São Francisco de Assis - Parte 2: Os Frades Menores e Santa Clara
Santos

São Francisco de Assis - Parte 2: Os Frades Menores e Santa Clara

por Vida de Santo

Idades 7-9
10 min de leitura

Depois de renunciar a tudo, Francisco começou sua vida nova. Ele não tinha plano nem estratégia — tinha apenas uma ordem de Jesus: reparar a Sua casa. E foi exatamente isso que Francisco fez, ao pé da letra: começou a reconstruir a igrejinha de São Damião com as próprias mãos.

Francisco reconstruindo igreja
Francisco reconstruía igrejas com as próprias mãos!

O Pedreiro Mendicante

Francisco nunca tinha trabalhado com pedras, mas aprendeu. Carregava pedras, misturava argamassa, assentava tijolos. E como conseguia os materiais? Pedindo. Ele ia pela cidade cantando:

— Quem me der uma pedra receberá uma bênção. Quem me der duas receberá duas bênçãos.

As pessoas riam, dizendo que o filho do rico Bernardone tinha virado mendigo. Mas alguns se comoviam e traziam pedras, madeira, cal. E Francisco trabalhava alegremente, cantando hinos para Deus.

Aos poucos, a igrejinha de São Damião foi restaurada. Depois Francisco reconstruiu outra igreja, Santa Maria dos Anjos, chamada também de Porciúncula: uma capelinha minúscula, abandonada no meio do bosque. Francisco a consertou com carinho, limpou tudo e a deixou linda. E aquela igrejinha pequenina se tornaria o coração da futura ordem franciscana.

Porciúncula
A Porciúncula se tornou o centro dos franciscanos!

A Missão Revelada

Um dia, Francisco estava na Porciúncula assistindo à Missa, e o padre leu o Evangelho em que Jesus envia os apóstolos:

"Não leveis ouro, nem prata, nem dinheiro; nem alforje para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bordão... De graça recebestes, de graça dai!" (Mateus 10:9-10)

Francisco sentiu o coração pegar fogo. Era isso que Jesus queria dele. Deixou os sapatos, deixou o cajado, ficou só com uma túnica simples e amarrou uma corda na cintura como cinto. Decidiu viver o Evangelho ao pé da letra. E saiu pregando pelos caminhos: que as pessoas se arrependessem, que o Reino de Deus estava próximo. Sua saudação era sempre a mesma: paz e bem.

Os Primeiros Seguidores

No começo, muita gente achava Francisco louco — o rapaz que largou tudo para viver como mendigo. Mas alguns percebiam nele algo diferente: uma alegria que ninguém sabia explicar, uma paz profunda. Em 1208, um homem rico chamado Bernardo de Quintavalle ficou intrigado. Queria descobrir por que Francisco era tão feliz sendo tão pobre. Convidou Francisco para jantar e dormir em sua casa e, durante a noite, fingiu que dormia para observá-lo.

Bernardo observando Francisco
Bernardo observou Francisco rezando a noite toda!

Francisco passou a noite inteira rezando. Ajoelhado, de braços abertos, repetia baixinho: "Meu Deus e meu Tudo. Meu Deus e meu Tudo." Bernardo ficou profundamente tocado. Aquele homem conhecia Deus de verdade. No dia seguinte, disse a Francisco que queria viver como ele. Francisco ficou feliz e propôs que perguntassem a Jesus o que Ele queria. Foram à igreja e abriram o Evangelho ao acaso, três vezes. Na primeira, leram: "Se queres ser perfeito, vende tudo e dá aos pobres." Na segunda: "Não leves nada para o caminho." Na terceira: "Quem quiser seguir-me, negue-se a si mesmo."

Bernardo vendeu tudo o que tinha, deu o dinheiro aos pobres e vestiu uma túnica simples como a de Francisco. Assim nasceu o segundo franciscano. Logo chegou o terceiro, Pedro Catâneo, padre e doutor em Direito. Depois veio Egídio, um homem simples do campo. Em poucos meses eram doze frades, como os doze apóstolos. Francisco os chamava de Frades Menores, porque deveriam ser os menores de todos, os mais humildes.

Primeiros frades franciscanos
Os primeiros 12 frades com Francisco!

A Vida Radical

Os frades viviam de um jeito radicalmente simples. Não tinham casa: dormiam em celeiros, em cavernas, debaixo das árvores. Não tinham dinheiro: mendigavam a comida ou trabalhavam por ela. Não tinham nada que fosse só de um: tudo era de todos. Passavam os dias pregando, ajudando os pobres, cuidando dos leprosos, e rezavam muito, louvando a Deus a toda hora. Algumas pessoas se escandalizavam e os chamavam de loucos. Outras se comoviam e diziam baixinho que aqueles homens eram santos.

Santa Clara

Em 1212, uma jovem nobre de Assis chamada Clara ouviu Francisco pregar. Ela tinha dezoito anos, era bonita, rica, de família importante, e os pais queriam casá-la com um nobre. Mas Clara não queria: queria seguir Jesus como Francisco. Em segredo, foi encontrá-lo e disse que desejava viver como os frades. Francisco se surpreendeu — uma moça não podia viver com eles nos bosques. Clara, porém, insistiu: Jesus também a chamava, e ela precisava responder.

