São Paulo Apóstolo: A Luz no Caminho de Damasco
Santos

São Paulo Apóstolo: A Luz no Caminho de Damasco

por Vida de Santo

Idades 10-12
13 min de leitura

Conteúdo Sensível

Esta história conta a vida de São Paulo como está nos Atos dos Apóstolos, e nela aparecem a morte de Santo Estêvão, prisões e perseguições. Tudo é narrado com calma e sem detalhes assustadores, mas o tema é sério e indicado para leitores mais velhos.

Na cidade de Tarso, no sul da terra que hoje se chama Turquia, nasceu um menino judeu a quem deram o nome de Saulo. Tarso era uma cidade grande e movimentada, cheia de comerciantes, de escolas e de navios, e a família de Saulo tinha ali um privilégio raro: era cidadã de Roma. Isso significava direitos que quase ninguém tinha no império, e um dia isso faria muita diferença.

Saulo aprendeu duas coisas ao mesmo tempo. Aprendeu um ofício com as mãos, o de fazer tendas, costurando panos grossos de pelo de cabra, porque entre o seu povo até os sábios deviam saber ganhar o próprio pão. E aprendeu a Lei de Deus com a cabeça: mandaram-no para Jerusalém, onde estudou aos pés de Gamaliel, um dos mestres mais respeitados da cidade. Saulo tornou-se fariseu, daqueles que guardam cada mandamento com um cuidado enorme, e não havia entre os jovens quem fosse mais dedicado do que ele.

Foi justamente esse cuidado que o transformou num perseguidor. Quando começaram a surgir em Jerusalém pessoas dizendo que Jesus de Nazaré, crucificado e sepultado, estava vivo, Saulo teve certeza de que aquilo era uma mentira perigosa. E achou que estava servindo a Deus ao combatê-la.

O Rapaz que Guardou os Mantos

Um dos seguidores de Jesus chamava-se Estêvão. Ele falava com tanta coragem que seus adversários não conseguiam responder, e por isso o arrastaram para fora da cidade e o mataram a pedradas. Os que atiraram as pedras tiraram os mantos para ficar mais leves e deixaram as roupas aos pés de um rapaz. Esse rapaz era Saulo, e os Atos dos Apóstolos dizem que ele aprovava aquela morte.

A partir daquele dia, Saulo se tornou o pior inimigo da jovem Igreja. Entrava nas casas, arrancava de lá homens e mulheres e os levava para a prisão. Quando soube que havia seguidores de Jesus na cidade de Damasco, longe dali, pediu cartas às autoridades de Jerusalém para prendê-los também e pôs-se a caminho com alguns companheiros.

A Luz no Meio do Caminho

A viagem era longa, de vários dias, por estradas de poeira. Quando já estavam chegando perto de Damasco, uma luz do céu, mais forte que o sol do meio-dia, brilhou de repente ao redor de Saulo. Ele caiu por terra. E ouviu uma voz que o chamava pelo nome.

— Saulo, Saulo, por que você me persegue?

Saulo não entendia nada. Perguntou, tremendo, quem falava com ele.

— Eu sou Jesus, a quem você persegue. Levante-se, entre na cidade, e lá lhe dirão o que deve fazer.

Os homens que viajavam com ele ficaram parados, sem palavras: ouviam a voz, mas não viam ninguém. Saulo se levantou do chão, abriu os olhos e descobriu que não enxergava mais nada. Tiveram que levá-lo pela mão até Damasco, ele que tinha saído de Jerusalém tão seguro de si. Ficou três dias sem ver, sem comer e sem beber, tentando entender o que tinha acontecido.

Ananias, o Homem Corajoso

Morava em Damasco um discípulo chamado Ananias. Numa visão, o Senhor lhe pediu que fosse procurar Saulo de Tarso, na casa de um homem chamado Judas, na rua que se chamava Direita. Ananias ficou apavorado, e respondeu com toda a sinceridade que muita gente já lhe tinha contado o mal que aquele homem fizera aos cristãos de Jerusalém, e que ele chegara a Damasco justamente para prender os que ali estavam.

— Vá — disse o Senhor. — Este homem é um instrumento que eu escolhi para levar o meu nome diante das nações, dos reis e do povo de Israel.

Ananias foi. Entrou na casa, encontrou aquele perseguidor cego e sentado, e a primeira palavra que lhe disse foi a mais espantosa de toda a história.

— Saulo, meu irmão, o Senhor Jesus, que apareceu a você no caminho, me enviou para que você volte a enxergar e fique cheio do Espírito Santo.

Ananias pôs as mãos sobre ele. Nesse instante caíram dos olhos de Saulo como que umas escamas, e ele tornou a ver. Levantou-se, foi batizado e comeu alguma coisa, e as forças voltaram. Poucos dias depois, para espanto da cidade inteira, já estava nas sinagogas de Damasco anunciando que Jesus é o Filho de Deus.

O Cesto e a Amizade

Não demorou para que quisessem matá-lo. Vigiaram as portas da cidade dia e noite, esperando o momento de agarrá-lo na saída. Então os discípulos tiveram uma ideia digna de aventura: no escuro da madrugada, puseram Saulo dentro de um grande cesto e o desceram por uma abertura na muralha, até o chão do lado de fora. Foi assim, pendurado numa corda, que o maior missionário da história escapou da primeira cidade onde pregou.

