Arthur era agora rei da Inglaterra, mas ser rei não era fácil. Muitos senhores que haviam lutado pelo trono não aceitavam um jovem como seu governante. Houve rebeliões e batalhas, e Arthur teve de provar seu valor não apenas puxando uma espada de uma pedra, mas lutando para proteger o reino.
Foi numa dessas batalhas que algo terrível aconteceu. Arthur enfrentava um poderoso cavaleiro rebelde quando, com um estalo seco, sua espada quebrou ao meio. A espada da pedra, aquela que havia provado que ele era o rei, estava destroçada. Arthur escapou da batalha, mas ficou muito triste, pensando consigo mesmo como poderia ser rei sem uma espada.
Merlin, o sábio mago, veio falar com Arthur.
— Não fique triste, meu rei. Aquela espada cumpriu o seu propósito: provou quem você era. Mas agora você precisa de uma espada verdadeiramente especial, digna do maior rei que a Inglaterra terá.
— Onde encontrarei tal espada? — perguntou Arthur.
Merlin sorriu, misterioso.
— Venha comigo. Há um lugar antigo que quero lhe mostrar.
Eles cavalgaram juntos por florestas densas e vales profundos, até chegarem a um lugar extraordinário: um lago imenso, tão quieto e liso quanto um espelho gigante.
— Este é o Lago Encantado — disse Merlin. — Um lugar de magia antiga. Olhe bem para as águas.
Arthur olhou para o lago. A água era tão clara e calma que refletia o céu inteiro, sem uma onda, sem um movimento. E então, de repente, algo incrível aconteceu.
No meio do lago, um braço surgiu das águas. Era um braço de mulher, vestido de branco brilhante, e a mão erguia uma espada. E que espada. O punho era de ouro e prata, adornado de pedras preciosas, e a lâmina reluzia com luz própria, como se guardasse fogo lá dentro.
— O que é aquilo? — sussurrou Arthur, maravilhado.
— Aquela é Excalibur — disse Merlin. — A espada mais poderosa que já existiu. Dizem os antigos que só o rei verdadeiro e justo pode empunhá-la. E ela está sendo oferecida a você.
Então algo ainda mais extraordinário aconteceu. As águas do lago se abriram suavemente, e uma mulher apareceu, caminhando sobre a superfície como se fosse chão firme. Ela era belíssima, vestida de branco, com um vestido que flutuava ao seu redor como névoa. Os cabelos eram longos e escuros, e os olhos brilhavam com uma sabedoria antiga.
— Eu sou a Dama do Lago — disse ela, com voz musical. — Guardiã deste lugar e desta espada. Arthur, filho de Uther, você provou ser o verdadeiro rei. Provou ter coragem, humildade e um coração puro. Por isso, Excalibur é sua.
Arthur ficou em silêncio, maravilhado. Nunca havia visto alguém tão misterioso.
— Como posso alcançá-la? — perguntou Arthur, olhando para a espada no meio do lago.
A Dama do Lago sorriu.
— Não tenha medo. A água o sustentará.
Arthur respirou fundo e deu um passo sobre a água. Para sua surpresa, era como pisar em chão firme. Ele caminhou sobre o lago, passo a passo, até chegar onde o braço erguia Excalibur. Com reverência, segurou o punho da espada. O braço a soltou gentilmente e desapareceu nas águas.
Arthur levantou Excalibur no ar. A espada era perfeitamente equilibrada, leve e forte ao mesmo tempo, e quando ele a moveu, ela cantou, um som claro e puro como o de um sino. A lâmina brilhava com luz prateada, e nela estavam gravadas palavras numa língua antiga, que Merlin traduziu baixinho: "Tomai-me, e empunhai-me somente em nome da justiça."
— Esta espada é mais preciosa do que você imagina — disse a Dama do Lago. — Foi forjada na ilha sagrada de Avalon, com magia e metal das estrelas. Excalibur nunca quebrará. Sua lâmina corta qualquer armadura, e seu brilho afugenta as trevas.
— É um presente extraordinário — disse Arthur. — Como posso agradecer?
— Use-a com sabedoria — respondeu a Dama. — Use-a apenas para proteger os fracos e defender o que é certo. Nunca para conquistar, nunca para oprimir. Excalibur serve somente à justiça.
— Eu prometo — disse Arthur, solene.
A Dama então lhe entregou algo mais: uma bainha de couro adornada com ouro e pedras encantadas.
— Esta bainha vale tanto quanto a espada — disse ela. — Enquanto você a trouxer consigo, não perderá sangue, por mais grave que seja o ferimento. Guarde-a bem.
Arthur guardou Excalibur na bainha, prendeu-a ao cinto e se ajoelhou diante da Dama do Lago.
— Obrigado, minha senhora. Serei digno desta dádiva.
A Dama do Lago sorriu.
— Você construirá um reino de justiça e de paz, Arthur Pendragon, e Excalibur o ajudará nessa missão. Mas lembre-se: a verdadeira força de um rei não está na espada, e sim no coração.
Ela então caminhou de volta para o centro do lago. As águas se abriram suavemente e a receberam, deixando apenas pequenas ondas que logo se acalmaram. O lago voltou a ficar liso como um espelho, como se nada tivesse acontecido.
Arthur voltou para Camelot com Excalibur ao lado. A notícia da espada mágica se espalhou depressa, e quando os rebeldes souberam que Arthur empunhava a lendária Excalibur, muitos depuseram as armas, dizendo uns aos outros que ele devia mesmo ser o rei escolhido.
Com Excalibur, Arthur venceu as batalhas contra aqueles que ameaçavam o reino. Mas nunca esqueceu as palavras da Dama do Lago: usava a espada apenas para defender, jamais para conquistar. Excalibur brilhava como um farol de esperança, e por onde Arthur passava com ela, levava justiça, proteção e paz.
E assim, com Excalibur ao seu lado, Arthur começou a construir o seu sonho: um reino onde cavaleiros nobres defendiam os fracos, onde a justiça prevalecia e onde todos podiam viver em paz. O tempo de Camelot havia começado.
Reflexão



