Lá longe, na floresta, havia um pinheirinho. O lugar dele era bom: o sol batia nos seus galhos, o ar era fresco e, em volta, cresciam companheiros enormes, pinheiros e abetos de todos os tamanhos. Mas o pinheirinho queria muito, muito mesmo, ser uma árvore crescida.
Ele não pensava no sol morno nem no ar limpo, e não ligava para as crianças da vila, que vinham à floresta procurar morangos silvestres. Elas chegavam com uma jarra cheia de frutinhas, ou com uma fileira delas espetada num canudo de palha, sentavam perto dele e diziam:
— Olha que arvorezinha bonita.
E era justamente isso o que o pinheirinho não suportava ouvir.
No fim de um ano ele tinha crescido um bom tanto; no fim de outro, mais um pedaço. Com os pinheiros é assim: dá para contar os anos pelos brotos novos.
— Ah, se eu fosse alto como os outros — suspirava ele. — Aí eu abriria meus galhos bem abertos e olharia o mundo inteiro do alto. Os pássaros fariam ninho em mim, e, quando o vento passasse, eu me curvaria com toda a elegância deles.
Nem os raios de sol, nem os pássaros, nem as nuvens vermelhas que navegavam sobre ele de manhã e de tarde lhe davam alegria nenhuma.
No inverno, quando a neve brilhava no chão, uma lebre vinha saltando e pulava por cima dele de uma vez só. Como aquilo o deixava zangado. Mas dois invernos se passaram e, no terceiro, o pinheiro já estava tão grande que a lebre precisou dar a volta. "Crescer, crescer, ficar mais velho e mais alto", pensava ele. "No fundo, não existe coisa melhor no mundo."
No outono, os lenhadores sempre vinham e derrubavam as árvores maiores. Acontecia todo ano, e o pinheiro, que já tinha um tamanho bonito, tremia ao ver aquilo: as árvores grandes caíam com estrondo e estalos, os galhos eram cortados fora, e elas ficavam compridas e nuas, quase irreconhecíveis. Depois eram postas em carroças, e os cavalos as arrastavam para fora da floresta.
Para onde iam? O que acontecia com elas?
Na primavera, quando chegaram as andorinhas e as cegonhas, o pinheiro perguntou:
— Vocês sabem para onde levaram aquelas árvores? Encontraram alguma delas por aí?
As andorinhas não sabiam de nada. Mas a cegonha ficou pensativa, balançou a cabeça e disse:
— Acho que sei, sim. Quando eu vinha voando do Egito, cruzei com muitos navios de mastros magníficos. Posso garantir que eram elas: cheiravam a pinheiro. Você pode ficar contente, porque se erguiam lá no alto, cheias de majestade.
— Ah, se eu já tivesse idade para atravessar o mar — disse o pinheiro. — Como é o mar de verdade? Com o que ele se parece?
— Isso daria muito trabalho de explicar — respondeu a cegonha.
E foi embora.
— Alegre-se com o seu crescimento — diziam os raios de sol. — Alegre-se com a vida nova que se move dentro de você.
E o vento beijava a árvore, e o orvalho chorava lágrimas sobre ela; mas o pinheiro não entendia nada daquilo.
Quando chegou o Natal, cortaram árvores bem novas, algumas nem tão grandes nem tão velhas quanto aquele pinheiro, que nunca sossegava e só queria ir embora dali. Essas árvores novas, sempre as mais bonitas, ficavam com todos os galhos; eram postas nas carroças, e os cavalos as levavam para fora do bosque.
— Para onde vão essas? — perguntou o pinheiro. — Não são mais altas do que eu; teve uma até bem menor. E por que ficaram com os galhos todos? Para onde as levam?
— Nós sabemos — piaram os pardais. — Espiamos pelas janelas da cidade lá embaixo e sabemos muito bem para onde elas vão: o maior esplendor que você é capaz de imaginar espera por elas. Vimos as árvores plantadas no meio de uma sala quentinha, enfeitadas com as coisas mais lindas: maçãs douradas, biscoitos de mel, brinquedos e centenas de luzinhas.
— E depois? — perguntou o pinheiro, tremendo em cada ramo. — E depois? O que acontece depois?
— Depois nós não vimos mais nada. Mas era bonito além de qualquer comparação.