Santa Clara jovem
Clara queria seguir o caminho de Francisco!

Francisco e Clara combinaram tudo em segredo. Na noite do Domingo de Ramos, quando todos dormiam, Clara fugiu de casa e correu pelo escuro até a Porciúncula, onde Francisco e os frades a esperavam com velas acesas. Clara ajoelhou-se. Francisco cortou seus longos cabelos dourados e lhe entregou uma túnica simples e um véu. Naquela noite, Clara se tornou esposa de Cristo.

A família de Clara ficou furiosa e veio armada para levá-la de volta. Mas Clara se agarrou ao altar.

— Não vou! Pertenço a Cristo agora!

Ela mostrou a cabeça com os cabelos cortados, e os parentes ficaram sem ação. Arrancá-la do altar seria um sacrilégio. Tiveram que aceitar. Clara estava livre.

Clara no altar
Clara se agarrou ao altar e não voltou!

A Aprovação Papal

Em 1209, quando já eram doze frades, Francisco decidiu que precisavam da aprovação do Papa. Escreveu uma Regra simples — no fundo, viver o Evangelho ao pé da letra — e foi com os frades até Roma, caminhando a pé. Quando chegaram diante do Papa Inocêncio III, estavam sujos, pobres, maltrapilhos. Os cardeais riram daqueles mendigos. Mas o Papa olhou para Francisco com atenção.

Na noite anterior, o Papa tinha tido um sonho. Sonhou que a Basílica de São João de Latrão, a catedral de Roma, estava caindo — e que um homem pequeno e pobre a segurava nos ombros, impedindo a queda. Quando viu Francisco, o Papa reconheceu o homem do sonho. Francisco pediu com humildade:

— Santo Padre, queremos apenas viver o Evangelho.

O Papa ficou tocado.

— Vocês são loucos... mas é a loucura de Cristo. Aprovo.

E assim a Ordem dos Frades Menores foi oficialmente aprovada.

Papa aprovando a Ordem
O Papa aprovou a Ordem Franciscana!

Francisco e o Sultão

Em 1219, durante a Quinta Cruzada, Francisco fez algo extraordinário: foi ao Egito em plena guerra, porque queria falar de Jesus ao Sultão Al-Kamil. Todos avisaram que ele seria morto, mas Francisco foi assim mesmo. Atravessou as linhas de batalha, foi capturado e levado diante do Sultão, que ficou intrigado com aquele homem estranho, pobre e alegre.

— Por que você veio? Para me converter?

— Vim falar-lhe de Jesus Cristo — respondeu Francisco, com respeito.

E falou de Jesus com tanto amor que o Sultão ficou encantado. Não se converteu, mas se tornou amigo de Francisco. Ofereceu-lhe presentes, e Francisco recusou tudo: não queria ouro, só queria que o Sultão conhecesse Jesus. Impressionado, o Sultão confessou que nunca tinha conhecido um cristão assim — se todos fossem como Francisco, disse, ele acreditaria. Deixou Francisco partir em liberdade e protegeu os cristãos em suas terras.

Francisco e Sultão em paz
Francisco construiu ponte de paz em meio à guerra!

O Crescimento da Ordem

Quando Francisco voltou do Egito, levou um susto: a Ordem tinha crescido para milhares de frades, com conventos, escolas e estruturas organizadas. Francisco ficou triste, com medo de que estivessem ficando ricos de novo e perdendo a simplicidade. Tentou voltar à pobreza radical, mas a Ordem era grande demais. Então compreendeu que precisava deixar outros liderarem. Renunciou ao governo da Ordem e voltou a ser um frade simples.

❤️ ✝️ ❤️

Reflexão

Francisco não planejou fundar uma ordem religiosa: ele só quis viver o Evangelho de verdade, e a sua alegria atraiu os outros. Ele também aprendeu a plantar e deixar Deus cuidar do crescimento, mesmo quando isso significou entregar a liderança. Como ele dizia aos irmãos: "Comecemos a servir ao Senhor, pois até agora pouco temos feito."

📖 Histórias Similares

São Francisco de Assis - Parte 1: Do Jovem Rico ao Pobrezinho

São Francisco de Assis - Parte 1: Do Jovem Rico ao Pobrezinho

10 min de leitura

Francisco cresceu rico em Assis e sonhava ser cavaleiro. Mas um encontro na estrada mudou sua vida para sempre, e o jovem das festas se tornou o pobrezinho que o mundo inteiro aprendeu a amar.

Ler história→
São Francisco de Assis - Parte 3: Os Estigmas e o Cântico das Criaturas

São Francisco de Assis - Parte 3: Os Estigmas e o Cântico das Criaturas

11 min de leitura

Nos últimos anos de vida, doente e quase cego, Francisco recebeu no Monte Alverne as marcas de Jesus e compôs o mais belo cântico de louvor à criação. A despedida serena do pobrezinho de Assis.

Ler história→
Frei Galvão: O Primeiro Santo do Brasil

Frei Galvão: O Primeiro Santo do Brasil

8 min de leitura

Em Guaratinguetá nasceu um menino chamado Antônio, que se tornou frade, construiu um mosteiro e ajudou os doentes com pequenas pílulas de oração.

Ler história→