Há muito tempo, no ano de 1717, três pescadores moravam perto do rio Paraíba do Sul, em São Paulo. Eles se chamavam Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso. Um dia, chegou uma notícia importante: um conde muito ilustre ia passar pela cidade de Guaratinguetá, e era preciso preparar um grande banquete para recebê-lo. E banquete bom, naquela terra de rio, pedia muito peixe.
Os três pescadores desceram ao rio com suas canoas e suas redes. Jogaram a rede aqui, jogaram a rede ali. Esperaram, puxaram, olharam. Nada. Nem um peixinho sequer. Remaram mais um pouco, tentaram de novo, e de novo a rede voltou vazia. Não era época de pesca, e o rio parecia adormecido.
Já cansados, eles chegaram a um lugar chamado Porto Itaguaçu. Ali, Filipe Pedroso, o mais velho dos três, lembrou-se de pedir ajuda ao céu.
— Mãe de Deus, valei-nos. Ajudai a nossa pescaria.
João Alves lançou a rede mais uma vez. Quando puxou, sentiu um peso diferente. Não era peixe. Era uma pequena imagem de Nossa Senhora, feita de barro escuro, mas estava sem a cabeça. Ele lançou a rede de novo, um pouco mais adiante. E desta vez veio a cabeça, que se encaixava perfeitamente no corpo da imagem.
Os pescadores olharam aquilo com espanto e carinho. Enrolaram a imagem num pano, com todo o cuidado, e a guardaram na canoa. E então aconteceu uma coisa maravilhosa. As redes, que o dia inteiro tinham voltado vazias, começaram a subir cheias de peixes. Tantos peixes, tantos, que a canoa ficou pesada, e os três tiveram de voltar depressa para a margem, com medo de afundar.
Eles entenderam no mesmo instante: aquela pequena imagem trazia uma bênção muito grande.
A imagem era de Nossa Senhora da Conceição, pequenina, de cor morena, pouco maior que um palmo. Filipe Pedroso a levou para casa e fez para ela um altarzinho simples, de madeira. Durante quinze anos, a imagem ficou na casa da família Pedroso. Os vizinhos vinham rezar ali, acendiam velas, cantavam, pediam graças. E as graças aconteciam.
Cada vez vinha mais gente. O filho de Filipe, chamado Atanásio, construiu então um oratório maior, para caber todo mundo. Como a imagem tinha aparecido nas águas do rio, o povo começou a chamá-la de um jeito muito carinhoso: Nossa Senhora Aparecida, a Senhora que apareceu.
Com o tempo, o oratório virou capela, e a capela virou igreja. Ao redor dela nasceu uma cidade inteira, que ganhou o nome de Aparecida. De longe, de muito longe, vinham famílias a pé, a cavalo, de carro de boi, só para rezar diante da pequena imagem morena.
O amor do povo do Brasil por Nossa Senhora Aparecida cresceu tanto, tanto, que em 1930 o Papa Pio XI a declarou Padroeira do Brasil, quer dizer, a mãe e protetora de todo o país. Hoje, na cidade de Aparecida, existe uma basílica enorme, uma das maiores igrejas dedicadas a Maria no mundo inteiro. Todos os anos, milhões de pessoas visitam a pequena imagem encontrada no rio.
E todo dia 12 de outubro o Brasil inteiro faz festa para ela, com flores, cantos e orações. A imagem continua pequenina como no dia da pescaria. Mas o amor que ela desperta é do tamanho do Brasil.
Moral da História