— Será que eu nasci para uma vida tão gloriosa assim? — disse a árvore, cheia de esperança. — Isso é ainda melhor do que atravessar o mar. Já estou alto, e meus galhos se abrem como os das outras que levaram no ano passado. Ah, se eu já estivesse na carroça, na sala quente, no meio de toda aquela beleza. E depois há de vir alguma coisa melhor ainda, alguma coisa maior; senão, por que me enfeitariam? Mas o quê? Como eu sofro de tanta vontade, e nem eu mesmo sei o que há comigo.
— Alegre-se com a nossa companhia — disseram o ar e a luz. — Alegre-se com a sua juventude.
Mas o pinheiro não se alegrava nem um pouco. Crescia e crescia, verde no inverno e no verão. Quem passava dizia que era uma bela árvore e, perto do Natal, ele foi um dos primeiros a ser derrubado. O machado entrou fundo, até o coração do tronco; a árvore caiu com um suspiro e sentiu uma dor que foi como um desmaio. Não conseguiu pensar em felicidade nenhuma, porque estava triste de se separar do lugar onde tinha brotado. Sabia que nunca mais veria os velhos companheiros, os arbustos e as flores em volta; talvez nem os pássaros. A partida não teve nada de agradável.
A árvore só voltou a si quando foi descarregada num pátio, junto com outras, e ouviu um homem dizer:
— Aquela ali é esplêndida. As outras não servem.
Então dois criados de casaca fina o carregaram para dentro de uma sala grande e bonita. Havia retratos nas paredes e, ao lado do fogão branco de porcelana, dois vasos chineses enormes com leões na tampa; havia poltronas fundas, sofás de seda e mesas cobertas de livros de figuras e de brinquedos que custavam centenas e centenas de moedas, pelo menos era o que as crianças diziam.
O pinheiro foi fincado num barril cheio de areia, mas ninguém via que era um barril: estava forrado de pano verde e apoiado num tapete colorido. Como a árvore estremeceu. O que ia acontecer? Os criados e as moças da casa começaram a enfeitá-la. Num galho penduraram redinhas de papel colorido cheias de balas; nos outros, maçãs e nozes pintadas de dourado, que pareciam ter nascido ali; e, entre as folhas, velinhas azuis e brancas. Bonecos igualzinhos a gente de verdade, coisa que a árvore nunca tinha visto, apareciam no meio da folhagem, e bem no alto prenderam uma grande estrela de papel dourado. Estava esplêndido além de qualquer descrição.
— Hoje à noite — diziam todos. — Como ela vai brilhar hoje à noite.
"Ah, se a noite já chegasse", pensava o pinheiro. "Se já acendessem as velas. E depois, o que será que acontece? Será que as outras árvores da floresta vêm me ver? Será que os pardais batem no vidro da janela? Será que eu crio raiz aqui e fico enfeitado assim no inverno e no verão?"
Ele entendia muito do assunto, é claro. De tanta impaciência, de tanta vontade, acabou com uma dor nas costas — e, para uma árvore, dor nas costas é a mesma coisa que dor de cabeça para nós.
Então acenderam as velas. Que claridade, que beleza. A árvore tremia tanto em todos os galhos que uma das velinhas encostou na folhagem e o fogo pegou.
— Socorro! — gritaram as moças, e apagaram as chamas depressa.
Agora o pinheiro não ousava mais nem tremer. Com medo de perder alguma coisa do seu enfeite, ficou meio tonto no meio de tanto brilho. Foi então que as duas folhas da porta se abriram e um bando de crianças entrou correndo, como se fosse derrubar a árvore. Os adultos vieram atrás, com calma; os pequenos pararam quietos por um instante. Só por um instante: logo a alegria deles encheu a casa inteira, e todos dançaram em volta da árvore, e um presente depois do outro foi arrancado dos galhos.
"O que eles estão fazendo?", pensava o pinheiro. "O que vai acontecer agora?" As velas foram queimando até os ramos e, conforme queimavam, iam sendo apagadas uma a uma. Depois as crianças ganharam permissão para saquear a árvore. Elas se atiraram sobre ela com tanta força que todos os galhos estalaram; se o tronco não estivesse bem firme na areia, com certeza teria tombado.
As crianças dançavam com os brinquedos lindos, e ninguém mais olhava para o pinheiro, a não ser a velha babá, que espiava entre os ramos; e era só para ver se tinha ficado esquecido ali algum figo ou alguma maçã.
— Uma história! — pediram as crianças, puxando para perto da árvore um homenzinho gordo.
