Depois de receber os estigmas em 1918, a vida de Padre Pio mudou completamente. Milhares de pessoas vinham vê-lo, tocá-lo, pedir bênçãos, e São Giovanni Rotondo, a vila esquecida, ficou cheia de peregrinos. Mas Padre Pio não queria fama nenhuma. Queria apenas servir a Deus. E encontrou o seu ministério principal num lugar simples e escondido: o confessionário. Ali, ajudaria a salvar milhões de almas.

O Ministério do Confessionário
Padre Pio chegava a passar dezenove horas por dia ouvindo confissões. Começava às cinco da manhã e só parava perto da meia-noite, comendo pouco e dormindo menos ainda. As pessoas vinham primeiro de toda a Itália, depois de toda a Europa, depois do mundo inteiro. Formavam filas enormes, e às vezes era preciso esperar dias para se confessar com ele. Por quê? Porque Padre Pio lia os corações.
Quando alguém tentava esconder um pecado, Padre Pio sabia.
— Você esqueceu de me contar aquele pecado — dizia, olhando firme.
A pessoa ficava pálida e perguntava como ele sabia.
— Jesus me mostrou. Confesse tudo, ou volte outro dia.
Padre Pio sabia ser duro quando era preciso, e não aceitava confissões fingidas. Às vezes mandava alguém embora, pedindo que voltasse quando estivesse arrependido de verdade. Parecia severidade, mas era amor: ele queria a salvação verdadeira de cada pessoa, não uma salvação de mentira.
Com os verdadeiramente arrependidos, porém, ele era pura ternura. Chorava com eles, abraçava, consolava.
— Deus ama você. Nunca duvide. Seus pecados estão perdoados.
Muitos saíam do confessionário transformados. Gente sem fé se convertia, pecadores abandonavam velhos vícios, famílias inteiras se reconciliavam. O confessionário de Padre Pio era um lugar de milagres silenciosos.

A Bilocação
Padre Pio tinha um dom raríssimo: a bilocação, que é estar em dois lugares ao mesmo tempo. Enquanto o corpo dele estava em São Giovanni Rotondo, Padre Pio aparecia em outros lugares, para confortar quem estava morrendo, converter pecadores e socorrer quem precisava. Há centenas de testemunhos guardados até hoje.
Um caso ficou famoso. Durante a Segunda Guerra Mundial, aviões partiram para bombardear a região de São Giovanni Rotondo. De repente, os pilotos viram no céu um frade de braços levantados. Ficaram tão assustados que não conseguiram soltar as bombas e voltaram para a base sem cumprir a missão. Anos depois, alguns deles visitaram São Giovanni Rotondo, viram Padre Pio e o reconheceram na hora: era o frade que tinham visto no céu. A cidade inteira havia sido poupada.
Outro caso: uma mulher, na América, estava muito doente, quase morrendo. De repente, viu um frade capuchinho entrar no quarto. Ele a abençoou, rezou por ela, e ela sarou. Anos depois, ela viajou à Itália, viu Padre Pio e o reconheceu.
— É você. Você veio ao meu quarto, em Nova York.
Padre Pio apenas sorriu.
— Sim, minha filha. Jesus me mandou.
Os Milagres de Cura
Através de Padre Pio, Deus operou milhares de curas. Cegos passaram a ver, surdos a ouvir, paralíticos a andar; doenças que os médicos davam por incuráveis desapareciam. Padre Pio não gostava de chamar atenção e tentava esconder tudo, mas era impossível: as pessoas contavam e davam testemunho.

Um caso extraordinário foi o de Gemma di Giorgi, uma menina que nasceu sem pupilas nos olhos. Era completamente cega, e os médicos confirmavam: sem pupilas, enxergar era impossível. A avó a levou a Padre Pio quando Gemma tinha sete anos. Ele colocou as mãos sobre os olhos da menina, rezou e a abençoou. De repente, Gemma gritou:
— Vó, estou vendo! Estou vendo!
Os médicos examinaram Gemma de novo e ficaram sem palavras: os olhos continuavam sem pupilas, mas ela enxergava perfeitamente. Era impossível para a ciência, e no entanto era real. Gemma cresceu, casou, teve filhos e enxergou pela vida toda. É um dos milagres mais bem documentados de Padre Pio.
O Perfume Místico
Havia ainda outro fenômeno na vida de Padre Pio: o perfume místico. Às vezes, mesmo a quilômetros de distância, as pessoas sentiam de repente um perfume de rosas ou de violetas. Era sinal de que Padre Pio estava espiritualmente perto, rezando por elas.
Muita gente contava a mesma coisa: estava aflita, num momento difícil, e de repente sentia o perfume de rosas e entendia que Padre Pio estava rezando por ela. Esse perfume era um jeito silencioso de dizer que ninguém estava sozinho. E os relatos continuam até hoje, mesmo depois da morte dele, vindos de pessoas do mundo inteiro.

