Há muito tempo, numa aldeia pequenina da Itália chamada Riese, vivia uma família com muitos filhos. O pai, Giovanni Battista, era o carteiro da aldeia e conhecia todas as portas e todos os nomes. A mãe, Margherita, costurava para fora e cuidava da casa. Eles eram pobres, mas na casa dos Sarto nunca faltava o que importava de verdade: fé, carinho e um lugar na mesa para cada um.
No dia 2 de junho de 1835 nasceu o segundo dos dez filhos, um menino de olhos atentos chamado Giuseppe. Em casa, todos o chamavam de Bepi. Ele ajudava no que podia, rezava com a família ao cair da tarde e gostava de ficar bem quietinho na igreja da aldeia, como quem escuta um segredo bom.
Bepi era esperto nos estudos, e o padre da aldeia percebeu isso logo. Mas a escola boa ficava longe, na cidade de Castelfranco, a muitos quilômetros de estrada. Todos os dias o menino ia e voltava a pé, com os livros debaixo do braço e um pedaço de pão na sacola.
Conta-se que, para não gastar os sapatos, ele os tirava assim que saía da aldeia e os pendurava no ombro. Depois seguia descalço pela estrada de terra, com poeira no verão e barro no inverno. Sapatos custavam caro, e Bepi sabia quanto esforço cada moeda custava ao pai e à mãe.
O menino cresceu e sentiu no coração um chamado: queria ser padre. Estudou no seminário de Pádua com a ajuda de gente boa que pagou seus estudos, e em 1858 foi ordenado sacerdote. Foi servir primeiro numa paróquia chamada Tombolo, depois em Salzano, sempre entre gente simples do campo, como a gente com quem ele tinha crescido.
Padre Giuseppe era um pároco de porta aberta. Quando uma doença grave passou pela região, ele não fugiu: visitava os doentes, consolava as famílias e ajudava a enterrar os mortos com respeito. E tudo o que ganhava ia parar nas mãos dos pobres, tanto que sua irmã, que cuidava da casa, vivia dizendo que ele dava até o que não tinha.
O tempo passou, e a Igreja foi confiando a ele tarefas cada vez maiores. Em 1884 tornou-se bispo de Mântua. Em 1893 foi feito cardeal e Patriarca de Veneza, a cidade dos canais e das gôndolas. Lá, em vez de viver fechado no palácio, ele conversava com pescadores e gente do mercado, e seus bolsos viviam vazios, porque tudo virava ajuda para alguém.
No ano de 1903, o Papa Leão XIII morreu, e os cardeais do mundo inteiro se reuniram em Roma para escolher o novo papa. Foram olhando, votando, rezando, e o nome que apareceu foi o do cardeal Sarto. Ele chorou e disse que não era digno, mas aceitou a cruz que Deus lhe dava. No dia 4 de agosto de 1903, o filho do carteiro de Riese tornou-se o Papa Pio X.
Como lema do seu trabalho, ele escolheu quatro palavras em latim: Instaurare omnia in Christo, que querem dizer renovar todas as coisas em Cristo. Era um jeito de dizer que Jesus devia estar no centro de tudo, da oração da manhã até o sono da noite.
Mesmo sendo papa, Pio X continuou simples como sempre. Não gostava de pompa nem de tratamento de príncipe, e dizia que tinha nascido pobre e queria morrer pobre. Aos domingos, ele mesmo explicava o catecismo ao povo num pátio do Vaticano, com palavras que até os pequenos entendiam. E conta-se que carregava balinhas nos bolsos para as crianças que encontrava pelo caminho.
Mas o presente mais bonito que ele deixou foi para as crianças do mundo inteiro. Naquele tempo, os pequenos precisavam esperar muito para receber a Primeira Comunhão, às vezes até os doze ou catorze anos. Uma criança olhava para Jesus na Missa, queria recebê-lo no coração, e ouvia sempre a mesma resposta: ainda não, espere crescer.
Pio X lembrava-se das palavras de Jesus no Evangelho: deixai vir a mim as criancinhas, e não as impeçais (Marcos 10, 14). Então, em 1910, ele assinou um documento chamado Quam Singulari. A partir daquele dia, as crianças que já sabiam distinguir o pão comum do Pão do céu, mais ou menos aos sete anos, podiam receber Jesus na Comunhão. Não era mais preciso esperar tanto.
Conta-se que, um dia, uma mãe levou ao papa o filho de apenas quatro anos e disse que o menino ainda não podia comungar. Pio X abaixou-se até ficar da altura da criança e conversou com ela.
— Quem é que você recebe na Santa Comunhão?
— Recebo Jesus — respondeu o menino.
— E quem é Jesus?
— Jesus é Deus — disse a criança, sem hesitar.
Então o papa sorriu e disse à mãe:
— Traga-o amanhã, e eu mesmo darei a ele a Primeira Comunhão.
Por causa desse amor à Eucaristia, e por ter convidado todos a comungar com frequência, Pio X ficou conhecido como o Papa da Eucaristia.
Em 1914, uma tristeza enorme cobriu o mundo: começou uma guerra grande, que arrastou muitos países. Pio X, já velhinho, sofreu demais com aquilo. Dizem que ele afirmou que daria a própria vida de bom grado se com isso pudesse afastar a guerra dos seus filhos.
Poucas semanas depois do início da guerra, no dia 20 de agosto de 1914, ele morreu em Roma, entregando ao Senhor aquele coração que tanto tinha amado os pobres e as crianças. Pediu um funeral simples e um túmulo simples, do jeito que tinha vivido. Em 1954, o Papa Pio XII o declarou santo, e a Igreja inteira festejou o menino descalço de Riese que chegou aos altares.
Hoje, quando uma criança de sete ou oito anos se prepara para a Primeira Comunhão, ela talvez não saiba, mas deve esse dia de festa a um papa de coração enorme. São Pio X continua, lá do céu, chamando os pequenos para perto de Jesus.
Moral da História



