No século III, nasceu em Narbonne, na atual França, um jovem chamado Sebastião, que cresceu em Milão, na Itália. Eram tempos muito difíceis para os cristãos. O Império Romano perseguia duramente os seguidores de Cristo: quem não adorasse os deuses romanos podia ser preso, torturado e morto. Ser cristão era crime punido com a morte.
Mas Sebastião, desde jovem, tomou sua decisão: seguiria Cristo, custasse o que custasse.

O Soldado Cristão
Sebastião era forte, inteligente e corajoso, e decidiu se tornar soldado romano. Parece estranho, não é? Servir justamente ao império que perseguia os cristãos? Mas Sebastião tinha um plano sábio. Sendo soldado, ele teria acesso às prisões e poderia ajudar os cristãos presos, consolá-los, fortalecê-los. E quem sabe até converter soldados e oficiais.
Como soldado, Sebastião era exemplar: leal, disciplinado, honesto. Subiu rapidamente de posto, tornou-se capitão e, por fim, entrou na Guarda Pretoriana, a guarda pessoal do imperador, onde só chegavam os melhores. Sebastião passou a servir bem perto do próprio imperador Diocleciano.
Mas havia um segredo que ninguém conhecia: Sebastião era cristão. Ele escondia a fé, porque precisava, ou seria morto. E, em segredo, ajudava os cristãos presos. Visitava as prisões, levava comida e remédios, consolava e fortalecia os que estavam fracos na fé.
— Não desistam — dizia ele, baixinho. — Cristo está com vocês, e o Céu os espera.

As Conversões
Sebastião não apenas consolava os cristãos: ele também conquistava novos corações para Cristo. Sua fé era tão firme, e suas palavras tão sinceras, que muitos acreditaram em Jesus por causa dele. Soldados, oficiais, prisioneiros e até nobres foram batizados em segredo.
Uma história ficou famosa. Dois irmãos cristãos, Marcos e Marcelino, estavam presos e condenados à morte. Suas famílias choravam e imploravam que eles negassem Cristo para salvar a vida. Os dois estavam abalados, quase cedendo.
Sebastião soube e foi visitá-los. Falou com coragem e com fé:
— Irmãos, não desistam agora. A vida aqui na terra é breve, mas o Céu é eterno. Cristo morreu por vocês; vale a pena ser fiel a Ele até o fim.
As palavras de Sebastião tinham uma força que parecia vir do alto. Os irmãos se firmaram na fé e decidiram não negar Cristo. Morreram mártires, fiéis até o fim. E o mais surpreendente é que a coragem deles tocou os que estavam ao redor: as próprias famílias se converteram. Converteu-se também o carcereiro Nicóstrato, com sua esposa Zoe, e até o magistrado Cromácio, com seu filho Tibúrcio.

O Milagre da Cura
Zoe, a esposa do carcereiro, carregava um sofrimento antigo: havia seis anos que não conseguia falar. Quando ela se converteu, Sebastião rezou por ela e fez o sinal da cruz sobre seus lábios. E, naquele instante, Zoe foi curada. Voltou a falar, e conta-se que sua primeira palavra foi o nome de Jesus. Todos reconheceram ali um milagre.
A Denúncia
Por anos, Sebastião viveu assim: de dia, protegia o imperador; de noite, ajudava os cristãos. Mas segredos não duram para sempre. Alguém descobriu e o delatou ao imperador: Sebastião era cristão, ajudava prisioneiros, convertia pessoas.
Diocleciano ficou furioso e o mandou chamar.
— É verdade? Você é cristão?
Sebastião não negou, não mentiu. Olhou o imperador nos olhos.
— Sim, sou cristão, e sempre fui. Eu servi fielmente ao senhor, mas sirvo a Cristo acima de tudo.

Diocleciano sentiu-se traído. Aquele homem estivera ao seu lado todo aquele tempo, adorando esse tal Jesus. Chamou-o de traidor. Sebastião respondeu com calma que nunca o havia traído: fora um soldado fiel, e sua fé em Cristo não era traição a ninguém. Ele rezava pelo imperador e por Roma. Cristo não era inimigo de César.
Mas Diocleciano não quis ouvir. Condenou Sebastião a uma morte reservada aos traidores: seria flechado pelos próprios soldados que um dia comandara. Sebastião aceitou a sentença com serenidade, dizendo apenas que fosse feita a vontade de Deus.
O Martírio das Flechas
Levaram Sebastião a um campo e o amarraram a um poste. Os arqueiros se posicionaram, e eram seus antigos companheiros. Alguns choravam e pediam que ele negasse a fé para salvar a vida.
— Não posso negar Cristo — respondeu Sebastião. — Ele é a Verdade.
O comandante deu a ordem, e as flechas voaram. Uma, depois outra, depois muitas, cravando-se no corpo de Sebastião. Ele sangrava, mas não gritava. Rezava, entregando seu espírito a Jesus. Por fim, seu corpo caiu, e os soldados foram embora, certos de que ninguém sobreviveria a tantas flechas.