A Perseguição
Nem tudo foi fácil para Padre Pio. Ele sofreu uma provação dolorosa vinda de dentro da própria Igreja. Alguns padres e bispos duvidavam dele e diziam que tudo aquilo podia ser fraude ou invenção. Vieram investigações severas, com médicos, teólogos e inspetores.
Em 1923, o Vaticano tomou medidas duras. Padre Pio foi proibido de celebrar Missa em público, de ouvir confissões, de mostrar os estigmas e de falar com os peregrinos. Foi como uma morte em vida: tiraram dele justamente o ministério que era a sua razão de viver. Mas ele obedeceu. Não reclamou, não se defendeu, não deixou ninguém brigar por ele. Apenas rezava, repetindo que fosse feita a vontade de Deus.
Os fiéis ficaram indignados e diziam que aquilo era uma injustiça com um santo. Padre Pio os acalmava:
— A Igreja tem razão em ser cuidadosa. Obedeçam sempre à Igreja.
Era uma humildade rara: sofrer uma injustiça e ainda assim defender quem o julgava. Depois de dois anos, o Vaticano reconheceu que Padre Pio era sincero. Em 1925, devolveram-lhe o ministério, e ele voltou ao confessionário para nunca mais parar.
A Casa Alívio do Sofrimento
Padre Pio tinha um sonho: construir um hospital moderno para os pobres.
— Os pobres merecem os melhores médicos e os melhores tratamentos — dizia ele.
Começou a arrecadar fundos e a pedir doações. Era um projeto gigantesco, que precisava de milhões, mas ele confiava na Providência de Deus.

Em 1956, ele inaugurou a Casa Alívio do Sofrimento: um hospital moderníssimo, com centenas de leitos, equipamentos de ponta, médicos excelentes e tratamento gratuito para os pobres. Como um frade pobre conseguiu construir aquilo? Com doações que chegavam do mundo inteiro, muitas vezes de maneiras que ninguém sabia explicar.
Hoje, a Casa Alívio do Sofrimento é um dos melhores hospitais da Itália. Atende milhares de pessoas, faz pesquisa médica avançada e mantém viva a missão de Padre Pio: tratar cada doente com amor e dignidade.
Os Grupos de Oração
Padre Pio também fundou os Grupos de Oração: pequenos grupos de pessoas que se reúnem para rezar juntas, especialmente o terço, a Via-Sacra e a adoração. Hoje existem milhares desses grupos espalhados pelo mundo, com milhões de participantes.

Os Últimos Anos
Nos últimos anos, Padre Pio já estava velho e cansado. Tinha mais de oitenta anos, mas continuava ouvindo confissões, mesmo doente, mesmo com dor.
— Enquanto houver uma alma para salvar, eu continuo — dizia.
Celebrava a Missa todos os dias, sempre em êxtase, sempre vivendo a Paixão de Jesus.
A Morte
No dia 22 de setembro de 1968, Padre Pio celebrou a Missa pela última vez. Era uma data especial: fazia cinquenta anos que ele recebera os estigmas, e milhares de pessoas estavam presentes. Ele estava fraco, mas radiante. Depois da Missa, abençoou a todos e disse, devagar:
— Meus filhos, nós nos veremos no Paraíso.
Na madrugada do dia 23, Padre Pio passou mal. Os frades vieram e rezaram com ele, enquanto ele repetia baixinho os nomes de Jesus e de Maria. Às duas e meia da manhã, Padre Pio morreu em paz, aos 81 anos, depois de cinquenta anos carregando os estigmas. E, no momento da morte, algo extraordinário aconteceu: as chagas desapareceram. As feridas que tinham sangrado por meio século se fecharam, e as mãos, os pés e o lado ficaram perfeitos, sem marca nenhuma.
Por que as chagas desapareceram? Anos antes, Padre Pio tinha pedido a Deus que, quando ele morresse, as marcas fossem apagadas, para não chamar atenção. Mesmo na morte, ele queria ser humilde. E Deus atendeu o seu pedido.

O Funeral
O funeral foi imenso: cerca de cem mil pessoas vieram a São Giovanni Rotondo. Muitos choravam a perda daquele que chamavam de pai. Mas havia também uma alegria serena no meio da tristeza, porque todos sabiam que ganhavam um intercessor poderoso no Céu. O corpo ficou exposto, e milhares passaram diante dele para rezar.
Beatificação e Canonização
Em 2 de maio de 1999, trinta e um anos depois da morte, o Papa João Paulo II — que tinha conhecido Padre Pio pessoalmente — o beatificou diante de milhares de fiéis em Roma, chamando-o de testemunha do Cristo sofredor.
Três anos depois, em 16 de junho de 2002, o mesmo Papa o canonizou: São Pio de Pietrelcina. Na Praça de São Pedro, cerca de trezentas mil pessoas celebraram juntas, numa das maiores canonizações da história. O menino pobre que via anjos era agora um santo da Igreja inteira.
São Padre Pio Hoje
Hoje, São Padre Pio é um dos santos mais amados do mundo. Sua festa, no dia 23 de setembro, é celebrada em toda parte, e São Giovanni Rotondo recebe cerca de oito milhões de peregrinos por ano — é um dos santuários mais visitados da Itália. O corpo dele repousa numa urna de vidro, diante da qual milhares rezam todos os dias.

O Legado de São Padre Pio
O que São Padre Pio deixou para nós? Deixou o amor ao confessionário, onde acolheu milhões de pessoas; a união com Cristo crucificado, vivida nos estigmas por cinquenta anos; a obediência à Igreja até nas horas mais difíceis; a caridade que construiu um hospital para os pobres e espalhou grupos de oração pelo mundo; e uma humildade profunda, que escondia os próprios dons e recusava toda glória.
Ele deixou também frases simples, que milhões de pessoas repetem até hoje. A mais famosa é: "Reze, espere e não se preocupe." Ele gostava de dizer que a oração é a melhor arma que temos, que o demônio tem medo das almas que rezam, e que o confessionário era o lugar onde ele trabalhava pela salvação das almas.
Reflexão