Ele se sentou embaixo dos galhos e disse:
— Aqui estamos na sombra, e a árvore também pode escutar. Mas eu conto só uma história. Qual vocês querem: a de Ivedy-Avedy, ou a de Humpty-Dumpty, que caiu da escada e mesmo assim subiu ao trono e casou com a princesa?
— Ivedy-Avedy — gritaram uns.
— Humpty-Dumpty — gritaram outros.
Houve tanto berreiro e tanta discussão que só o pinheiro ficou calado. "Será que eu não devia gritar junto?", pensava ele. "Será que eu não devia fazer nada?" Afinal ele era da festa, e já tinha cumprido a parte dele.
E o homenzinho contou a história de Humpty-Dumpty, que caiu da escada e mesmo assim subiu ao trono e casou com a princesa. As crianças bateram palmas e pediram mais; queriam ouvir também a de Ivedy-Avedy, mas ele só contou aquela. O pinheiro ficou paradinho, pensando: nunca os pássaros da floresta tinham contado uma coisa assim. "Humpty-Dumpty caiu da escada e mesmo assim casou com a princesa. Pois é, o mundo é isso mesmo", pensou a árvore, e acreditou em cada palavra, porque o homem que contava era muito simpático. "Quem sabe eu também caio de uma escada e ganho uma princesa."
E ele esperou pelo dia seguinte com alegria, certo de que seria enfeitado outra vez com luzes, brinquedos, frutas e papel dourado.
"Amanhã eu não vou tremer", prometeu o pinheiro a si mesmo. "Amanhã eu vou aproveitar toda a minha beleza. E vou ouvir de novo a história de Humpty-Dumpty, e talvez a de Ivedy-Avedy também." E a noite inteira a árvore ficou quieta, pensando.
De manhã entraram o criado e a arrumadeira.
"Agora o esplendor começa de novo", pensou o pinheiro. Mas eles o arrastaram para fora da sala, escada acima, até o sótão, e o deixaram num canto escuro onde nem a luz do dia entrava. "O que quer dizer isso?", pensou a árvore. "O que eu vou fazer aqui? O que será que eu vou escutar agora?" E encostou na parede, pensando e pensando.
Tempo foi o que não lhe faltou. Dias e noites se passaram, e ninguém subia. Quando enfim alguém apareceu, foi só para empurrar uns baús grandes para um canto, e o pinheiro ficou escondido atrás deles, como se tivesse sido esquecido de vez.
"Deve ser inverno lá fora", pensava ele. "A terra está dura e coberta de neve; ninguém consegue me plantar agora, e por isso me guardaram aqui no abrigo até a primavera chegar. Que gente cuidadosa. Como as pessoas são boas, no fim das contas. Só queria que não fosse tão escuro aqui, e tão terrivelmente sozinho. Nem uma lebre aparece. Lá na floresta era tão bom quando a neve cobria tudo e a lebre passava saltando, até quando ela pulava por cima de mim; mas naquele tempo eu não gostava disso. Aqui é sozinho demais."
— Cuic, cuic — disse um ratinho naquele exato momento, botando o nariz para fora do buraco.
E logo veio outro. Os dois farejaram o pinheiro e se embrenharam entre os galhos.
— Está um frio horrível aqui — disse o ratinho. — Se não fosse o frio, seria ótimo neste canto, não é, velho pinheiro?
— Eu não sou nada velho — respondeu o pinheiro. — Tem muita árvore por aí bem mais velha do que eu.
— De onde você vem? — perguntaram os ratinhos, curiosíssimos. — E o que você sabe fazer? Conte para nós qual é o lugar mais bonito da terra. Você nunca esteve lá? Nunca esteve na despensa, onde os queijos ficam nas prateleiras e os presuntos penduram do teto; onde a gente dança em cima das velas de sebo; aquele lugar onde a gente entra magro e sai gordo e redondo?
— Não conheço esse lugar — disse a árvore. — Mas conheço a floresta, onde o sol brilha e os passarinhos cantam.
E contou tudo sobre a sua infância. Os ratinhos nunca tinham ouvido nada parecido; escutaram até o fim e disseram:
— Nossa, quanta coisa você já viu. Como você deve ter sido feliz.
— Eu? — disse o pinheiro, pensando no que ele mesmo acabara de contar. — É verdade. Aqueles tempos foram felizes.
E então contou da noite de Natal, quando estava enfeitado de bolinhos e de velas.
