No sul da França, no pé de umas montanhas muito altas, existe uma cidade pequena chamada Lourdes. Um rio de água fria corre rente a um paredão de pedra cinzenta que tem uma gruta embaixo e um nome antigo: Massabielle.
Faz muito tempo, em 1858, uma menina pobre chamada Bernadete começou a rezar naquela gruta e contou que via ali Nossa Senhora. A Igreja estudou o caso durante quatro anos e então disse que sim, que se podia acreditar. A história de Bernadete fica guardada para outro dia. Esta aqui é a história do que veio depois — e que continua acontecendo todas as tardes.
A Gruta de Hoje
Quem chega a Lourdes encontra a mesma pedra de sempre. Lá em cima, num vão da rocha, há uma estátua branca de Nossa Senhora, com a faixa azul e uma rosa amarela em cada pé. As pessoas entram em fila, devagar, encostam a mão na pedra fria e ficam quietas. Mesmo cheia de gente, a gruta é um lugar de silêncio.
A Água que Bernadete Achou
Num daqueles dias de 1858, Bernadete cavou o chão da gruta com as próprias mãos. Saiu lama, só lama, e quem assistia achou que a menina tinha se atrapalhado. No dia seguinte, a lama tinha virado uma fonte de água limpa, e essa fonte nunca mais parou: até hoje ela dá dezenas de milhares de litros por dia.
A água corre por canos até umas torneiras de bronze encostadas no paredão. Os peregrinos bebem, lavam o rosto e as mãos e enchem garrafinhas para levar para casa. No santuário ninguém vende essa água: ela é dada de graça.
As Velas
Pertinho da gruta fica um lugar só de velas, algumas do tamanho de um braço, acesas de dia e de noite. Cada uma foi deixada por alguém que veio pedir ou agradecer: a saúde de um avô, a paz de uma família, um obrigado que não cabia em palavras.
Quando escurece, acontece a parte mais bonita do dia. Milhares de peregrinos acendem velinhas e caminham juntos pela praça enorme, cantando a Ave-Maria em muitas línguas. De longe, aquilo parece um rio de luzinhas andando devagar.
Os Que Chegam Doentes
Todos os anos, milhões de pessoas vão a Lourdes, e muitas estão doentes. Chegam de trem, de ônibus e de avião, de países do mundo inteiro. Quem não consegue andar é levado por voluntários chamados hospitaleiros, que passam as férias empurrando cadeiras de rodas, servindo sopa e fazendo companhia.
No fim da tarde há uma procissão com o Santíssimo Sacramento, e os doentes ficam nas primeiras filas para receber a bênção. Uns rezam pedindo cura, outros pedindo coragem, e os dois pedidos são bons.
Quando a Igreja Diz Milagre
De vez em quando, alguém volta de Lourdes dizendo que ficou curado. A Igreja não sai correndo para chamar aquilo de milagre: desde 1883 existe ali um consultório onde médicos examinam cada um desses casos.
A pessoa precisa mostrar todos os exames, os de antes e os de depois. Então médicos de vários países, alguns católicos e outros nem um pouco, estudam tudo e perguntam se a ciência explica aquela cura. Isso costuma demorar anos. Só no fim, se ninguém encontrou explicação, o bispo da cidade onde a pessoa mora pode dizer a palavra milagre.
Em mais de cento e sessenta anos, isso aconteceu mais de setenta vezes. Uma delas foi a irmã Bernadette Moriau, uma religiosa francesa que havia muitos anos não andava, e a cura dela foi reconhecida em 2018. Os outros peregrinos voltam para casa com a mesma doença e a mesma cadeira de rodas, e quase todos voltam mais leves, do jeito de quem foi visitar a mãe e foi bem recebido.
Onze de Fevereiro
No dia 11 de fevereiro, a Igreja inteira faz a festa de Nossa Senhora de Lourdes e celebra também o Dia Mundial do Doente. Você não precisa atravessar o mar para entrar nessa festa: basta acender uma velinha em casa e rezar uma Ave-Maria por alguém que está doente. Em Lourdes é isso que milhões de pessoas fazem, um nome de cada vez, uma vela de cada vez.
Moral da História