Em Jerusalém, ninguém queria chegar perto dele. Os discípulos tinham medo, e não acreditavam que aquele homem tivesse mudado de verdade. Foi um só que se dispôs a garantir por ele: Barnabé, que o tomou pela mão, levou-o aos apóstolos e contou tudo o que tinha acontecido na estrada. Anos mais tarde, foi também Barnabé quem foi buscá-lo em Tarso para trabalhar com ele na comunidade de Antioquia — a cidade onde, pela primeira vez, os seguidores de Jesus foram chamados de cristãos.

As Estradas do Império

Daí em diante, a vida de Saulo foi estrada. Ele passou a usar também o seu nome romano, Paulo, e com Barnabé e outros companheiros atravessou ilhas, montanhas e mares, atrás de qualquer lugar onde alguém quisesse ouvir. Onde chegava, procurava primeiro a sinagoga; depois falava na praça, no porto, na casa de quem o recebesse. E, para não pesar a ninguém, montava a sua barraca de trabalho e voltava a costurar tendas, como tinha aprendido menino.

As histórias daquelas viagens enchem os Atos dos Apóstolos. Em Filipos, uma comerciante de tecidos de púrpura chamada Lídia escutou Paulo à beira de um rio e abriu a casa para ele. Naquela mesma cidade, Paulo e seu companheiro Silas foram presos, e ficaram cantando salmos na cadeia até que um terremoto sacudiu as portas; em vez de fugir, ficaram, e o carcereiro, assombrado, acabou pedindo o batismo com toda a sua família. Em Atenas, Paulo reparou num altar dedicado a um deus desconhecido e usou aquilo para falar aos filósofos do Deus que eles ainda não conheciam. Em Corinto, trabalhou e morou com um casal de fabricantes de tendas, Áquila e Priscila.

Nem tudo foi vitória. Houve cidades que o expulsaram, uma multidão que o apedrejou, naufrágios, fome, noites ao relento. Paulo contou tudo isso numa carta, sem se gabar, como quem faz uma lista de contas antigas.

As Cartas

Quando não podia voltar a uma comunidade, Paulo escrevia. Ditava as cartas a um ajudante e, no fim, pegava a pena e escrevia ele mesmo a saudação, com letras grandes, para que soubessem que era dele. Escreveu aos cristãos de Roma, de Corinto, da Galácia, de Éfeso, de Filipos, de Colossos, de Tessalônica, e a amigos como Timóteo, Tito e Filêmon.

Nessas cartas ele brigava, explicava, pedia desculpas, fazia planos de viagem e, de vez em quando, parava tudo para escrever algo tão bonito que o mundo nunca mais esqueceu. Foi numa carta aos coríntios que ele disse que podemos falar todas as línguas, saber todos os mistérios e ter uma fé capaz de mover montanhas — e que, sem amor, nada disso vale nada. Aquelas cartas são lidas na missa até hoje, em todas as línguas do mundo.

Roma

Numa das suas voltas a Jerusalém, Paulo foi preso no templo, no meio de um tumulto. Passou dois anos detido em Cesareia, sendo interrogado por governadores que não sabiam o que fazer com ele. Então usou o direito que trazia desde o berço: por ser cidadão romano, apelou ao imperador, e teve de ser enviado a Roma para julgamento.

A viagem foi terrível. O navio pegou uma tempestade de duas semanas e acabou se despedaçando numa praia da ilha de Malta, mas todos os que estavam a bordo chegaram vivos à areia. Meses depois, Paulo finalmente entrou em Roma, a capital do mundo, como prisioneiro. Alugou uma casa com o próprio dinheiro e ali ficou dois anos, com um soldado de guarda, recebendo todo mundo que quisesse visitá-lo e anunciando o Reino de Deus sem que ninguém o impedisse. É neste ponto que os Atos dos Apóstolos se encerram.

A tradição dos primeiros cristãos conta o resto. Durante a perseguição do imperador Nero, Paulo foi preso outra vez e condenado à morte. Por ser cidadão romano, não foi crucificado: morreu decapitado, fora dos muros da cidade, na estrada que leva ao porto de Óstia. Os cristãos guardaram o lugar do seu túmulo com um cuidado que atravessou os séculos, e sobre ele foi erguida a basílica de São Paulo Fora dos Muros, que está de pé até hoje.

Numa das suas últimas cartas, escrita já preso, ele mesmo fez o balanço da própria vida:

Combati o bom combate,

completei a corrida,

guardei a fé.

— São Paulo, na segunda carta a Timóteo

❤️ ✝️ ❤️

Moral da História

Paulo foi o inimigo mais temido da Igreja e acabou sendo o seu maior viajante, e a mudança não começou com um castigo: começou com uma pergunta. Deus não o chamou pelo que ele tinha sido, mas pelo que ainda podia ser. Ninguém está tão longe do bem que não possa dar meia-volta, e ninguém é tão cheio de erros que Deus não possa contar com ele.

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