Há muito tempo, à beira do mar da Galileia, vivia um pescador chamado Simão. Ele morava na cidadezinha de Cafarnaum e, todas as noites, saía de barco com o irmão, André, para lançar as redes na água escura. Simão tinha as mãos fortes de tanto puxar rede, a voz alta e um coração que se apressava em tudo. Ninguém naquela vila imaginava que aquele homem simples se tornaria, um dia, o primeiro papa da história.
Certa manhã, depois de uma noite inteira de trabalho sem pescar nada, Simão lavava as redes na praia, cansado. Foi então que Jesus de Nazaré chegou àquela margem, cercado por uma multidão que queria ouvi-lo. Jesus entrou no barco de Simão, pediu que ele o afastasse um pouquinho da areia e, sentado ali, ensinou o povo. Quando terminou, virou-se para o pescador.
— Leve o barco para onde a água é mais funda e lancem as redes.
Simão suspirou. Ele conhecia aquele mar como a palma da mão e sabia que, de dia, os peixes fugiam para o fundo.
— Mestre, trabalhamos a noite toda e não pescamos nada — respondeu. — Mas, porque é você quem pede, vou lançar as redes.
As redes desceram e, de repente, ficaram tão cheias de peixes que começaram a se romper. Simão precisou acenar para os companheiros do outro barco virem ajudar, e os dois barcos quase afundaram de tão carregados. Assustado com tamanha maravilha, ele caiu de joelhos diante de Jesus, sentindo-se pequeno demais para estar perto de alguém tão santo. Jesus, porém, falou com carinho.
— Não tenha medo. De agora em diante, você será pescador de gente.
Simão puxou o barco para a praia, deixou as redes e tudo o que tinha, e seguiu Jesus. Pouco depois, Jesus lhe deu um nome novo: Pedro, que quer dizer pedra. Ele ainda não entendia por quê, mas guardou aquele nome no coração.
Pedro seguiu Jesus por caminhos poeirentos, vilas e montanhas, e viu coisas que nunca sonhou ver. Numa noite de vento forte, os discípulos atravessavam o mar num barco que balançava muito, quando avistaram Jesus vindo até eles, andando por cima das águas. Pedro, apressado como sempre, gritou primeiro que todos:
— Senhor, se é você mesmo, mande que eu vá ao seu encontro sobre as águas!
— Venha — disse Jesus.
Pedro passou a perna pela borda do barco e pisou na água como quem pisa num chão firme. Deu um passo, depois outro, com os olhos em Jesus. Mas aí reparou no vento, olhou para as ondas, sentiu medo e começou a afundar.
— Senhor, salve-me!
No mesmo instante, Jesus estendeu a mão e o segurou firme.
— Homem de pouca fé, por que você duvidou?
Outro dia, na região de Cesareia de Filipe, Jesus fez uma pergunta aos discípulos enquanto caminhavam.
— E vocês, quem dizem que eu sou?
Os outros ficaram em silêncio, mas Pedro respondeu com toda a certeza do seu coração.
— Você é o Cristo, o Filho do Deus vivo.
Jesus parou e olhou para ele.
— Feliz de você, Simão, porque não foi ninguém da terra que lhe revelou isso, e sim o meu Pai que está nos céus. E eu lhe digo: você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. Eu lhe darei as chaves do Reino dos Céus.
Agora o nome novo fazia sentido. Assim como uma casa precisa de alicerce firme, a Igreja de Jesus teria Pedro como sua primeira pedra. Naquele dia, Jesus o escolheu para ser o pastor de todo o seu rebanho.
Mas até uma pedra pode tremer. Na última ceia, Pedro prometeu em voz alta que jamais abandonaria Jesus, nem que precisasse morrer com ele. Jesus respondeu baixinho que, naquela mesma noite, antes que o galo cantasse, Pedro diria três vezes que não o conhecia.
Horas depois, Jesus foi preso, e Pedro o seguiu de longe até o pátio da casa do sumo sacerdote. Fazia frio, e ele se sentou junto ao fogo com os criados. Uma criada olhou bem para o rosto dele e disse que aquele homem andava com Jesus. Pedro, com medo, respondeu que não o conhecia. Outra pessoa perguntou, e ele negou de novo. Na terceira vez, jurou que nunca tinha visto aquele homem.
E então um galo cantou na madrugada. Jesus, que passava guardado pelos soldados, virou-se e olhou para Pedro. Não disse uma palavra, mas Pedro lembrou-se de tudo. Saiu daquele pátio e chorou um choro amargo, o mais triste da sua vida.
Pedro pensou que tudo estava perdido, mas Jesus não desiste dos seus amigos. Depois de ressuscitar, numa manhã clara, Jesus esperou os discípulos na praia do mar da Galileia, com peixe assado nas brasas e pão quentinho. Quando terminaram de comer, chamou Pedro para conversar.
— Simão, você me ama?
— Sim, Senhor, você sabe que eu o amo.
— Cuide dos meus cordeiros.
Jesus perguntou uma segunda vez, e depois uma terceira: uma pergunta para cada vez que Pedro tinha negado. E a cada resposta, repetia o mesmo pedido: apascenta as minhas ovelhas. Pedro entendeu que estava perdoado e que a missão continuava de pé. O pastor do rebanho de Jesus seria ele, com todos os seus erros e todo o seu amor.
No dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu como vento e fogo sobre os discípulos reunidos, foi Pedro quem abriu as portas e falou à multidão de Jerusalém. Aquele homem que tremera diante de uma criada agora anunciava Jesus sem medo nenhum. Naquele único dia, cerca de três mil pessoas pediram o batismo. O pescador de gente lançava a sua primeira grande rede.
Pedro guiou a Igreja por muitos anos, viajou por muitas terras e chegou até Roma, o coração do império. Ali ensinou, batizou e fortaleceu os cristãos, como primeiro papa. Quando o imperador Nero começou a perseguir a Igreja, Pedro foi preso. Conta a tradição que ele foi condenado a morrer numa cruz, como o seu Mestre, e que pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, porque não se achava digno de morrer do mesmo jeito que Jesus.
Pedro entregou a vida na colina do Vaticano, e os cristãos guardaram com carinho o lugar do seu túmulo. Séculos depois, bem ali, foi construída a Basílica de São Pedro, a igreja mais famosa do mundo. Até hoje, cada papa é chamado de sucessor de Pedro, o pescador que ouviu um chamado à beira do mar e disse sim.
edificarei a minha Igreja.
Moral da História