— Ah — disseram os ratinhos —, como você teve sorte, velho pinheiro.
— Eu não sou nada velho — repetiu ele. — Vim da floresta neste inverno. Estou na flor da idade; só sou um pouco baixo para os meus anos.
— Que histórias boas você sabe — disseram os ratinhos.
E na noite seguinte eles voltaram com mais quatro ratinhos, para ouvir o que a árvore contava. Quanto mais o pinheiro contava, mais ele mesmo se lembrava; e ia parecendo que aqueles tempos tinham sido de verdade muito felizes. "Mas eles ainda podem voltar, ainda podem voltar", pensava ele. "Humpty-Dumpty caiu da escada e mesmo assim ganhou uma princesa." E nessa hora se lembrou de uma bétula pequenina que crescia lá na floresta: para o pinheiro, aquela bétula seria uma princesa e tanto.
— Quem é Humpty-Dumpty? — perguntaram os ratinhos.
Então a árvore contou a história inteira, sem errar uma palavra sequer, e os ratinhos pularam de alegria até o topo dos seus galhos. Na noite seguinte vieram mais dois, e no domingo vieram até dois ratos grandes; mas esses acharam as histórias sem graça, o que entristeceu os ratinhos, e eles também começaram a achar aquilo pouco divertido.
— Você só sabe uma história? — perguntaram os ratos.
— Só essa — respondeu a árvore. — Eu a ouvi na noite mais feliz da minha vida; só que naquele dia eu não sabia que estava feliz.
— É uma história muito boba. Você não sabe nenhuma sobre toucinho e velas de sebo? Não sabe nenhuma história de despensa?
— Não — disse o pinheiro.
— Então adeus — disseram os ratos, e foram para casa.
No fim, os ratinhos também pararam de vir. E a árvore suspirou: "Como era bom quando os ratinhos lustrosos sentavam em volta de mim e escutavam o que eu contava. Agora até isso acabou. Mas eu vou tomar bem cuidado para aproveitar quando me tirarem daqui."
E quando seria isso? Pois numa manhã chegou um monte de gente para trabalhar no sótão. Os baús foram arrastados, a árvore foi puxada do canto e jogada no chão, com certa falta de jeito, é verdade; depois um homem a arrastou até a escada, onde entrava a luz do dia.
"Agora a vida boa começa de novo", pensou o pinheiro. Sentiu o ar fresco, o primeiro raio de sol, e já estava no pátio. Tudo aconteceu tão depressa, havia tanta coisa em volta, que a árvore nem se lembrou de olhar para si mesma. O pátio dava para um jardim todo florido: as rosas caíam frescas e cheirosas sobre a mureta, as tílias estavam em flor, e as andorinhas passavam voando.
— Quire-vite, meu marido chegou — diziam elas.
Mas não era do pinheiro que elas falavam.
— Agora eu vou realmente aproveitar a vida — disse ele, todo contente, e abriu bem os galhos.
Mas os galhos estavam murchos e amarelos. Ele estava largado num canto, no meio do mato e das urtigas. A estrela de papel dourado continuava lá no alto, brilhando ao sol.
No pátio brincavam algumas das crianças alegres que tinham dançado em volta dele no Natal, e que ficaram contentes de vê-lo. Uma das menores correu e arrancou a estrela dourada.
— Olha só o que ainda está pendurado nesse pinheiro velho e feio — disse ela, pisando nos galhos, que estalaram todos debaixo dos seus pés.
E a árvore viu a beleza das flores e o frescor do jardim; e se viu também, e desejou ter ficado no seu canto escuro do sótão. Pensou na sua juventude na floresta, na noite de Natal tão alegre, e nos ratinhos que tinham escutado com tanto gosto a história de Humpty-Dumpty.
— Acabou, passou — disse o pobre pinheiro. — Se ao menos eu tivesse me alegrado quando ainda tinha motivo. Mas passou, passou.
E o ajudante do jardineiro cortou a árvore em pedacinhos, que formaram um monte ali no chão. A lenha ardeu com uma chama bonita debaixo do grande caldeirão de cobre, e cada estalo era um suspiro tão fundo que parecia um tiro.
Os meninos brincavam no pátio, e o menor deles trazia no peito a estrela dourada que a árvore tinha usado na noite mais feliz da sua vida. Mas essa noite já tinha passado, e a árvore tinha passado, e a história também chegou ao fim. Toda história chega ao fim um dia.
Reflexão



