam a liberdade.
Moral da História