A Sobrevivência Milagrosa
Mas Sebastião não morreu. À noite, uma mulher cristã chamada Irene foi buscar o corpo, para lhe dar uma sepultura digna. Quando chegou perto, percebeu que ele ainda respirava, fraco, mas vivo.
Irene o levou para casa, retirou as flechas, tratou as feridas, rezou. Outros cristãos vieram ajudar, e, devagar, Sebastião se recuperou. Semanas depois, estava de pé, com o corpo marcado de cicatrizes, mas forte de novo.
Os cristãos o aconselharam a fugir de Roma. O imperador o julgava morto; ele podia partir e viver em paz em outro lugar. Mas Sebastião recusou.
— Deus me salvou por alguma razão — disse. — Vou voltar e dizer diante do imperador que Jesus é o Senhor.
O Segundo Martírio
Dias depois, Sebastião foi postar-se no caminho por onde o imperador ia passar. Quando Diocleciano se aproximou, ele falou em voz alta, para todos ouvirem: estava vivo; Deus o havia salvado das flechas; e ele pedia, mais uma vez, que o imperador parasse de perseguir os cristãos.
Diocleciano ficou primeiro chocado, vendo diante de si o homem que julgava morto. Depois, tomado de fúria, ordenou que Sebastião fosse espancado até a morte, e que seu corpo fosse jogado no esgoto, para que os cristãos não o encontrassem nem o honrassem como mártir.

Os guardas cumpriram a ordem, e desta vez Sebastião não sobreviveu. Era por volta do ano 288, e ele tinha cerca de trinta anos. Morreu mártir, fiel a Cristo até o último instante.
Jogaram seu corpo no grande esgoto de Roma, a Cloaca Máxima. Mas, naquela mesma noite, conta a tradição, Sebastião apareceu em sonho a uma cristã e revelou onde estava. Os cristãos foram até lá, resgataram o corpo e o sepultaram com honra nas catacumbas, os cemitérios subterrâneos onde eram enterrados os mártires.

A Veneração Imediata
Desde o início, os cristãos veneraram São Sebastião. Seu túmulo se tornou lugar de peregrinação, e conta-se que muitos milagres aconteceram ali, especialmente curas. Aquele que sobrevivera ao impossível ajudava, agora, outros a sobreviver.
Padroeiro Contra as Pestes
Na Idade Média, epidemias terríveis de peste devastaram cidades inteiras, e milhões de pessoas morreram. Os cristãos passaram a rezar a São Sebastião, porque, para eles, as flechas lembravam os golpes invisíveis da doença, e Sebastião havia sobrevivido às flechas. Pediam que o santo os protegesse, e a fé do povo conta que muitas cidades foram poupadas.
Por isso, São Sebastião tornou-se o padroeiro contra as pestes e epidemias. É também padroeiro dos soldados, por ter sido um soldado exemplar, e dos atletas, pela força e pela coragem. E é padroeiro de várias cidades, entre elas o Rio de Janeiro, no Brasil.
A Basílica e a Arte
Em Roma, sobre as catacumbas onde ele foi sepultado, ergue-se a Basílica de São Sebastião, uma das sete igrejas de peregrinação da cidade, visitada por milhões de fiéis.
São Sebastião é também um dos santos mais retratados na arte. Em milhares de pinturas, esculturas e vitrais, ele aparece amarrado a um poste ou a uma árvore, com o corpo ferido pelas flechas e os olhos voltados para o céu, jovem e sereno. Grandes artistas o pintaram, como Botticelli, Perugino, Mantegna e El Greco.

São Sebastião no Brasil
No Brasil, São Sebastião é muito querido, especialmente no Rio de Janeiro, cujo nome oficial é São Sebastião do Rio de Janeiro. A cidade foi fundada em 20 de janeiro de 1565, justamente no dia da festa do santo, e por isso ele é seu padroeiro. Há uma catedral dedicada a ele, e todos os anos o povo o celebra com festas e procissões.
Oração a São Sebastião
Glorioso São Sebastião, soldado corajoso de Cristo, que sobrevivestes às flechas e voltastes para dar testemunho da fé: protegei-nos contra as flechas do mal, as doenças, as tentações e os perigos. Dai-nos coragem para nunca negar Cristo e para sermos fiéis a Ele em todos os momentos. São Sebastião, soldado de Cristo, rogai por nós. Amém.
Reflexão



