A Visitação
Tempos Litúrgicos

A Visitação

por Bíblia Sagrada

Idades 5-6
6 min de leitura

Assim que o anjo se afastou, Maria não ficou sentada em casa remoendo a notícia. Ela se levantou e partiu apressada para a região das montanhas, rumo a uma cidade de Judá. Levava pouca coisa: o manto, um pouco de pão, o odre de água. E levava no coração um segredo que ainda não havia contado a ninguém.

O caminho era comprido. De Nazaré até as montanhas de Judá são quase cento e cinquenta quilômetros, coisa de quatro ou cinco dias para quem viaja a pé. As pessoas daquele tempo desciam pelo vale, seguiam o rio e depois subiam. Subiam muito, porque as cidades de Judá ficam lá em cima, entre pedras e oliveiras. Maria fez essa subida inteira sem se queixar do sol nem da poeira, porque ia ao encontro de alguém que precisava de ajuda.

Quem ela ia visitar era Isabel, sua prima. Isabel já era idosa e nunca tivera filhos, e as vizinhas, sem nenhuma maldade, havia muito tempo tinham parado de esperar por ela. Agora Isabel esperava um menino e já estava no sexto mês. O marido dela, o sacerdote Zacarias, andava pela casa em silêncio, porque tinha ficado mudo desde o dia em que um anjo lhe falara dentro do Templo.

Maria chegou empoeirada da estrada, empurrou a porta e disse apenas uma coisa.

— A paz esteja nesta casa, Isabel.

Foi só a voz. No instante em que a saudação de Maria chegou aos ouvidos de Isabel, o menino saltou dentro dela, como quem dá um pulo de alegria. Isabel ficou cheia do Espírito Santo, abriu os braços e disse em voz alta:

Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre. E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?

— Lucas 1:42-43

Isabel era a mais velha das duas. Era a dona da casa, era a que tinha esperado a vida inteira. Mesmo assim, foi ela quem se admirou de estar recebendo visita. E ainda disse a Maria que feliz era aquela que tinha acreditado, porque havia de se cumprir tudo o que o Senhor lhe dissera.

Foi então que Maria cantou.

Ela não cantou sobre si mesma, nem sobre a viagem, nem sobre o cansaço dos pés. Cantou sobre Deus, que olha para os pequenos, levanta os humildes e não se esquece de nenhuma promessa antiga.

A minha alma engrandece ao Senhor,

e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador;

porque atentou na baixeza de sua serva;

pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada,

porque me fez grandes coisas o Poderoso; e santo é seu nome.

— Lucas 1:46-49

Maria ficou naquela casa quase três meses, e esses três meses não tiveram nada de espetacular. Ela buscava água no poço da manhã, amassava o pão, varria o pátio, ajudava Isabel a se levantar do banco quando as pernas doíam. À tardinha, as duas sentavam na porta e ficavam olhando as montanhas escurecerem devagar. Zacarias ouvia tudo calado, e nos olhos dele já havia um começo de alegria.

Depois Maria voltou para a sua casa, pela mesma estrada de pedra por onde tinha vindo. Ninguém a esperava na porta com festa. E, no entanto, alguma coisa tinha ficado para sempre naquela casa das montanhas: duas mulheres simples, uma velhinha e uma moça, tinham sido as primeiras do mundo inteiro a saber quem estava chegando.

❤️ ✝️ ❤️

Reflexão

Quem recebe uma alegria grande quase sempre tem vontade de guardá-la só para si. Maria fez o contrário: pegou a estrada e foi levar a sua alegria a quem precisava de companhia, e foi assim que nasceu o cântico mais antigo do Natal.

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