A Coroa do Advento
Tempos Litúrgicos

A Coroa do Advento

por Vida de Santo

Idades 5-6
5 min de leitura

Há muito tempo, numa cidade fria da Alemanha chamada Hamburgo, havia uma casa velha de telhado de palha. Ficava no meio de um campo, do lado de fora da cidade, e tinha um nome esquisito: Rauhes Haus. O nome tinha vindo de um morador antigo, um senhor chamado Ruge: com o tempo, "a casa do Ruge" foi virando "Rauhes Haus", e ninguém mais se lembrou do porquê. Ali moravam as crianças que não tinham para onde ir.

Quem cuidava delas era um pastor chamado Johann Hinrich Wichern. Ele abriu aquela casa em 1833, quando ainda era bem moço, para receber os meninos e as meninas mais pobres de Hamburgo. As crianças viviam em grupos pequenos, como famílias: uma dúzia em cada casinha, com um adulto morando junto. Aprendiam a ler, cuidavam da horta, comiam à mesma mesa e rezavam todas juntas numa sala grande.

Todo ano acontecia a mesma coisa quando dezembro chegava. O frio apertava, as noites ficavam compridas e alguém puxava a manga do casaco do pastor:

— Quantos dias faltam para o Natal?

Wichern respondia. No dia seguinte, outra criança perguntava. E outra. E outra ainda. Porque esperar é difícil, e fica mais difícil quando a gente não consegue enxergar a espera diminuir.

Então, no ano de 1839, o pastor teve uma ideia.

Ele arranjou uma roda de madeira, grande como a roda de uma carroça, e pendurou no teto da sala onde todos rezavam. Em volta da roda encaixou velas. Quatro velas brancas e grandes, uma para cada domingo do Advento. E, no meio delas, uma vela vermelha pequena para cada um dos outros dias, até a véspera do Natal.

Na tarde do primeiro domingo do Advento, as crianças entraram na sala. O pastor acendeu uma vela só. Uma luzinha sozinha, lá em cima.

No dia seguinte ele acendeu duas. Depois três. Depois quatro.

E as crianças não precisaram perguntar mais nada. Bastava olhar para cima e contar. As velas acesas eram os dias que já tinham passado. As velas apagadas eram os dias que ainda faltavam. A espera tinha ficado visível. Cada dia ela ficava um pouquinho menor, e a sala ficava um pouquinho mais clara.

Na noite de Natal, a roda inteira estava acesa. Não sobrava nenhuma vela apagada. Aquela sala, que em dezembro era tão escura, brilhava do teto até o chão.

As pessoas que visitavam a casa viam a roda de velas e queriam uma igual. Mas roda de carroça não cabe numa sala pequena. Então foram fazendo coroas menores, enfeitadas com ramos verdes e fitas, e guardaram só as quatro velas grandes: uma para cada domingo.

É essa que você conhece. A coroa do Advento que fica na igreja, ou em cima da mesa da sua casa, com quatro velas em volta. No primeiro domingo se acende uma. No segundo, duas. No terceiro, três. No quarto, quatro, e aí o Natal já está bem pertinho.

O Advento é esse tempo de esperar. São quatro semanas para arrumar o coração antes que Jesus chegue. A coroa serve para a mesma coisa que a roda do pastor Wichern servia: para você ver, com os próprios olhos, que cada dia que passa deixa a noite um pouco menor e a luz um pouco maior.

❤️ ✝️ ❤️

Reflexão

Esperar bem não é ficar parado olhando o relógio. É contar os dias com esperança e deixar o coração um pouquinho mais pronto a cada um deles, como uma vela que se acende de cada vez. Quem aprende a esperar assim chega ao Natal com a alma acesa.

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